conecte-se conosco



Artigos

Desfazer o normal há de ser uma norma

Publicado

em

Marx lembra que as “condições sociais petrificadas têm de ser compelidas à dança, fazendo-lhes ouvir o canto da sua própria melodia”.

A normalidade é parâmetro comum no contexto social que vivemos. A gente adora uma estrada pavimentada.

O mundo cultua a idolatria do “corpo perfeito”. A cada criança que viva está incutida a ideia de que ela deva nascer, crescer e se desenvolver “bela, inteligente e perfeita”.

Mas assim não é… Graças a Deus o mundo é mistério!

Seja como for, há um padrão ao qual será necessário responder positivamente, sob pena da proibição do “pertencimento ao mundo”. Ah! Esta soledad que llevamos todos…Islas perdidas.

Nós sabemos, amiga leitora, que as diferenças são pouco toleradas pela humanidade. E o “corpo deficiente”, aquele que encarna a assimetria, o desequilíbrio, as disfunções para a “normalidade”; a sua anormalidade, ameaça, assusta o “corpo perfeito”.

Que já fique consignado, a exigibilidade de perfeição e a demarcação de um padrão, elimina as diferentes singularidades, afasta o incomum, o inusitado, o não vulgar…

Sabe-se bem o que acontece se não for possível responder ao padrão, quando não somos iguais aos demais: “assim como outras formas de opressão pelo corpo, como o sexismo ou o racismo, os estudos sobre deficiência descortinaram uma das ideologias mais opressoras de nossa vida social: a que humilha e segrega o corpo deficiente”.

Mesmo a linguagem referente ao tema está carregada de violência e de eufemismos discriminatórios. Discute-se até hoje a “maneira correta” do termo deficiente.

Clarinha Mar, a qual diz que não consegue fazer movimentos finos, como amarrar o sapato, traz pra gente o significado mais sutil do termo. Diz assim:

Deficiência. É palavra de origem latina, defikere. Que significa falha. Por algum motivo as pessoas que nasciam com algumas características diferentes, próprias, e que não atendiam ao “comum”, eram chamadas de deficientes. Ao longo do tempo, foram discutidos esses vários termos, pra chamar a pessoa que possuía alguma característica peculiar, essas características foram classificadas, ao longo do tempo, por falhas. Acho que por isso a tal da deficiência.(…) Só que eu acredito que as palavras, elas mudam. De acordo com o tempo. Elas não permanecem com o mesmo significado. Elas nascem, e ao longo dos tantos anos elas vão se metamorfoseando. Elas criam outros sentidos, outras formas, outros significados. E a palavra deficiente é uma palavra muito especial pra mim porque ela me caracteriza, eu nunca tive essa palavra como uma palavra ruim, sempre tive como uma palavra boa. Uma palavra que me define, em parte. E como uma característica define parte de uma pessoa a deficiência define parte de mim, desde que nascei desde que eu adquiri a consciência das palavras, dos nomes, a palavra deficiência sempre esteve comigo, eu era deficiente, eu era uma pessoa com deficiência. (…) Eu sempre preferi que me chamassem de deficiente, por que não é uma afronta, é só uma característica, não é nem uma condição pra mim, eu não sou condicionada a ter alguma coisa, eu simplesmente tenho (…) E nem por isso eu sou uma pessoa mais ou menos evoluída, eu só sou uma pessoa(…) A deficiência não é um mal, é simplesmente uma característica, qualquer um pode nascer com deficiência ou ficar com alguma deficiência. Todo bem ou todo mal vem do que você faz com o que você tem, o que você tem é o que você tem, não importa; agora, o que você faz com o que você tem é o que vai definir se o que você tem é bom ou se o que você tem é ruim. Eu amo ser deficiente, eu tenho muito orgulho disso. E você? Tem orgulho de quem é?

Todos nós vamos experimentar ou já experimentamos o “corpo deficiente”. Esse desconhecido descrito como anormal, por lapso, por preconceito, por discriminação.

A incapacidade em prever, ver e incorporar a diversidade é “normal” também no nosso contexto social. Não há como negar a ideologia que oprime a pessoa com deficiência. A normalidade construída contribui para o ‘problema’ da pessoa com deficiência.

O conto de fadas, a irrealidade que há na visão que enxerga o ser e a vida como perfeita… A maior riqueza do homem é a sua incompletude. Nesse ponto somos abastados. Ora, as pessoas são de carne, osso e sentimentos. E é isso! São pessoas.

Pensar que a pessoa com deficiência é considerada deficitária, falha, incompleta em seu todo ser, por não responder a um padrão idealizado de ser humano, isso sim é estranho, excêntrico, adventício… alheio.

Será necessária muita fisioterapia por um passo para o reconhecer; muitas sessões de fono por uma palavra de amorosidade e respeito, muita acessibilidade para os perdidos chegarem ao outro com movimentos finos, como os de Clarinha Mar.

Clique para comentar

Deixe um comentário

Please Login to comment
avatar
  Subscribe  
Notify of

Artigos

Não conseguimos respirar

Publicado

em

Os recentes manifestos que aconteceram nos EUA e que se espalharam pelo mundo, por conta das INJUSTIÇAS cometidas por autoridades, veio com uma frase que nos chamou atenção: “NÃO CONSIGO RESPIRAR”. Isso nos remete a real situação dos servidores públicos de Várzea Grande que desde o início da Gestão Lucimar Campos (DEM) – maio de 2015 – vem gritando “NÃO CONSEGUIMOS RESPIRAR”, pois foram e continuam sendo ASFIXIADOS e SUFOCADOS pela prefeita que não trata os servidores com DIGNIDADE e que cometeu e vem cometendo diversos ATAQUES, como o não cumprimento de direitos garantidos em leis, deixando os servidores anos sem a recomposição salarial, 6 anos sem a progressão de carreira, 6 anos sem o pagamento dos retroativos (direitos represados), 6 anos sem o pagamento integral de 1/3 de hora atividades para os docentes, dentre outros direitos, empurrando os trabalhadores para uma situação de sofrimento e penúria.

E agora, em tempos de eleições, o candidato do seu grupo político vem fazendo mil e uma promessas, dizendo que desta vez vai reconhecer e valorizar os servidores, afirmando que vai assumir o compromisso com a categoria. Porém, nem se quer assinou a Carta-Compromisso com os Trabalhadores da Educação. O único dos quatro candidatos a prefeito que não assumiu esse compromisso. Os servidores de VG são inteligentes e não cairão no canto da sereia.

Mais recentemente, Lucimar deu um GOLPE e não pagou a revisão salarial nem aos professores e nem mesmo aos técnicos que estão amargando 4 anos sem o reajuste.

E agora, veio mais uma punhalada nas costas dos servidores. A Prefeita Lucimar (DEM) enviou para a câmara de vereadores um Projeto de Lei que aumenta o desconto da previdência de 11% para 14%.

Os trabalhadores não querem ficar ricos. Não querem nada que não é deles. Só querem o cumprimento das leis. Querem dignidade, ser respeitados, ser valorizados e principalmente, querem comida no prato. E isso não está mais sendo possível de se ter por conta das INJUSTIÇAS praticadas pela gestão Lucimar Campos contra os servidores que estão com salários congelados há mais de 4 anos, com um vencimento líquido abaixo de um salário mínimo.

É lamentável que em pleno século XXI, as injustiças, os maus tratos, o menosprezo, o descumprimento da legislação ainda imperam em VG. A Prefeita Lucimar Campos (DEM) deveria ficar envergonhada em imputar essa condição injusta aos trabalhadores. Já que VG é o segundo maior município de Mato Grosso e o terceiro mais rico do estado em arrecadação, no entanto, paga um dos piores salários para os servidores públicos dentre os municípios considerados mais pobres da baixada cuiabana como Acorizal, Barão, Jangada, Leverger e Poconé.

Todas as vidas importam!!!

Aliás, as reformas de praças públicas, mini estádios, a construção da Orla da Alameda (que estão sendo gastos mais de 17 milhões), são importantes, mas não são mais importantes que as vidas dos trabalhadores que vem sofrendo muito com os GOLPES dessa gestão Campos. Vem sendo castigados e lesados com enormes prejuízos financeiros em torno de R$ 250,00 a R$ 2.500,00 (dois mil e quinhentos reais) por mês, por falta de cumprimento da legislação que a prefeita não respeita, agindo de forma GOLPISTAMALDOSA e OPRESSORA, deixando os trabalhadores asfixiados com dívidas, pois o que recebem em seus vencimentos (abaixo de um salário mínimo) não está sendo suficiente até mesmo de se alimentar do básico.

Lucimar Campos não paga a recomposição salarial por pura MALDADE, não cumpre as leis de propósito, por falta de vontade política, por não respeitar e não gostar de valorizar o servidor, pois, somente nos meses de janeiro à abril de 2020, segundo documento da própria prefeitura, houve uma sobra de quase 7 milhões dos recursos 60% do FUNDEB (recurso exclusivo para pagamento salarial dos profissionais da educação).

Por que a Prefeita Lucimar Campos SUBESTIMA, DESPREZA e expõe duramente os servidores, retendo parcela significativa de seus salários, enquanto reforma quase todas as praças da cidade? Qual é a prioridade da prefeita, da mãe e mulher que governa o município?

O efeito dessa política nefasta de massacredesvalorização, da falta de vontade da prefeita Lucimar para atender as reivindicações dos trabalhadores, está fazendo com que muitos servidores peçam exoneração do cargo e, os que permanecem estão ficando doentes com câncer, depressão, stress e outras doenças. Estão morrendo sem conseguir usufruir dos seus direitos, provocando revoltas, indignação e protestos contra a atual administração.

Que condição é essa de AMARCUIDAR e ACREDITAR da administração Lucimar Campos que só semeou maldades aos servidores? Qual é a razão de tantas INJUSTIÇAS contra os servidores?

“NÃO CONSEGUIMOS RESPIRAR!!!” Estamos asfixiados pela gestão Lucimar Campos!!!

Vidas dos servidores importam!!!

28 de outubro – Dia do Servidor Público – NADA A COMEMORAR!

Por Juscelino Dias de Moura,  presidente do Sintep/VG

Continue lendo

Artigos

Polícia

Política MT

Várzea Grande

Cuiabá

Mais Lidas da Semana