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Economia

Alimentos e fármacos mostram oportunidades de negócios

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Economia

A perspectiva de investimentos das indústrias alimentícia e farmacêutica, as oportunidades para fornecedores de máquinas e equipamentos e o avanço da transformação digital estarão entre os temas do 3º Seminário Oportunidades nos Setores Alimentício e Farmacêutico, promovido pela Câmara Setorial de Máquinas para a Indústria Alimentícia, Farmacêutica e Refrigeração Industrial (CSMIAFRI) da ABIMAQ. O evento será realizado em 18 de novembro (quarta-feira), na sede da entidade, em São Paulo (SP), e reunirá representantes de empresas e especialistas dos dois segmentos.

A aplicação de inteligência artificial à manufatura será destaque com a apresentação da jornada de transformação digital da Cargill Foods, em uma palestra a ser ministrada por Leonardo Andrade, líder de South America Smart Manufacturing do grupo, na qual apresentará as iniciativas voltadas à inovação, à eficiência operacional, ao crescimento e às pessoas. O Pastifício Selmi, conhecido por suas marcas Renata e Galo, também participará do painel alimentício com uma apresentação de seu diretor industrial, Sr. Adilson Spolidoro, com o tema “Compro Resultados”.

No painel farmacêutico, Rafael Valle, coordenador de compras da EMS, apresentará as perspectivas de investimentos em bens de capital (CAPEX) para 2027 e as oportunidades de fornecimento para suas unidades de Manaus e Jaguariúna. Já Franssueli Soletti, diretora de Supply Chain da fábrica da Boehringer Ingelheim em Paulínia, abordará a atuação da unidade nos mercados de saúde animal e humana.

A programação incluirá também uma análise das tendências, dos desafios e das perspectivas de acesso ao mercado farmacêutico brasileiro, apresentada por Marcela Amaral Pontes, diretora de Mercado, Acesso e Preços do Sindusfarma.

A abertura institucional será conduzida por José Velloso, presidente-executivo da ABIMAQ, e Armando Aquino, presidente da CSMIAFRI. Ao reunir empresas dos setores alimentício e farmacêutico, o seminário busca ampliar a aproximação entre os fabricantes de máquinas e equipamentos e as indústrias consumidoras, favorecendo o conhecimento das demandas tecnológicas e a identificação de oportunidades comerciais.

Serviço

3º Seminário Oportunidades nos Setores Alimentício e Farmacêutico

Data: 18 de novembro (quarta-feira)

Horário: das 13h30 às 17h20

Local: sede da ABIMAQ, em São Paulo (SP)

Endereço: ABIMAQ – Av. Jabaquara, 2925 – Bairro Mirandópolis

Informações e inscrições: https://conteudo.abimaq.org.br/csmiafri-2026



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Estudo aponta caminhos para ampliar biometano no transporte

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Com a definição dos governos que assumem em janeiro, o Instituto MBCBrasil propõe tratar o biometano como pauta de Estado, uma agenda de longo prazo, capaz de atravessar mandatos e aproveitar um potencial que o Brasil já reúne, graças à sua produção agroindustrial e à disponibilidade de resíduos que podem ser transformados em energia. O ponto de partida é o estudo internacional From Waste to Wheels – Turning Organic Waste into Renewable Fuel for Transport, conduzido por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP), Universidade Federal de Itajubá, Instituto Agronômico de Campinas e Instituto Mauá de Tecnologia.

O combustível não é mais uma aposta distante: já é produzido em cerca de 40 países e usado no transporte em quase 30 mercados. No Brasil, o levantamento registra mais de 755 plantas de biogás. Já as plantas de biometano, o biogás purificado que pode substituir o gás natural e o diesel, somam cerca de 21 em operação e outras 47 em desenvolvimento ou autorizadas, segundo dados da ABiogás e da ANP. Projetos de usinas como Cocal, Raízen, São Martinho e Adecoagro mostram que a conversão de resíduos em combustível já opera em escala comercial. Mesmo assim, o setor sucroenergético aproveita menos de 2% do seu potencial de biogás, que soma cerca de 41 bilhões de m³ por ano.

A distância entre o potencial e a produção não se explica pela falta de tecnologia. “Para avançar, precisamos investir em infraestrutura e distribuição, ampliar o acesso ao financiamento e à capacitação técnica, garantir previsibilidade regulatória e estimular o desenvolvimento do mercado. São frentes em que as políticas públicas têm um papel fundamental”, afirma José Eduardo Luzzi, presidente do Conselho de Administração do Instituto MBCBrasil. São justamente frentes em que a ação pública faz diferença.

No plano federal, a agenda passa pelo crédito para plantas de biodigestão e por regras estáveis, como a Lei do Combustível do Futuro, que criou o Certificado de Garantia de Origem do Biometano e uma meta de descarbonização do gás natural fixada em 0,5% para 2026, que pode chegar a 10%. O estudo defende que créditos baseados na intensidade de carbono sejam combinados à remuneração pelo metano evitado e cita o RenovaBio como referência. O mesmo vale para o biofertilizante, o digestato das plantas pode substituir parte dos fertilizantes sintéticos, e na Europa reduziu a demanda por adubo mineral entre 20% e 40% em vários sistemas agrícolas. Em mercados maduros, receitas paralelas como digestato e créditos de carbono respondem por 20% a 60% do faturamento das plantas.

Nos estados, a agenda passa pelo gás canalizado, cuja distribuição é competência estadual pela Constituição (art. 25, § 2º). O gargalo é logístico: apenas 10% do potencial de biometano da América do Sul está a menos de 20 km de gasodutos. Como a matéria-prima está no interior, perto de usinas, granjas e aterros, a expansão depende de redes locais e de postos fora dos grandes centros. O estudo defende corredores de abastecimento que combinem gás comprimido em rotas regionais, gás liquefeito em longas distâncias e o transporte do combustível em caminhões onde não há duto. Nesse desenho, a coordenação entre distribuidoras, produtores e frotas é decisiva.

O retorno ambiental justifica o esforço. Em veículos pesados, o biometano pode reduzir as emissões de gases de efeito estufa em cerca de 70% a 90% em comparação ao diesel, dependendo da origem da biomassa e da avaliação de ciclo de vida. Alguns estudos brasileiros apontam reduções entre 45% e 75%, podendo chegar a um balanço de carbono negativo em determinadas condições. O combustível também diminui óxidos de nitrogênio e material particulado.

Para o Instituto MBCBrasil, o estudo serve a quem decide, independentemente de quem governa. “O estudo não é plano de negócios para uma fábrica específica, mas uma plataforma técnica para orientar decisões, integrar o know-how brasileiro às discussões globais e acelerar a descarbonização da mobilidade pesada”, pontua Luzzi.



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