conecte-se conosco



Esportes

Presidente do Galo vê futebol brasileiro perto de quebrar

Publicado

em

Sérgio Sette Câmara comenta colapso financeiro que clubes brasileiros enfrentam e ainda terão pela frente pela paralisação das competições e congelamento de receitas

A onda da Covid-19 que avassalou o futebol mundial ainda não tem hora para recuar. A falta de perspectivas de retorno dos jogos, e até mesmo em que condições isso acontecerá, assusta os dirigentes do futebol brasileiro. O Atlético-MG foi um dos clubes que tentou se preparar para o Tsunami de forma antecipada, com redução de salários, férias antecipadas dos jogadores, corte de pessoal e gastos e retorno aos treinos. O presidente do clube, Sérgio Sette Câmara, entretanto, não conseguirá ter noites de sono tranquilas em um curto prazo.

O mandatário, um dos líderes da Comissão Nacional de Clubes, que debate periodicamente o futuro do futebol brasileiro com a CBF, traça um quadro geral alarmante do esporte mais popular em terras brasileiras. Sem receitas de jogos, exposição de marcas, vendas de direitos de televisão, e com os boletos batendo à porta mensalmente, a conta não fecha.

O futebol brasileiro está caminhando a passos largos, na minha opinião, para quebrar” – Sérgio Sette Câmara.

O advogado e presidente do Atlético desde dezembro de 2017 foi o convidado do podcast GE Atlético  nessa quinta-feira e tentou cristalizar o cenário em que se encontra não só o Galo, mas praticamente todos os clubes profissionais do país. Ele defende a união das agremiações, até mesmo com a criação de uma nova associação. Algo que chegou a existir com o finado Clube dos 13.

Até lá, entretanto, os trabalhos são para definir a volta da bola rolando. Na Europa, já há sinalizações positivas. O Alemão já recomeçou. A Premier League retorna em 17 de junho. Dias depois, será a vez do Campeonato Italiano. Porém, impossível deliberar sobre datas no Brasil. É o que relata o dirigente. Além disso, Sette Câmara enfatiza que os jogos oficiais sendo disputados novamente não serão a solução final para a crise econômica agravada nos clubes.

– Se ilude quem acha que a volta do futebol irá resolver os problemas. Não vai. Não teremos bilheteria (jogos de portões fechados) e teremos despesas. O time terá de viajar, terá que pagar viagem de avião, hotel, terá que pagar… A ficha ainda vai cair ainda para a maioria das pessoas, inclusive na imprensa. Bom colocar as barbas de molho. Tenho falado disso há tempos, mas muitos me criticam, falam que estou exagerando.

Eu participo de grupos com outros presidentes, tenho conversado na CBF. E a verdade é que ninguém tem perspectiva de volta. E quando voltar, o que vier de receita não será suficiente para as despesas dos clubes. Estamos caminhando para uma situação dificílima“.

Se as conversas com a CBF e outros clubes não são capazes ainda de traçar uma projeção de volta dos jogos, o diálogo a nível estadual sequer existe com a Federação Mineira. Não é a primeira vez que Sette Câmara reclama de falta de comunicação da FMF com o Galo. A entidade até fará reunião em 10 de junho com a secretaria de saúde estadual, justamente para debater o retorno do Módulo I do Mineiro, paralisado após a nona rodada (faltam seis datas).

– Gosto do Adriano (Aro, presidente da FMF). Acho que é um rapaz bacana, competente. Mas nessa parte aí eu não estou entendendo. O Atlético é o time hoje, queira ou não, mais importante filiado da Federação Mineira. É o único clube mineiro na Série A. Não estou aqui querendo criticar, mas acho que falta uma atenção com um clube tão importante quanto o Atlético por parte da Federação, no sentido de nos dar ao menos uma luz. “O campeonato não vai voltar, vai voltar, o que você acha?”. Mas tudo bem. Não tem problema. Acho que a gente vai acabar mais adiante conversando. Também não tem perspectiva mesmo, né? Estamos aí fazendo conjectura.

Enquanto espera e se prepara para voltar a disputar o Campeonato Mineiro e iniciar o Brasileirão com Jorge Sampaoli e Alexandre Mattos no comando da equipe, o Atlético precisa pagar as contas. Conseguiu diminuir os atrasos salariais. Preocupação primária do clube que traçou demissão de mais de 50 funcionários.

“Não existe como você ter uma afirmação: ‘Vai acontecer isso, é assim que vai ser’. É um quadro angustiante. Tenho passado muitas noites sem dormir. Ou você acha que é fácil eu levantar e descer a caneta mandando 50, 60, 70 pais de família embora? É duro demais”.

Por falar em salários, o presidente do Galo toca em outro ponto: a Lei Pelé prevê que um atleta profissional possa se desvincular de um clube após três meses sem receber salários (incluindo o que recebe de direitos de imagem). Como atrasos salariais são previstos de forma categórica nos clubes, um efeito dominó seria jogadores de grande valor de mercado ficando livres, e os clubes perdendo patrimônios milionários.

– O que me preocupa muito, e isso é questão a ser discutida a nível nacional, é sobre direitos federativos e econômicos dos atletas. Sabemos que depois de três meses de atraso no salário ou imagem o atleta passa a ter direito de entrar em juízo para desfazer o vínculo. E vários atletas, do Atlético inclusive, custaram verdadeiras fortunas. A ideia de fazer a contratação do atleta é fazer, colocar a camisa do clube, ter o retorno técnico e também financeiro. É um patrimônio. E a receita de TV e de venda de atletas são as maiores. Muitas vezes, em casos mais recentes, a venda de direitos econômicos superou a receita da televisão. Então, como vai ser isso? Como pagar salário quando não tem receita?

Foto por Bruno Cantini

Clique para comentar

Deixe um comentário

Please Login to comment
avatar
  Subscribe  
Notify of

Esportes

Temporada do esportepedal em Mato Grosso 2020

Publicado

em

O esporte do pedal mato-grossense nesta temporada de 2020, volta com força total. Depois de várias articulações, contatos e negociações, Mato Grosso figura em todas as modalidades Olímpicas do Ciclismo, no atual calendário brasileiro das modalidades. O BMX Race sedia uma Copa Brasil e também uma etapa do Ranking Nacional. Na temporada passada o piloto Gustavo Passin ficou em primeiro lugar no Ranking Brasileiro do BMX Race. Na categoria Máster 35-39. Outros sete pilotos ficaram entre os seis melhores do país. Todos irão ingressar com processos Junto a Sec. De Estado de Esportes, requerendo adesão ao Programa Bolsa Atleta. Devido ao grande calote da ordem de quase 10 milhões de reais, do Programa Bolsa Atleta, dos governos Silval e Taques, muitos atletas frustraram com a não quitação do programa. Estamos incentivando os atletas, para que busquem resultados nacionais, sendo que o Programa Bolsa Atleta do Governo de Mato Grosso continua em pleno vigor. A modalidade do Cross Country Maratona sedia (05) cinco etapas válidas pelo Ranking Nacional. Em Mato Grosso, a modalidade do Mountain Bike, foi lançada no final de 1989, no mês de novembro, então pelos amantes do ciclismo e amigos Manoel Lima, Jorge Barreto, ambos mato-grossense e Weyden Galvão, mineiro de Uberaba. Naquela época, competiam os atletas do ciclismo, como forma de preparação. Hoje o Cross Country tem vida própria, relembra Manoel Lima, dirigente da FMTC. As cidades sedes do MTB serão: Sapezal, Aripuanã, Sorriso, Comodoro, Rondonópolis e Juina. As etapas do MTB Maratona terão cerca de 100 mil reais em espécie, de premiações, alem de brindes, camisetas, energéticos entre outros. Ciclismo Olímpico consta com seis etapas também valendo pontos pelo Ranking Nacional. Para Lima, o momento é excelente para todas as modalidades. Mesmo ainda sentindo os efeitos da grave crise econômica, atletas, organizadores, promotores, dirigentes desportivos e patrocinadores de eventos estão reagindo á atual situação. Nosso excelente transito junto a direção da Confederação Brasileira de Ciclismo, nos fez acreditar na recuperação das modalidades do desporto ciclístico, frisa Lima. A cidade de Tangara da Serra realizara um trabalho de renovação nas categorias de base do Ciclismo Olímpico. Novamente estaremos treinando novos jovens para o ciclismo. Mato Grosso sempre obteve excelentes resultados nas categorias Infanto-juvenil, Juvenil e Júnior, tanto nos Jogos Escolares nacional, Ranking Brasileiro e também no Campeonato Brasileiro do Ciclismo Olímpico. Essas são as categorias de iniciação da modalidade. Com veiculação em nível nacional, estaremos difundindo, divulgando e massificando as potencialidades desportivas, culturais, ecológicas, turísticas e econômicas mato-grossense. Levando em conta, que o Estado de Mato Grosso é líder brasileiro e até mundial nas produções de carnes bovinas, milhos, sojas e algodões. Com certeza, novamente, neste ano, obteremos várias conquistas em nível nacional, finaliza Lima. Maiores informações fone (65) 99254 8090 e 99284 8833 e email [email protected] 

Continue lendo

Artigos

Polícia

Política MT

Várzea Grande

Cuiabá

Mais Lidas da Semana