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Semana estadual vai debater a conscientização sobre a depressão

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Em Mato Grosso, a Semana Estadual de Conscientização sobre a Depressão passa a integrar o calendário oficial do Estado. A determinação está na Lei nº 11.052, de 10 de dezembro de 2019, sancionada pelo governador Mauro Mendes (DEM). As discussões serão realizadas na  segunda semana do mês de outubro, quando é comemorado o Dia Mundial de Saúde Mental.

A Lei, de autoria do ex-deputado José Domingos Fraga, determina que o Poder Executivo possa firmar convênios e parcerias com entidades sem fins lucrativos e instituições que tratem do tema relativo à depressão, com vistas a implementar atividades, palestras e afins que deem efetividade aos eventos instituídos pela norma atual.

Durante a semana devem ser difundidos os avanços obtidos pela ciência na busca do tratamento eficaz para a depressão, que é uma doença associada ao suicídio. Em 2019, a Secretaria de Estado de Saúde (SES), por meio da Coordenadoria de Vigilância Epidemiológica, divulgou o boletim epidemiológico sobre o suicídio em Mato Grosso, e os números apontam que – 2015 a 2018 – houve um crescimento de 44% de morte por suicídio nesses quatro anos.

Em 2015, por exemplo, o número de pessoas que cometeram suicídio foi de 150. Já em 2018, o número de pessoas que tiraram a própria vida foi de 216 casos. Vale destacar que a maior faixa etária de óbitos está compreendida entre os 15 a 29 anos de idade, tanto para homens, quanto para as mulheres.

Nesse mesmo período, os dados da SES mostram ainda que a maioria das tentativas de suicídios está associada às mulheres. Elas lideram com 61,4%.  Desse percentual, cerca de 65,5% das mulheres tentam tirar a própria vida por envenenamento. Já entre os homens a tentativa é de 38,6%.

Mas enquanto as mulheres lideram as tentativas de suicídios, os homens aparecem em primeiro lugar em suicídios. Nesse caso, eles aparecem com 78,3% de mortes por suicídios e, elas aparecem com 21,7% desse tipo de morte.

O boletim aponta que a concentração de suicídios nos municípios mato-grossenses, 2015/2018, acontece em quase todo o estado. Mas é a região da baixada cuiabana que concentra o maior percentual, chegando a 26,6%. A outra região que preocupa as autoridades é a Sudeste que concentra 19% dos casos de suicídios.

O escritor Alan Barros, autor do livro “Tenho depressão e agora?”, afirmou que existem três momentos para que a sociedade dialogue mais sobre o tema depressão. De acordo com ele, os meses escolhidos para discutir esse assunto são: o mês de setembro, que é mundialmente conhecido como “Setembro Amarelo” – de combate e prevenção ao suicídio. No dia 10 de outubro é discutida a saúde mental e, no mês de janeiro branco são discutidas as ações da saúde mental.

“No começo do ano, o ‘Janeiro Branco’ é dedicado para as pessoas falarem mais sobre saúde mental. Nesse caso são atribuídas várias especificações, principalmente as ligadas a depressão aguda, leve e bipolar. É uma forma de a sociedade discutir as diversas formas de depressão. Às vezes as pessoas acham que a depressão é só ficar no quarto escuro, de ter vontade de suicidar, e não é só isso”, explicou Barros.

Para o escritor, os governos federal, estadual e municipais precisam investir mais em políticas públicas voltadas à assistência das pessoas depressivas. “Em todo o Estado falta a criação e instalação de mais Centros de Atenção Psicossocial – Caps – voltados a atender as pessoas com problemas de distúrbios mentais.

Barros sugeriu ainda que o governo do Estado, por intermédio da SES, crie um núcleo de pesquisa e de estudo sobre saúde mental. “O que sabemos é que os dados que chegam até a mídia são subestimados, acredito que o número real é outro. Porque a maioria das pessoas que lida com esse assunto não está preparada. Os dados sobre suicídios são subestimados”, disse.

Segundo ele, na rede pública faltam investimentos na qualificação profissional de servidores que estão diretamente envolvidos com as pessoas depressivas. Barros disse que há ausência de psicólogos nas escolas que poderiam discutir esse assunto com a comunidade acadêmica.

Além disso, de acordo com Alan Barros, o Estado deveria investir mais na formatação de políticas voltadas à saúde mental e que o tema depressão seja mais discutido pela sociedade. Segundo ele, muitas pessoas acham que a depressão é “frescura ou falta de Deus”.

“Na verdade falta, compreensão e mais diálogo entre as pessoas. É uma forma de abrir a mente daqueles que não têm esse entendimento. Acredito que o diálogo evita de as pessoas cometerem suicídio. Isso ajuda muito, principalmente no seio da família. Esse diálogo tem que ser feito com acolhimento, que é capaz de salvar vidas”, afirmou Barros.

Na opinião dele o suicídio não é um ato de coragem e muito menos de fraqueza. “É um ato de extremo desespero. É uma doença mental muito grave e, por isso, as pessoas têm que ter um olhar mais humanizado – governo e sociedade – em relação a esse tema. A doença é muito séria e em um grau muito avançado”, explicou o Alan Barros.

Com a Lei, o Estado e a sociedade devem promover debates, palestras e outros eventos que esclareçam a população sobre os tipos de depressão catalogados, diagnósticos e as formas de tratamento, buscando desmistificar a doença, demonstrando sua abrangência e os números crescentes de doentes.

Outra obrigatoriedade apontada na Lei é de o Estado divulgar políticas públicas que auxiliem a população, especialmente de baixa renda, da necessidade de se ter acompanhamento especializado, e ainda difundir os avanços obtidos pela ciência na busca por tratamento eficaz para a depressão.

Apoio – Em 2018, de acordo com a voluntária do Centro de Valorização da Vida (CVV), Daiane Nascimento, o CVV atendeu três milhões de pessoas em todo o Brasil. Em 2017, a procura por ajuda foi de dois milhões. Os números de 2019 ainda não foram contabilizados. O apoio emocional, segundo Nascimento, aumenta 20% no final de ano.

“É um período de festas, e as pessoas que se sentem sozinhas e afastadas da família procuram o CVV para conversar. O assunto recorrente é a tristeza e a solidão”, disse Nascimento. As ligações são gratuitas e podem ser feitas pelo telefone 188. Outro canal de comunicação é pelo chat e por email. Mais informações podem ser obtidas pelo www.cvv.org.br.

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A vitória das mulheres nas urnas em 2020

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Márcia Pinheiro

 

Quando falamos nas conquistas dos direitos femininos não imaginamos que uma delas aconteceu recentemente sob o ponto de vista histórico. Há apenas 89 anos, nós mulheres não participávamos da vida política do país já que até então era proibido o direito de voto da mulher.

Apenas em 1934 conseguimos o direito de votar integralmente e esse cenário não era exclusividade do Brasil, pois países como a França, considerado berço revolucionário, teve o voto feminino garantido somente em 1944.

A atuação organizada de um movimento feminino na busca do direito de voto ganhou força no século XX, a partir de uma militância política feminina na Grã-Bretanha que inspirou mulheres ao redor do mundo internacionalizando a luta e favorecendo a conquista do direito de voto em vários países.

Hoje, 24 de fevereiro, comemoramos o Dia da Conquista do Voto Feminino no Brasil, data de um feito importante que tem dado rumos aos estados e municípios por todo o país. Tive a oportunidade de participar de um histórico processo eleitoral que, sem sombras de dúvidas, teve o voto feminino como fator decisivo no resultado final das urnas.

Após um primeiro turno equilibrado onde tinha-se uma candidatura feminina que, supostamente, representava as cuiabanas, porém o segundo turno trouxe um ‘banho de água’ fria no movimento feminino em virtude das contraditórias e incoerentes decisões tomadas.

Essa parte do eleitorado feminino então, órfão de representatividade, se agarrou numa candidatura com serviços consolidados à mulher e que tinha um histórico de profundo respeito e trabalho à causa.

Não tenho dúvidas que a união e a força do voto feminino foi protagonista nesta eleição, sobretudo no segundo turno, afinal foram pouco mais de 155 mil votos contra 128 mil comparecimento do sexo masculino.

A vitória no processo eleitoral de 2020 foi das mulheres que viram o seu poder de decisão nas mãos dando engajamento ainda maior na participação política quebrando as dificuldades maternas culturais da dupla, às vezes tripla jornada seguido de preconceitos ainda existentes em nossa sociedade.

As perspectivas nesse panorama são boas, ainda que caminham timidamente, pois ter mulheres ativas no campo política seja como eleitora incentiva o maior interesse e sucesso em candidaturas femininas, é só olhar para a eleição americana de 2020 que culminou na vitória de Kamala Harris, a primeira mulher no cargo de vice-presidente do maior posto do mundo.

Não há mais como negligenciar a importância do voto feminino que tem maior número no eleitorado e uma extensa pauta e demandas que precisam ser representadas pelas mesmas. Sem o exercício dos direitos políticos femininos o regime democrático não alcança o seu ideal de igualdade.

Márcia Pinheiro é primeira-dama de Cuiabá, empresária e pós-graduada em Gestão Pública. 

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