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Homem é esfaqueado e abandonado em hospital por dupla anônima

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Polícia

Um jovem de 24 anos sofreu uma tentativa de homicídio doloso na madrugada deste domingo (31) após ser atacado com diversos golpes de arma branca no município de Castanheira (776 km de Cuiabá). O crime foi registrado por volta das 03h57, momento em que a Polícia Militar foi acionada pela enfermeira do Pronto Atendimento Municipal, informando que o paciente havia dado entrada na unidade de saúde com cortes profundos pelo corpo.

Devido ao seu estado de saúde crítico, a vítima não conseguiu fornecer detalhes sobre quem cometeu o atentado ou qual seria a motivação. Até o fechamento do boletim de ocorrência, a autoria e as circunstâncias do crime seguiam desconhecidas pela polícia, e o homem permanecia sob cuidados médicos.

Ao ser questionado formalmente sobre quem teria desferido os golpes, o jovem limitou-se a responder apenas a frase “nada a ver”, mostrando-se impossibilitado de relatar os fatos com clareza em razão de sua condição clínica debilitada. Durante a inspeção física e o atendimento inicial, os médicos constataram que o paciente apresentava uma série de ferimentos graves provocados por faca, localizados estrategicamente nas regiões do abdômen, do tórax e nos dois braços.

Conforme o relato dos profissionais de saúde repassado aos policiais militares, a vítima foi transportada e deixada no Pronto Atendimento por dois indivíduos desconhecidos, que chegaram ao local conduzindo um veículo Volkswagen Gol de cor preta. A dupla recusou-se terminantemente a apresentar documentos de identificação ou fornecer dados pessoais na recepção da unidade.

Antes de fugirem, os homens alegaram apenas que encontraram o jovem esfaqueado e ensanguentado à beira da rodovia, em um trecho situado entre o Parque de Exposições e um posto de gasolina.

Os policiais foram procurar mais pistas pelas ruas da cidade e interrogaram o morador se a confusão teria acontecido em uma festa realizada no Parque de Exposições, o que foi negado pelo rapaz. A equipe também foi até o evento e conversou com as pessoas que ainda estavam no perímetro do parque, mas todas afirmaram categoricamente que não testemunharam nenhum tipo de briga ou desentendimento no interior do recinto.

Sem elementos adicionais ou testemunhas oculares do ataque na rodovia, a ocorrência foi registrada e encaminhada à Polícia Civil para abertura de inquérito investigativo.



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Quase metade dos feminicidas em Mato Grosso tinha passagem pela polícia

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Quase metade dos homens que cometeram feminicídio em Mato Grosso entre 2019 e 2026 já tinha histórico de passagens pela polícia antes de matar a companheira ou ex-companheira. O dado consta do novo painel sobre autores de violência de gênero lançado pelo Observatório Caliandra, do Ministério Público do Estado de Mato Grosso.

Segundo o levantamento, que reúne dados sobre 382 autores e coautores de feminicídio no estado, 48% dos agressores identificados no período já possuíam registros policiais anteriores. Em 67% dos casos, os boletins de ocorrência envolviam relatos de violência doméstica e familiar, como ameaça, lesão corporal, injúria, violência psicológica, descumprimento de medidas protetivas e perseguição.

Para a promotora de Justiça Claire Vogel Dutra, a presença de registros anteriores é um sinalizador claro de que o comportamento agressivo costuma anteceder a escalada fatal da violência.

A violência anterior contra mulheres é um elemento recorrente na trajetória de parte dos autores, afirma a promotora. O dado mostra, segundo ela, que o enfrentamento ao feminicídio não pode se concentrar apenas na proteção da vítima. A existência de registros anteriores, sobretudo relacionados à violência doméstica e familiar, revela a necessidade de aprimoramento dos mecanismos de prevenção e de atuação integrada da rede de proteção e do sistema de Justiça.

De acordo com o Ministério Público, dos 183 autores que possuíam ficha na polícia antes do crime, 143 contavam com até três registros criminais prévios. Além dos crimes no âmbito doméstico, o levantamento identificou antecedência de registros por homicídios, crimes sexuais e infrações contra o patrimônio.

O estudo aponta ainda que a maior parte dos crimes foi cometida por pessoas próximas das vítimas. Do total de autores catalogados, 289 mantinham vínculo conjugal ou afetivo com as mulheres, sendo companheiros, namorados ou ex-parceiros. Outros 16 eram conhecidos com os quais as vítimas mantinham contatos casuais de natureza sexual.

A faixa etária com maior concentração de agressores é a de 30 a 34 anos, respondendo por 14,69% dos casos registrados no painel.

O levantamento do Observatório Caliandra aponta um índice de elucidação de 98% para as autorias dos 377 casos de feminicídio contabilizados na série histórica desde 2019. Ao todo, 364 autores diretos e 18 coautores foram identificados e denunciados à Justiça. Sete casos seguem com autoria desconhecida.



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