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Cultura

Projeto Cultural de Distrito Federal traz teatro de bonecos ao Parque Tia Nair

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Ao longo do mês de agosto, o grupo artístico Mamulengo Sem Fronteiras estará percorrendo os estados de Mato Grosso, Rondônia e Acre, apresentando a “Caravana Mamulengos do Cerrado Rumo à Floresta”. A trupe, que saiu de Taguatinga (DF), chega a Cuiabá nesta terça-feira (07), às 17h, no Parque Tia Nair. Com uma única apresentação, o espetáculo vai mostrar a arte popular da cultura nordestina, representada pelo teatro de bonecos, conduzido com as mãos na linha dos fantoches. O show conta com o apoio da Prefeitura de Cuiabá, por meio da Secretaria Municipal de Cultura, Esporte e Turismo.

O objetivo central do projeto é difundir o teatro de bonecos popular do Nordeste, tradição também chamada de Mamulengo – reconhecida como patrimônio cultural do Brasil. Além disso, a Caravana busca realizar uma troca de saberes entre diferentes tradições artísticas, promovendo debates sociais e ambientais, que tomam como ponto de partida o bioma de cada comunidade visitada.

A Caravana percorrerá 12 cidades e comunidades próximas a rios de grande importância para a região Centro-Oeste. Em Mato Grosso, passará por Tangará da Serra, Santo Antônio do Leverger, Poconé e Cuiabá. Os espetáculos, com roteiro lúdico tradicionalmente adaptável ao público, irão abordar a preservação das matas e das águas, conectando o cerrado, o pantanal e a Floresta Amazônica.

“Está é mais uma ação que prioriza a disseminação da cultura como um todo. O espetáculo é uma divertida e emocionante descoberta da arte popular brasileira. Será uma excelente oportunidade para introduzirmos às famílias cuiabanas essa arte predominante do nordeste, apresentada pelo respeitado grupo Mamulengo Sem Fronteira. Contamos com a presença de todos por lá”, convida o secretário municipal de Cultura, Esporte e Turismo, Francisco Vuolo.

Essa será a 3ª edição da Caravana Mamulengos do Cerrado, que já realizou duas outras viagens em 2015 e 2016. O projeto conta com o financiamento do Fundo de Apoio à Cultura da Secretaria de Cultura do Governo do Distrito Federal.

Mamulengo

É um tipo de fantoche típico do nordeste brasileiro, especialmente encontrado no estado de Pernambuco. Há dúvidas a respeito da origem do nome, mas acredita-se que tenha vindo do termo “mão molenga” ou “mão mole”, mostrando que quem faz a manipulação deve ter uma grande habilidade manual. Em geral, os mamulengueiros trabalham com dois personagens ao mesmo tempo e muitas vezes manipulam mais de 60 bonecos durante uma brincadeira. Um ou mais manipuladores dão voz e movimento aos bonecos. Tradicionalmente, as apresentações são feitas em praças públicas ou durante festejos religiosos, que podem durar horas ou dias, com temáticas bíblicas ou atuais. Em 2015, o Mamulengo recebeu a titulação de Patrimônio Cultural do Brasil, reconhecimento dado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

 

Por  ALESSANDRA BARBOSA

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Cultura

Moradoras viram obra de arte em homenagem do Sesc Pantanal aos 240 anos de Poconé

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Os tradicionais quintais de conhecidas moradoras de Poconé, que chegam a receber mil pessoas em dias de festa de santo, são o cenário da homenagem feita pelo polo socioambiental Sesc Pantanal aos 240 anos do município, celebrado nesta quinta-feira (21/01). Dona Sebastiana, Dona Apolonia (in memoriam), Dona Leila, Dona Conlíria e Dona Negrinha viraram arte em espaços escolhidos por elas mesmas em suas casas. O registro artístico e histórico foi feito em grafite pelo artista visual Régis Gomes, que as retratou junto a seus santos de devoção.

 

Algumas das obras estão nos muros das casas e podem ser visitadas por moradores e turistas. Outras, quando o Projeto Quintais, realizado em anos anteriores pelo Sesc Poconé, for retomado. Na casa da Dona Leila, a opção foi por retratar somente os santos a quem ela é devota. Com as casas abertas ao público, os quintais recebem ações culturais em formato de intercâmbios com grupos de cultura popular de todo o país.

 

Berço das tradições poconeanas, os quintais de Poconé são um espaço de sociabilidade e fé, onde o sagrado e o profano se conectam. “É local onde a reza, a música e a dança se reúnem”, comenta a superintendente do Sesc Pantanal, Christiane Caetano.

 

Segundo ela, o melhor presente para uma cidade é a história das suas pessoas. “Poder retratar algumas das pessoas que fazem parte dos 240 anos de Poconé, registrar suas histórias e devoções é uma forma de homenageamos a cidade de forma simbólica, eternizando memórias”, completa.

 

Para a analista de Cultura do Sesc Poconé, Poliana Queiroz, que idealizou a homenagem e acompanhou toda a ação, o quintal é um lugar de vida e alegria para as famílias poconeanas, mas, em 2020, ficou sem receber visitantes, em decorrência da pandemia. Foi então que o Sesc Pantanal decidiu homenagear as pessoas e esses lugares tão acolhedores.

 

“No início, elas ficaram um pouco resistentes, principalmente pelo estigma que a palavra grafite carrega, até o Régis começar a pintá-las. Elas e as famílias assistiram todo o trabalho. Foi um momento de muita emoção acompanhar esse processo. Os quintais são locais de muita energia e essa ação ficará eternamente registrada, não só na parede, mas também na história e na memória de cada uma dessas mulheres, de suas famílias e da cidade”, enfatiza Poliana.

 

Aos 77 anos, dona Conlíria Vilibar da Silva Corrêa, que tem sete filhos, 18 netos e 14 bisnetos conta da alegria de ser uma das homenageadas pelo Sesc Pantanal, especialmente após um ano em que não pode receber pessoas em casa. Ela acompanhou a criação do artista, feita na varanda de casa, junto com a família, e se emocionou.

 

“Fiquei muito triste este ano porque já esperava as noites dos Quintais, que trazem alegria para nós. Por causa da pandemia, teve que parar tudo, ficar dentro de casa, naquela tristeza de não ver ninguém, mas Deus está conosco e logo estaremos de volta. Foi muito emocionante ser escolhida para essa homenagem, pois não esperava. Senti uma grande emoção por acompanhar a pintura e, ao final, todos nós aplaudimos”, lembra.

 

O local escolhido por ela foi a varanda de casa, onde recebe as pessoas, passa o dia todo conversando com os que chegam, entre filhos e netos, e fazendo seu caça-palavra. “Essa é uma lembrança muito boa que o Sesc Pantanal está me dando. Fiquei feliz, feliz demais. Poconé é minha vida, aqui nasci, cresci e vivo até hoje, onde construí minha família e amigos. Todos me conhecem. Nossa cidade é muito hospitaleira e todo mundo que chega não quer mais ir embora. Parabenizo Poconé pelos seus 240 anos de glórias, vitórias e que os anos vindouros sejam de muita luz e bençãos aos governantes e todos que aqui habitam”, ressalta dona Conlíria.

 

A pesquisa nos quintais 

 

A homenagem ao aniversário de Poconé surgiu de numa iniciativa já realizada pelo Sesc Pantanal no município. Foi a partir do projeto Quintais que surgiu o Núcleo de Pesquisa do Sesc Poconé, em 2019, com o objetivo de iniciar o registro dos saberes imateriais existentes na cidade de Poconé, a partir de quatro correntes.

 

São elas: poéticas que visam registrar a história de patrimônios vivos da cidade, práticas de cura que concentra a pesquisa nas práticas de benzeção e cuidado, cantos sagrados que está associado às rezas cantadas, rituais festivo-religiosos e patrimônios arquitetônicos, que será direcionado a memória social em torno das casas antigas e dos museus da cidade.

 

A analista de Cultura do Sesc Poconé conta que a vida no Pantanal ocorre de maneira sazonal, e os moradores da região organizam suas redes de relações de acordo com a cheia e a seca. “Essa temporalidade leva a criação de hábitos, saberes e símbolos que possuem grande densidade epistemológica e sociocultural que há muito tempo tem sido interesse de diversos pesquisadores do Brasil e por que não, do mundo”, conclui Poliana Queiroz.

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