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Polícia

Polícia Civil prende homem que agrediu esposa e tentou matar amiga dela em Porto Esperidião

Publicado em

Polícia

Um homem envolvido em crime de violência doméstica contra a sua esposa e tentativa de homicídio de uma amiga dela foi preso em flagrante pela Polícia Civil, nesta quinta-feira (11.6), em ação realizada pelos policiais da Delegacia de Porto Esperidião.

O crime ocorreu, na noite de quarta-feira (10), no Assentamento Santa Cecília, na comunidade Vila Cardoso, a cerca de 100 quilômetros de Porto Esperidião.

O suspeito, de 42 anos, foi localizado escondido no interior de uma residência em uma propriedade rural, também no Assentamento Santa Cecília, após diligências ininterruptas conduzidas pela equipe da Polícia Civil e foi autuado em flagrante pelos crimes de tentativa de homicídio qualificado por motivo fútil e lesão corporal dolosa por violência doméstica.

Entenda o caso

Na tarde do dia 10, o suspeito e sua companheira, de 55 anos, se reuniu na residência de um casal de amigos, dentre eles uma mulher, de 60 anos (vítima da tentativa de homicídio), e seu marido, de 46 anos, onde passaram a consumir bebida alcoólica.

Foto: Reprodução/Polícia Civil - MT
Foto: Reprodução/Polícia Civil – MT

Por volta das 21 horas, já com o comportamento alterado pelo álcool, o suspeito passou a agredir a companheira, enforcando-a e arremessando-a contra a parede. Ao perceber as agressões, a dona da casa interveio na tentativa de salvar a amiga, ocasião em que o suspeito sacou uma faca de serra e a atacou violentamente, desferindo múltiplas facadas na região do pescoço e no rosto da vítima.

Ao ouvir gritos, o marido da vítima saiu para socorrê-la, evitando que as agressões a levassem à morte. Ela foi socorrida pela equipe médica da comunidade Vila Cardoso e transportada de ambulância até o Centro de Saúde de Porto Esperidião, onde chegou consciente porém em estado grave. Após os primeiros socorros e estabilização, a paciente foi transferida para o Hospital Regional de Cáceres, onde aguarda cirurgia.

Já a esposa do suspeito, por sua vez, sofreu lesões nas costas decorrentes da agressão sofrida e manifestou temor de que o marido atentasse novamente contra sua vida, tendo requerido medida protetiva de urgência.

Foto: Reprodução/Polícia Civil - MT
Foto: Reprodução/Polícia Civil – MT

Investigação e a prisão

Assim que tomou conhecimento dos fatos, a equipe da Polícia Civil iniciou as diligências e se deslocaram ao distrito de Vila Cardoso, onde inicialmente não conseguiram localizar o suspeito.

Prosseguindo em buscas na região, a equipe obteve informações que apontavam para uma propriedade rural, no Assentamento Santa Cecília, onde o suspeito foi localizado e preso em flagrante.

Questionado sobre o paradeiro da arma utilizada no crime, ele revelou que havia deixado a faca no sítio do casal de amigos. Os policiais foram até o local e localizaram a faca de serra com cabo branco e aproximadamente 15 centímetros, utilizada no crime.

A arma foi apreendida e encaminhada para a perícia. O suspeito foi conduzido à Delegacia de Porto Esperidião, onde após ser interrogado pelo delegado Cleber Emanuel Neves, foi autuado em flagrante pelos crimes de tentativa de homicídio qualificado e de lesão corporal dolosa por violência doméstica, sendo posteriormente colocado à disposição da Justiça.



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Quase metade dos feminicidas em Mato Grosso tinha passagem pela polícia

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Quase metade dos homens que cometeram feminicídio em Mato Grosso entre 2019 e 2026 já tinha histórico de passagens pela polícia antes de matar a companheira ou ex-companheira. O dado consta do novo painel sobre autores de violência de gênero lançado pelo Observatório Caliandra, do Ministério Público do Estado de Mato Grosso.

Segundo o levantamento, que reúne dados sobre 382 autores e coautores de feminicídio no estado, 48% dos agressores identificados no período já possuíam registros policiais anteriores. Em 67% dos casos, os boletins de ocorrência envolviam relatos de violência doméstica e familiar, como ameaça, lesão corporal, injúria, violência psicológica, descumprimento de medidas protetivas e perseguição.

Para a promotora de Justiça Claire Vogel Dutra, a presença de registros anteriores é um sinalizador claro de que o comportamento agressivo costuma anteceder a escalada fatal da violência.

A violência anterior contra mulheres é um elemento recorrente na trajetória de parte dos autores, afirma a promotora. O dado mostra, segundo ela, que o enfrentamento ao feminicídio não pode se concentrar apenas na proteção da vítima. A existência de registros anteriores, sobretudo relacionados à violência doméstica e familiar, revela a necessidade de aprimoramento dos mecanismos de prevenção e de atuação integrada da rede de proteção e do sistema de Justiça.

De acordo com o Ministério Público, dos 183 autores que possuíam ficha na polícia antes do crime, 143 contavam com até três registros criminais prévios. Além dos crimes no âmbito doméstico, o levantamento identificou antecedência de registros por homicídios, crimes sexuais e infrações contra o patrimônio.

O estudo aponta ainda que a maior parte dos crimes foi cometida por pessoas próximas das vítimas. Do total de autores catalogados, 289 mantinham vínculo conjugal ou afetivo com as mulheres, sendo companheiros, namorados ou ex-parceiros. Outros 16 eram conhecidos com os quais as vítimas mantinham contatos casuais de natureza sexual.

A faixa etária com maior concentração de agressores é a de 30 a 34 anos, respondendo por 14,69% dos casos registrados no painel.

O levantamento do Observatório Caliandra aponta um índice de elucidação de 98% para as autorias dos 377 casos de feminicídio contabilizados na série histórica desde 2019. Ao todo, 364 autores diretos e 18 coautores foram identificados e denunciados à Justiça. Sete casos seguem com autoria desconhecida.



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