Polícia
Polícia Civil apreende três veículos, joias e cerca de R$ 53 mil em dinheiro durante operação
Polícia
A Polícia Civil apreendeu três veículos, joias e cerca de R$ 53 mil em dinheiro durante o cumprimento de quatro mandados de busca e apreensão, na Operação Backchannel, em Cuiabá, realizada nesta terça-feira (7.7). As ordens judiciais foram expedidas pelo Núcleo de Justiça 4.0 do Juízo das Garantias da Capital.
A operação faz parte de uma investigação conduzida pela Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO) e pela Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado (Draco), que apura o vazamento de informações sobre diligências policiais realizadas em um condomínio residencial da Capital.
No decorrer da investigação, a Polícia Civil constatou que, além do alvo inicial ligado à facção criminosa, havia o envolvimento de um morador do mesmo condomínio, bem como do vigilante e do ronda do residencial. Diante dos indícios levantados, foram cumpridos mandados de busca e apreensão nas residências de cada um deles, localizadas em diferentes bairros de Cuiabá.
Durante o adentramento tático no imóvel do alvo principal, nesta terça-feira (7.7), os policiais visualizaram o investigado arremessando um aparelho celular para os fundos da residência, em aparente tentativa de ocultar o equipamento e dificultar a ação policial. Em seguida, a equipe diligenciou nos imóveis vizinhos e, com a colaboração dos moradores, localizou o aparelho celular.
Ao final das diligências, além do telefone, foram apreendidos três veículos, joias e cerca de R$ 53 mil em dinheiro. E o alvo conduzido, em flagrante, conduzido até a delegacia para realização dos procedimentos legais cabíveis e, posteriormente, colocado à disposição da Justiça.
As equipes da GCCO e da Draco seguem com as investigações para combater as ações da facção criminosa, bem como concluir a identificação e a individualização da conduta de quem acessou, registrou, transmitiu ou utilizou as informações sigilosas.
Operação Backchannel
O nome Backchannel, que significa “canal paralelo”, faz referência à rede informal, oculta e clandestina de comunicação que teria sido utilizada para alertar investigados sobre diligências policiais.
Polícia
Quase metade dos feminicidas em Mato Grosso tinha passagem pela polícia
Quase metade dos homens que cometeram feminicídio em Mato Grosso entre 2019 e 2026 já tinha histórico de passagens pela polícia antes de matar a companheira ou ex-companheira. O dado consta do novo painel sobre autores de violência de gênero lançado pelo Observatório Caliandra, do Ministério Público do Estado de Mato Grosso.
Segundo o levantamento, que reúne dados sobre 382 autores e coautores de feminicídio no estado, 48% dos agressores identificados no período já possuíam registros policiais anteriores. Em 67% dos casos, os boletins de ocorrência envolviam relatos de violência doméstica e familiar, como ameaça, lesão corporal, injúria, violência psicológica, descumprimento de medidas protetivas e perseguição.
Para a promotora de Justiça Claire Vogel Dutra, a presença de registros anteriores é um sinalizador claro de que o comportamento agressivo costuma anteceder a escalada fatal da violência.
A violência anterior contra mulheres é um elemento recorrente na trajetória de parte dos autores, afirma a promotora. O dado mostra, segundo ela, que o enfrentamento ao feminicídio não pode se concentrar apenas na proteção da vítima. A existência de registros anteriores, sobretudo relacionados à violência doméstica e familiar, revela a necessidade de aprimoramento dos mecanismos de prevenção e de atuação integrada da rede de proteção e do sistema de Justiça.
De acordo com o Ministério Público, dos 183 autores que possuíam ficha na polícia antes do crime, 143 contavam com até três registros criminais prévios. Além dos crimes no âmbito doméstico, o levantamento identificou antecedência de registros por homicídios, crimes sexuais e infrações contra o patrimônio.
O estudo aponta ainda que a maior parte dos crimes foi cometida por pessoas próximas das vítimas. Do total de autores catalogados, 289 mantinham vínculo conjugal ou afetivo com as mulheres, sendo companheiros, namorados ou ex-parceiros. Outros 16 eram conhecidos com os quais as vítimas mantinham contatos casuais de natureza sexual.
A faixa etária com maior concentração de agressores é a de 30 a 34 anos, respondendo por 14,69% dos casos registrados no painel.
O levantamento do Observatório Caliandra aponta um índice de elucidação de 98% para as autorias dos 377 casos de feminicídio contabilizados na série histórica desde 2019. Ao todo, 364 autores diretos e 18 coautores foram identificados e denunciados à Justiça. Sete casos seguem com autoria desconhecida.
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