Polícia
Polícia Civil participa de evento nacional de combate ao narcotráfico em encontro técnico em Brasília
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A Polícia Civil de Mato Grosso participa nesta semana do primeiro Encontro Técnico da Rede Nacional de Unidades Especializadas de Enfrentamento ao Narcotráfico (Renarc) e da Rede Nacional de Operações Ostensivas Especializadas (Renoe), em Brasília (DF). O evento é realizado pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), por meio da Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), reunindo unidades especializadas das polícias civis e militares dos 26 estados e do Distrito Federal.
Mato Grosso conta como representantes o delegado de policia, Wilson Cibulski Junior, titular da Delegacia Especializada de Repressão a Narcóticos (Denarc) e o investigador, Eduardo Bittencourt, chefe de operações da unidade.
Criadas em 2024 e coordenadas pela Senasp, a Renarc e a Renoe têm como objetivos o intercâmbio de experiências, a difusão de boas práticas e a construção de protocolos para atuação conjunta. Por meio delas, o MJSP busca aprimorar a repressão qualificada, desarticular estruturas criminosas complexas e aumentar os resultados operacionais em todo o País. O encontro, promovido pela Diretoria de Operações Integradas e de Inteligência (Diopi), busca o alinhamento de estratégias, a padronização de procedimentos e o fortalecimento da interoperabilidade entre as unidades especializadas.
Durante a abertura, o diretor da Diopi, José Anchieta Nery, destacou a importância do engajamento de diferentes operadores de segurança pública na construção de estratégias integradas de combate ao crime. “Devemos ter uma atenção especial ao papel da União como articuladora institucional. Mas também é importante compreender que vivemos em uma Federação enorme. Por isso, é necessário que todos participem desse debate, com alinhamento e profissionalismo”, afirmou. “A integração acontece ao deixar de lado as vaidades institucionais, para visar à finalidade do bem comum”, acrescentou.
Paradigmas e transversalidade
Na esteira das mudanças de paradigmas consideradas necessárias, Anchieta ressaltou a importância da participação de mulheres em posições de liderança na segurança pública. “É importante criar, nas nossas unidades de trabalho, um ambiente cada vez mais favorável à chegada de mulheres em posições de liderança. Quando se trata de combate ao crime organizado e ao narcotráfico, também precisamos receber mais mulheres, especialmente em cargos de liderança”, disse.
O coordenador-geral de Combate ao Crime Organizado da Diopi, Getúlio Monteiro, enfatizou a necessidade de atuação conjunta entre as redes, com respeito às suas atribuições. “A Renarc, com a Polícia Civil, e a Renoe, com a Militar, se fortalecem dentro das suas especificidades, com o diferencial de serem efetivamente ouvidas. Não fazemos nada sozinhos. Por isso, a busca por essa transversalidade, que é traduzida por meio do contato direto entre as redes. Assim, potencializamos, cada vez mais, o nosso fluxo de informações e o trabalho em conjunto”, concluiu.
Atuação
A Renarc tem como objetivo integrar as polícias civis de todos os estados brasileiros no combate ao narcotráfico e às organizações criminosas. Desde a sua criação, a rede contabiliza mais de 5 mil prisões e centenas de toneladas de drogas apreendidas — com prejuízo estimado em mais de R$ 2 bilhões ao crime organizado.
A Renoe busca fortalecer o enfrentamento ao crime organizado por meio da integração das unidades especializadas das polícias militares de todo o País. Nos últimos dois anos, a rede apresentou resultados que indicam prejuízo superior a R$ 1,6 bilhão ao crime organizado, além da apreensão de 721 armas de fogo e toneladas de drogas.
Também participaram da abertura do primeiro Encontro Técnico a desembargadora do Tribunal de Justiça de São Paulo Ivana David; o procurador-geral de Justiça do Ministério Público do Mato Grosso do Sul e presidente do Grupo Nacional de Combate às Organizações Criminosas, Romão Avila Milhan Júnior; o presidente do Conselho Nacional de Comandantes-Gerais das Polícias Militares, coronel Renato dos Anjos Garnes; o coordenador-geral de Combate ao Contrabando e Descaminho da Receita Federal, Raphael Eugênio de Souza; e o chefe do Departamento Estadual de Combate ao Narcotráfico da Polícia Civil de Minas Gerais, Rodrigo Macedo de Bustamante.
Polícia
Quase metade dos feminicidas em Mato Grosso tinha passagem pela polícia
Quase metade dos homens que cometeram feminicídio em Mato Grosso entre 2019 e 2026 já tinha histórico de passagens pela polícia antes de matar a companheira ou ex-companheira. O dado consta do novo painel sobre autores de violência de gênero lançado pelo Observatório Caliandra, do Ministério Público do Estado de Mato Grosso.
Segundo o levantamento, que reúne dados sobre 382 autores e coautores de feminicídio no estado, 48% dos agressores identificados no período já possuíam registros policiais anteriores. Em 67% dos casos, os boletins de ocorrência envolviam relatos de violência doméstica e familiar, como ameaça, lesão corporal, injúria, violência psicológica, descumprimento de medidas protetivas e perseguição.
Para a promotora de Justiça Claire Vogel Dutra, a presença de registros anteriores é um sinalizador claro de que o comportamento agressivo costuma anteceder a escalada fatal da violência.
A violência anterior contra mulheres é um elemento recorrente na trajetória de parte dos autores, afirma a promotora. O dado mostra, segundo ela, que o enfrentamento ao feminicídio não pode se concentrar apenas na proteção da vítima. A existência de registros anteriores, sobretudo relacionados à violência doméstica e familiar, revela a necessidade de aprimoramento dos mecanismos de prevenção e de atuação integrada da rede de proteção e do sistema de Justiça.
De acordo com o Ministério Público, dos 183 autores que possuíam ficha na polícia antes do crime, 143 contavam com até três registros criminais prévios. Além dos crimes no âmbito doméstico, o levantamento identificou antecedência de registros por homicídios, crimes sexuais e infrações contra o patrimônio.
O estudo aponta ainda que a maior parte dos crimes foi cometida por pessoas próximas das vítimas. Do total de autores catalogados, 289 mantinham vínculo conjugal ou afetivo com as mulheres, sendo companheiros, namorados ou ex-parceiros. Outros 16 eram conhecidos com os quais as vítimas mantinham contatos casuais de natureza sexual.
A faixa etária com maior concentração de agressores é a de 30 a 34 anos, respondendo por 14,69% dos casos registrados no painel.
O levantamento do Observatório Caliandra aponta um índice de elucidação de 98% para as autorias dos 377 casos de feminicídio contabilizados na série histórica desde 2019. Ao todo, 364 autores diretos e 18 coautores foram identificados e denunciados à Justiça. Sete casos seguem com autoria desconhecida.
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