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Adolescente ataca a mãe com peixeira após fim de relacionamento e culpa vício em maconha

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Polícia

Um adolescente de 17 anos foi preso em flagrante na madrugada deste domingo (31) após desferir um golpe de faca contra a própria mãe, de 33 anos, no município de Rondonópolis (219 km de Cuiabá). O crime, registrado como tentativa de feminicídio, ocorreu por volta das 02h40, no momento em que a família celebrava o aniversário do padrasto do jovem. 

A polícia foi acionada e constatou que a vítima havia sido atingida na região do tórax e necessitava de atendimento médico urgente. Uma ambulância do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) socorreu a mulher e a encaminhou para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) local.

De acordo com o relato da vítima às autoridades, o menor chegou à residência extremamente nervoso e descontrolado devido ao fim de seu relacionamento amoroso, uma vez que sua namorada havia terminado o namoro recentemente. Diante do estado de agitação do rapaz, os convidados que participavam da festa de aniversário tentaram contê-lo para evitar uma confusão maior. 

No entanto, o adolescente conseguiu se desvencilhar, pegou uma faca do tipo peixeira com cabo branco e partiu em direção à mãe, desferindo um golpe certeiro na parte lateral do tórax dela.

Durante a tentativa de imobilização no perímetro do atentado, uma das testemunhas acabou sofrendo lesões físicas em ambos os braços enquanto lutava para segurar o agressor e retirar a arma branca de suas mãos. 

Após o ataque, a mãe revelou aos policiais militares que esta não foi a primeira vez que o filho apresentou esse tipo de comportamento violento e episódios graves de descontrole emocional. Ao ser questionado formalmente pelos policiais sobre o seu estado e a motivação, o menor confessou que é usuário de maconha.

Diante das evidências e dos depoimentos colhidos na cena do crime, o suspeito recebeu voz de prisão e foi conduzido pelos policiais até o Centro Integrado de Segurança e Cidadania (Cisc) de Rondonópolis para a tomada das providências jurídicas e medidas socioeducativas cabíveis. 

O menor de idade foi entregue à Polícia Civil sem apresentar nenhuma lesão corporal. O boletim de ocorrência foi oficializado e o caso seguirá sob investigação da delegacia especializada para apurar a conduta do infrator.



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Quase metade dos feminicidas em Mato Grosso tinha passagem pela polícia

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Quase metade dos homens que cometeram feminicídio em Mato Grosso entre 2019 e 2026 já tinha histórico de passagens pela polícia antes de matar a companheira ou ex-companheira. O dado consta do novo painel sobre autores de violência de gênero lançado pelo Observatório Caliandra, do Ministério Público do Estado de Mato Grosso.

Segundo o levantamento, que reúne dados sobre 382 autores e coautores de feminicídio no estado, 48% dos agressores identificados no período já possuíam registros policiais anteriores. Em 67% dos casos, os boletins de ocorrência envolviam relatos de violência doméstica e familiar, como ameaça, lesão corporal, injúria, violência psicológica, descumprimento de medidas protetivas e perseguição.

Para a promotora de Justiça Claire Vogel Dutra, a presença de registros anteriores é um sinalizador claro de que o comportamento agressivo costuma anteceder a escalada fatal da violência.

A violência anterior contra mulheres é um elemento recorrente na trajetória de parte dos autores, afirma a promotora. O dado mostra, segundo ela, que o enfrentamento ao feminicídio não pode se concentrar apenas na proteção da vítima. A existência de registros anteriores, sobretudo relacionados à violência doméstica e familiar, revela a necessidade de aprimoramento dos mecanismos de prevenção e de atuação integrada da rede de proteção e do sistema de Justiça.

De acordo com o Ministério Público, dos 183 autores que possuíam ficha na polícia antes do crime, 143 contavam com até três registros criminais prévios. Além dos crimes no âmbito doméstico, o levantamento identificou antecedência de registros por homicídios, crimes sexuais e infrações contra o patrimônio.

O estudo aponta ainda que a maior parte dos crimes foi cometida por pessoas próximas das vítimas. Do total de autores catalogados, 289 mantinham vínculo conjugal ou afetivo com as mulheres, sendo companheiros, namorados ou ex-parceiros. Outros 16 eram conhecidos com os quais as vítimas mantinham contatos casuais de natureza sexual.

A faixa etária com maior concentração de agressores é a de 30 a 34 anos, respondendo por 14,69% dos casos registrados no painel.

O levantamento do Observatório Caliandra aponta um índice de elucidação de 98% para as autorias dos 377 casos de feminicídio contabilizados na série histórica desde 2019. Ao todo, 364 autores diretos e 18 coautores foram identificados e denunciados à Justiça. Sete casos seguem com autoria desconhecida.



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