Economia
Transportadoras incluem saúde mental na gestão de riscos
Economia
A atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) colocou a saúde mental no centro das discussões sobre segurança e saúde ocupacional. A partir da inclusão dos riscos psicossociais no Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR), empresas de diversos segmentos passaram a revisar processos internos, identificar fatores relacionados ao adoecimento emocional e estruturar ações preventivas.
No transporte rodoviário de cargas, a mudança ganha relevância diante das características da atividade. Jornadas longas, pressão por prazos, variações de turnos, condições de tráfego e períodos prolongados longe da família estão entre os fatores que podem impactar o bem-estar dos profissionais e, consequentemente, a segurança das operações.
A atualização da NR-1 determina que as empresas passem a identificar, avaliar e gerenciar fatores psicossociais presentes no ambiente de trabalho, integrando essas informações ao PGR e aos planos de ação voltados à prevenção. Segundo o assessor jurídico-ambiental do Sindicato das Empresas de Transportes de Cargas e Logística de Minas Gerais (Setcemg), Walter Cerqueira, a mudança representa uma evolução na gestão dos riscos ocupacionais.”A discussão sobre saúde mental no trabalho não surgiu agora. Organismos internacionais e estudos realizados ao longo dos últimos anos já demonstravam o impacto dos transtornos mentais na produtividade e nos afastamentos. O que a NR-1 faz é estruturar uma metodologia para que as empresas possam identificar esses fatores, avaliar sua relevância e implementar medidas de controle”, afirma.
Cerqueira explica que a norma exige a realização de inventários dos riscos psicossociais e a elaboração de planos de ação específicos para mitigação dos fatores identificados. “Os riscos psicossociais passam a integrar formalmente o gerenciamento de riscos ocupacionais. Isso exige das organizações uma atuação preventiva e baseada em evidências, permitindo decisões mais assertivas tanto para a proteção dos trabalhadores quanto para a sustentabilidade das empresas”, menciona.
No setor de transporte rodoviário, os fatores associados à saúde mental possuem características específicas. A rotina dos motoristas e demais profissionais da operação demanda atenção permanente, capacidade de tomada de decisão e resistência física e emocional.
De acordo com o coordenador de segurança, saúde e meio ambiente da Transpedrosa, Marco Túlio, a empresa já vem desenvolvendo ações alinhadas às novas exigências da norma. “A empresa realiza pesquisas internas para identificação de fatores de risco, promove o mapeamento dos aspectos psicossociais e incorpora essas informações ao PGR. O objetivo é identificar precocemente situações que possam comprometer o bem-estar físico e emocional dos colaboradores e adotar medidas preventivas”, detalha.
Entre as iniciativas implementadas pela companhia estão programas de gestão de fadiga, acompanhamento médico ocupacional, ações de conscientização sobre saúde mental, desenvolvimento de lideranças, canal de ética e programas voltados à participação dos colaboradores.
Segundo o coordenador, a atividade exige cuidados permanentes. “O transporte rodoviário apresenta desafios relacionados à longa permanência na direção, jornadas extensas, mudanças de horários, condições de tráfego e afastamento familiar. Esses fatores podem contribuir para fadiga física e mental, redução da atenção e aumento do risco de acidentes. Por isso, investimos em controle de jornada, gestão de escalas, treinamentos periódicos e monitoramento contínuo dos indicadores operacionais e comportamentais”, acentua.
Cultura organizacional ganha protagonismo
Para as empresas, a adequação à NR-1 vai além do cumprimento de uma obrigação legal. A mudança também abre espaço para o fortalecimento das políticas de gestão de pessoas e da cultura organizacional.
Segundo a assessora da diretoria da Transpedrosa, Ana Paula Pedrosa, a incorporação dos riscos psicossociais ao gerenciamento corporativo representa um avanço importante para o setor. “A atualização da NR-1 reforça a necessidade de uma abordagem integrada entre segurança, saúde e gestão de pessoas. Ao identificar fatores que possam impactar o bem-estar dos colaboradores, as empresas conseguem atuar de forma antecipada, fortalecendo um ambiente de trabalho mais seguro, saudável e sustentável”, frisa.
Ela destaca que o cuidado com as pessoas também gera reflexos diretos nos resultados das organizações. “Iniciativas estruturadas voltadas à saúde mental contribuem para a redução de afastamentos, melhoria dos indicadores de segurança, aumento do engajamento e fortalecimento da retenção de talentos. Trata-se de uma agenda estratégica para o presente e para o futuro do transporte rodoviário de cargas”, ressalta.
Capacitação se torna aliada da adequação
A preparação das empresas também passa pela qualificação de gestores e profissionais responsáveis pela implementação das novas exigências. Nesse contexto, o SEST SENAT disponibiliza gratuitamente o curso “NR-1 e Riscos Psicossociais”, com carga horária de 20 horas e aulas online. A formação aborda a aplicação prática do Gerenciamento de Riscos Ocupacionais, identificação de perigos psicossociais, elaboração de inventários de riscos e construção de planos de ação voltados à prevenção.
A capacitação busca apoiar empresas e trabalhadores na construção de ambientes organizacionais mais seguros, saudáveis e preparados para os desafios impostos pela nova regulamentação.
Segurança nas estradas começa dentro das empresas
A inclusão dos riscos psicossociais na NR-1 reforça uma percepção já consolidada entre especialistas em segurança do trabalho. Questões relacionadas ao estresse, à fadiga, à sobrecarga emocional e à organização do trabalho possuem impacto direto sobre a atenção, o desempenho profissional e a prevenção de acidentes.
Ao ampliar o olhar sobre a saúde dos trabalhadores, a nova regulamentação impulsiona uma transformação que ultrapassa o ambiente corporativo e alcança toda a cadeia logística, contribuindo para operações mais seguras, eficientes e sustentáveis.
Economia
Geração Z lidera intenção de compra de imóveis no Brasil
Durante anos, o mercado imobiliário conviveu com uma percepção quase consensual de que as gerações mais jovens haviam abandonado o sonho da casa própria em troca de modelos mais flexíveis de moradia, como aluguel e coliving. Mas os dados mais recentes do setor mostram um cenário bastante diferente e começam a indicar uma transformação importante no comportamento de consumo imobiliário no Brasil. Levantamentos trimestrais da Brain Inteligência Estratégica em parceria com a Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc) vêm apontando um avanço consistente da Geração Z na intenção de compra de imóveis no país. No estudo mais recente, atualizado no início deste ano, 56% dos jovens entre 21 e 28 anos afirmaram ter planos de adquirir um imóvel, o maior índice entre todas as gerações e acima da média nacional. Os relatórios do setor mostram ainda que o interesse desse público pela compra de imóveis vem crescendo continuamente nos últimos trimestres, contrariando a percepção de que os mais jovens teriam deixado de priorizar a aquisição da casa própria. Mais do que uma mudança pontual, o movimento sinaliza uma nova relação entre as gerações mais jovens, o patrimônio e a experiência de morar.
Para Débora Bertini, CEO de Incorporação da MPD Engenharia, o avanço desse interesse ajuda a desconstruir uma leitura simplificada sobre a relação da nova geração com moradia e patrimônio. “A ideia de que a Geração Z não queria mais comprar imóvel está sendo revista pelo mercado. O desejo pela casa própria continua existindo, mas conectado a novas prioridades. Hoje, o imóvel deixou de ser apenas um símbolo de status e passou a representar qualidade de vida, segurança emocional, flexibilidade e bem-estar”, afirma. Segundo a executiva, a mudança não está necessariamente ligada à busca por imóveis maiores ou mais tradicionais, mas a projetos capazes de acompanhar uma rotina mais dinâmica, híbrida e integrada à cidade.
“Existe uma valorização muito maior da experiência de morar. Isso envolve localização estratégica, contato com áreas verdes, mobilidade, ambientes multifuncionais e espaços que façam sentido para uma vida mais equilibrada. É uma geração que busca propósito também na relação com a cidade e com a própria casa”, explica Débora. Embora ainda esteja em diferentes fases de consolidação financeira, a Geração Z já começa a influenciar tendências importantes no desenvolvimento de empreendimentos residenciais, inclusive no segmento de alto padrão. Na avaliação da MPD Engenharia, cresce a procura por projetos que integrem arquitetura e natureza, priorizem áreas comuns mais funcionais e incorporem soluções ligadas ao bem-estar, à flexibilidade dos espaços e à experiência urbana.
A transformação também acompanha mudanças mais amplas no comportamento pós-pandemia. A consolidação do trabalho híbrido, o aumento da preocupação com saúde mental e a busca por uma rotina menos acelerada têm impactado diretamente a forma como os brasileiros enxergam moradia. “Nos últimos anos, a casa passou a ocupar um papel muito mais central na vida das pessoas. Para os jovens, especialmente, existe uma preocupação maior com conforto emocional, pertencimento e qualidade do ambiente urbano. Isso influencia diretamente as decisões de compra”, comenta. Outro ponto observado pelo setor é que a nova geração tende a valorizar mais atributos ligados à praticidade do cotidiano e à qualidade da experiência do que sinais tradicionais de ostentação.
“A lógica do consumo mudou. Hoje vemos um interesse crescente por empreendimentos que ofereçam experiências mais autênticas, conectadas à sustentabilidade, ao design biofílico e a uma vida urbana mais fluida. É menos sobre excesso e mais sobre significado”, diz. O avanço da Geração Z dentro do mercado imobiliário também tem levado incorporadoras e construtoras a acompanharem mais de perto movimentos de comportamento, consumo e urbanismo. Para a MPD Engenharia, compreender as expectativas desse novo perfil de comprador será cada vez mais determinante para o desenvolvimento dos próximos empreendimentos residenciais.
“Estamos vivendo uma mudança geracional importante. O consumidor jovem é mais informado, mais conectado e mais criterioso na tomada de decisão. Isso naturalmente eleva a exigência em relação à arquitetura, aos serviços, à localização e à experiência completa de morar”, finaliza Débora Bertini.
Sobre a MPD Engenharia
A MPD atua há mais de quatro décadas no mercado da construção civil nos segmentos industrial, comercial, educação, lazer, saúde, infraestrutura e na construção e incorporação de apartamentos e escritórios de médio e alto padrão, sempre prezando pela qualidade de acabamento, responsabilidade socioambiental e respeito pelos clientes e demais públicos. Para a construtora e incorporadora, seus colaboradores são seu principal pilar, essenciais para que alcance seus objetivos de negócio. Esse compromisso com as pessoas já rendeu onze reconhecimentos pela constante valorização da equipe, incluindo duas conquistas do selo Great Place To Work, duas do prêmio Lugares Incríveis para Trabalhar (FIA e UOL) e sete do ranking Melhores Empresas para Você Trabalhar (Você S.A.). Além disso, a companhia é vencedora do Prêmio Valor Carreira, por duas vezes, como uma das Melhores Empresas na Gestão de Pessoas; e garantiu o 1º lugar do prêmio “Engenharia e Construção 2022”. A empresa também é reconhecida por suas estratégias voltadas ao cliente, conquistando em 2025 o Troféu de Ouro no Prêmio CX do ClienteSA, avaliada com base em padrões internacionais do International Customer Experience Institute (ICXI). Comprometida com a inovação, a MPD investe continuamente em tecnologia e boas práticas construtivas sendo uma das mantenedoras do Hub Construliving, iniciativa do CUBO Itaú que promove a conexão e o desenvolvimento do ecossistema da construção civil, e pelo segundo ano consecutivo, foi reconhecida com o selo dourado nas categorias Engajamento e Negócios respectivamente.
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