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Cultura

Rosário Oeste recebe exposição itinerante sobre festas de santo

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Luzo Reis

Por quatro anos os fotógrafos Antônio Siqueira e Luzo Reis percorreram nove municípios da Baixada Cuiabana captando a essência de 19 festejos populares. A coletânea de fotos que eterniza momentos singulares das festas aos santos de devoção de famílias, realizadas em boa parte em zonas rurais, dá origem à exposição “Santos da Baixada” cuja circulação tem início no dia 5 de dezembro, em Rosário Oeste (a 133 km de Cuiabá), a partir das 20h.

O projeto é um dos contemplados pelo edital Circula MT, da Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer (Secel). Com visitação gratuita, fica em cartaz até o dia 30 de janeiro de 2020. Os próximos destinos são Cuiabá, em fevereiro de 2020, e Chapada dos Guimarães (a 65 km de Cuiabá), no final de março.

De acordo com Luzo Reis, o projeto que deve ter mais desdobramentos, começou com uma pesquisa que afunilou as escolhas para festas que possuem longa tradição na cultura dessas cidades. Rosário Oeste é uma delas. Mas também há registros de festas em Cuiabá, Várzea Grande, Poconé, Nossa Senhora do Livramento e nas comunidades de Bom Jardim, em Nobres; Mimoso, em Barão de Melgaço; Varginha, em Santo Antônio do Leverger e Mata Grande, em Chapada dos Guimarães. “Muitos dos nossos visitantes em Rosário devem se surpreender com o resultado, especialmente, porque sendo retratados, tornaram-se protagonistas desse projeto”.

Luzo Reis

A ideia surgiu em 2015, em um curso oferecido na cidade pelo fotógrafo José Medeiros. Na ocasião, Luzo foi apresentado a Siqueira. A partir daquele encontro os dois se viram várias vezes e a convite de Antônio cumpriram circuito de festas da região: Nossa Senhora da Guia, na comunidade de Igrejinha; Nossa Senhora da Piedade, no bairro Taboão; e festa da Rua da Barra, no centro de Rosário, que é em devoção a São Benedito.

Curadora do trabalho, a crítica de arte e animadora cultural, Aline Figueiredo ressalta o entrosamento dos fotógrafos em enfocar o universo da cultura popular e especialmente, a singularidade da Baixada Cuiabana, onde os municípios estão concentrados.

“Em Luzo, um movimento barroco capturado pela luz, dá uma densidade dramática nos jogos, nas danças, procissões, nos violeiros. Já Siqueira enfoca ambientes externos e internos em que paredes e mobiliários mostram um certo sentido concreto, cujo o geometrismo dos cantos vai no âmago da cultura popular”.

Ao analisar as imagens, Aline descreve que elas mostram um luxo caboclo e requinte no vestuário, além da beleza singela das decorações internas, limpeza e suavidade. E também retratam que novas características, que acompanham a realidade das comunidades, foram incorporadas ao longo dos tempos.

O projeto de pesquisa e documentação fotográfica de Luzo e Antônio é fruto da curiosidade dos fotógrafos em conhecer os festejos, as peculiaridades existentes em cada localidade e as histórias por trás das festas. Explora a riqueza imagética e outras manifestações culturais e artísticas que não podem faltar a elas, como o cururu, siriri, procissões, ladainhas, adoração, lambadão e culinária ribeirinha, dentre outros elementos.

O projeto foi aprovado por edital da Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer (Secel-MT) e conta com apoio das prefeituras de Chapada dos Guimarães, Rosário Oeste, Pró-Reitoria de Cultura, Extensão e Vivência, da Universidade Federal de Mato Grosso e Museu de Arte e Cultura Popular.

Para mais informações sobre o projeto acesse: www.santosdabaixada.com

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Cultura

Festival de Lambadão segue com inscrições abertas até dia 31 de janeiro

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Abril será o mês do lambadão! O gênero musical que nasceu na década de 1990 na Baixada Cuiabana e que conquista adeptos a cada dia acaba de ganhar mais uma plataforma para o seu fortalecimento. É o Festival de Lambadão que ocorre por três fins de semana entre os dias 3 e 19 de abril, respectivamente. Começa em Cuiabá, no Colônia Show Bar (03 e 04.04), depois segue para Varzea Grande, no Atlântico (11 e 12.04), e reserva a grande final para a cidade de Poconé, no CCR (18 e 19.04).

O festival que celebra o “Rei do Lambadão” vai premiar bandas e dançarinos com o Troféu Chico Gil e valores em dinheiro. Fora a consagração do público e jurados, bandas e dançarinos também terão ajuda de custo para participar do evento. As inscrições estão abertas até o dia 31 de janeiro e devem ser feitas no site oficial da Associação Mato-grossense de Cultura, que é realizadora do evento.

Chico Gil, o Rei do Lambadão, autor do clássico “Ei amigo”, morto em um acidente de carro na estrada de Jangada, em 2001

A seleção das 16 bandas que competirão no festival será feita por uma curadoria especializada. Dessas, três serão eleitas as melhores via voto popular pela internet – em enquete publicada na página oficial do evento no Facebook – e os 15 casais de dança serão escolhidos por um júri técnico.

O músico e pesquisador Levi Barros, que também é o presidente da AMC, ressalta que não há qualquer limitação de gênero na formação dos pares de dança: “pode ser mulher com homem, homem com homem, mulher com mulher. O importante é gostar de dançar lambadão e dar um show de passos para a plateia”.

Inscrições

Para os casais de dançarinos, as inscrições podem ser feitas via link específico do site da AMC (http://amcmt.org.br/inscricao-danca/). É preciso fazer upload no sistema, com três fotos de divulgação do casal em boa resolução, link do vídeo do casal dançando e link da música de aquecimento que vai ser alvo da avaliação neste primeiro momento.

Protásio de Morais

Já para as bandas, no link reservado à inscrição (http://amcmt.org.br/inscricao-de-bandas/) é necessário fazer upload de foto de divulgação em boa resolução, acrescentar biografia ou breve release e repertório autoral da banda com no máximo uma hora de músicas, listando o nome de cada uma delas, o tempo e nome dos compositores. Por fim, deve ser anexada ainda a música de trabalho escolhida para compor o CD do Festival. É preciso enviar o link do vídeo da música em questão.

Premiação

Levando em consideração o histórico de eventos do lambadão, o realizador do evento, Levi Barros, avalia que esta é certamente a maior premiação da história que o seguimento já teve, com prêmio aproximado em R$ 20 mil reais mais troféus.

A banda escolhida pelo público para ganhar o primeiro lugar vai faturar prêmio de R$ 3 mil, gravação de um EP com três faixas em estúdio, gravação de videoclipe em estúdio, fotos profissionais em estúdio, 1 microfone profissional com fio, 1 jogo de peles de bateria, 2 jogos de cordas para contrabaixo, 2 jogos de cordas para guitarra, 3 pares de baquetas e 3 suportes para instrumento e roupas novas para todos os integrantes. A música da banda vencedora também será usada como trilha sonora da divulgação da próxima edição do evento, além é claro, do Troféu Chico Gil.

Já a segunda colocada ganhará R$ 2 mil mais a gravação de um EP com duas faixas; fotos profissionais em estúdio, 1 microfone profissional com fio, 1 jogo de cordas para contrabaixo, 1 jogo de cordas para guitarra, 2 pares de baquetas e 1 suporte para instrumento, roupas novas e troféu.

O prêmio será de R$ 1 mil para a terceira colocada e a banda ganhará também a gravação de um single, 1 microfone profissional com fio, 1 par de baquetas e 1 suporte para instrumento e roupas novas para todos os integrantes, além do troféu.

“A primeira colocada ainda poderá ter como parte da premiação, sua música tocada nas rádios comerciais, estatais, web rádios e rádios comunitárias de todo Estado de Mato Grosso que aderirem e assimilarem a nossa proposta”, ressalta Levi.

Já no caso dos dançarinos, o casal que for escolhido pelo júri vai faturar R$ 1.500; o segundo colocado R$ 1.000 e o terceiro R$ 500.

“Vale ressaltar, a cadeia produtiva do lambadão é altamente independente e há anos tem se fortalecido por conta de seus próprios esforços, o que desejamos com este festival é que seus agentes ganhem um impulso”, explica o organizador.

O lambadão é fruto de uma indústria fonográfica da música popular baseada em sistemas não-oficias de produção e comércio.

“Não basta apenas reconhecer que é patrimônio cultural. O lambadão também precisa de investimentos e esse festival é uma grande chance para os músicos tocarem em um palco grande, com som e iluminação de qualidade, camarim, toda a atenção especial que os músicos e dançarinos do lambadão merecem”, destaca.

O Festival é viabilizado graças ao termo de fomento nº 0428-2019 da Secretaria de Esportes, Cultura e Lazer (Secel-MT) via emenda parlamentar do deputado Dilmar Dal Bosco. Para a realização de seis edições com condições mínimas de profissionalismo, o valor direcionado é de R$ 363.173. O Festival de Lambadão é uma idealização da AMC em parceria com o Instituto Case.

O Lambadão

O lambadão surgiu em meados de 1990 na baixada cuiabana, especialmente, graças à força de pioneiros em Poconé e Rosário Oeste e rapidamente se projetou por Cuiabá e Várzea Grande. O ritmo ganhou destaque nacional com a música “Ei amigo”, de Chico Gil, cantor e compositor que recebeu o título de Rei do Lambadão.

Segundo pesquisadores, o lambadão é uma música híbrida, que resulta da fusão entre a lambada paraense, o ritmo regional rasqueado e o gênero de origem indígena, carimbó.

A história começa com os garimpeiros que foram em busca da promessa do ouro nos anos 1970 e 1980 rumo ao Pará e, dada a escassez do minério, voltaram e por aqui se estabeleceram, especialmente em cidades ribeirinhas como Cuiabá, Rosário Oeste, Poconé e Várzea Grande. Logo o rasqueado foi adicionado a essas influências, originando um ritmo que não se pode ouvir sem reagir.

Entre os pares – que podem ser de homem com mulher, de mulher com mulher e homem com homem – não tem espaço para preconceito, tem gente de físico e talentos diversos.

Serviço

Tema: Festival de Lambadão segue com inscrições abertas até dia 31 de janeiro

Quando ocorre: Três fins de semana entre os dias 3 e 19 de abril

Onde: Cuiabá, Várzea Grande e Poconé

Outras informações: (65) 99242-8886

 

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