Política
OEA elogia eleição no Brasil, mas aponta preocupação com desinformação
Política
A Organização dos Estados Americanos (OEA) descreveu a eleição brasileira como uma jornada cívica e pacífica e elogiou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e os Tribunais Regionais Eleitorais por demonstrarem “importante capacidade técnica, logística e organizacional.
A OEA esteve no Brasil nos últimos dias com 91 observadores independentes para observar o processo eleitoral brasileiro. As observações fazem parte do relatório preliminar divulgado hoje pela Organização.
O documento também destaca a ampla participação de pesquisadores, acadêmicos e especialistas nos testes das urnas, o aumento do registro de dados biométricos para 89% desde as eleições de 2024. E a ampliação dos serviços eletrônicos disponíveis por meio da plataforma “Autoatendimento” e do aplicativo móvel e-Título.
Apesar de atestar a lisura do pleito, a organização também relatou “clima de tensão e forte polarização política, com uma manifesta judicialização, confrontos pessoais e narrativas de desinformação destinadas a gerar desconfiança quanto à integridade do sistema eletrônico de votação”.
Pontos de Atenção
Em relação aos pontos de atenção, a OEA destacou a ausência de um debate eleitoral entre os candidatos aos cargos de presidente e vice-presidente da República. Mas reconheceu a realização de inúmeros debates entre candidatos a governadores.
O relatório também citou a “ausência de critérios jurídicos harmonizados na Justiça Eleitoral sobre o uso da imagem real ou gerada por inteligência artificial de pessoas proibidas de participar da política, tanto na propaganda digital quanto na física”.
Política
Com 91 anos, Erundina é a deputada estadual mais velha eleita em 2026
Luiza Erundina (Psol) tornou-se a deputada estadual mais velha a ser eleita em todo o país no pleito de 2026. Aos 91 anos, ela ocupará uma das 94 cadeiras da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) .
A ex-prefeita de São Paulo ficou na 13ª posição, com 169.567 votos, para iniciar mandato em 2027. No estado, superou o deputado Eduardo Suplicy (PT) , de 85 anos, até então o mais velho da Alesp.
Nascida no dia 30 de novembro de 1934, em Uiraúna, na Paraíba, Erundina é formada em Serviço Social pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB). É ainda mestre em ciências sociológicas pela Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESP-SP).
Em 1989, até então filiada ao Partido dos Trabalhadores (PT), foi a primeira mulher representante da esquerda a assumir o cargo de prefeita na cidade de São Paulo. Cumpriu mandato até 1992.
Desde então, percorreu trajetória política no Congresso Nacional, tornando-se deputada federal por sete mandatos, quando:
- integrou frentes parlamentares na Câmara dos Deputados que contribuíram para a aprovação de importantes fundos, como o Fundo Nacional de Habitação Popular.
- participou da elaboração de propostas voltadas à garantia dos direitos das mulheres, incluindo projeto de combate à discriminação contra gestantes em processos seletivos para bolsas acadêmicas.
- aprovou a Lei das Brinquedotecas (Lei nº 11.104/2005), considerada uma de suas principais conquistas legislativas por seu impacto social.
- tornou obrigatória a instalação de brinquedotecas em unidades de saúde com atendimento pediátrico em regime de internação hospitalar.
- garantiu às gestantes atendidas pelo SUS o direito ao conhecimento prévio e à vinculação à maternidade onde receberão assistência ao parto, por meio da Lei nº 11.634/2007.
- instituiu o Dia Nacional do Forró (Lei nº 11.176/2005), comemorado em 13 de dezembro, em homenagem ao nascimento de Luiz Gonzaga e à valorização da cultura nordestina.
- declarou o arquiteto Oscar Niemeyer patrono da Arquitetura Brasileira, por meio da Lei nº 11.117/2005.
Experiência
Para a cientista política e coordenadora executiva da Organização Não Governamental Cidadania, Estudo, Pesquisa (CEPIA), Jacqueline Pitanguy, a eleição de Erundina deve ser comemorada e respeitada. Ela concedeu entrevista à jornalista Mara Régia, da Rádio Nacional .
“Primeiro porque ajuda a quebrar a ideia do etarismo, de que as pessoas envelhecem e desaparecem. O envelhecimento pode marcar uma presença com maior sabedoria, experiência e tolerância.”
Jacqueline ressalta ainda que Erundina traz consigo bagagem de seu trabalho na área pública.
“[Reforça] sobretudo esta ideia de que no Brasil existe trânsito, mobilidade social: ela que saiu do interior do nordeste e chegou a prefeita da maior cidade do Brasil e agora vai contribuir muito com a Assembleia Legislativa de São Paulo.”
Pautas
Como deputada estadual, Erundina defende os seguintes temas:
- transporte e tarifa zero: mobilidade como direito, passe livre e transporte público de qualidade para quem depende dele todos os dias;
- direito das mulheres, crianças e adolescentes: enfrentamento à violência e políticas de proteção para quem mais precisa de amparo do Estado;
- democratização da comunicação: informação como bem público, contra o monopólio e a favor de uma comunicação plural e livre;
- participação popular e controle social: O povo decidindo os rumos da cidade e do estado, com transparência e participação de verdade;
- memória, verdade, justiça e direitos humanos: em defesa da democracia e contra todo retrocesso;
- justiça social e políticas públicas universais: saúde, educação e assistência para todas e todos, sem deixar ninguém para trás.
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