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De conquistar

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EDUARDO GOMES

 

Não será nas eleições de outubro deste ano que Mato Grosso renovará sua representação política, a julgar pelo conjunto das candidaturas nas ruas e a máquina suprapartidária que não abre espaço para a oxigenação do poder em todas as suas esferas. Por onde quer que olhemos, encontraremos sempre o ontem personificado em Savi, Bezerra, Jayme Campos, Pedro Taques, Baiano Filho, Rezende, Dilmar, Wellington, Fabris, Ságuas, Satélite, Brito, Wilson Santos, Leitão, Saturnino, Pivetta, Romoaldo, Valtenir, Nininho, Wagner Ramos, Mauro Mendes, Maluf, Ezequiel e tantos outros.

Político no poder não se sente confortável quando o assunto é renovação. O povo, que poderia mudar o cenário botando fim aos longos ciclos do cumprimento de mandatos, nada faz. Ao contrário, muitas figuras tentam se aproximar dos poderosos em busca de sombra, do refresco das mamatas e de uma fatia do banquete, que para o cidadão comum chega apenas pelas migalhas que caem da mesa farta dos poderosos e seus aspones.

E isso, não somente em Mato Grosso. Quando se vê o plano nacional, nesse contexto estão os carimbados Ciro Gomes, Bolsonaro, Álvaro Dias, Marina, Alckmin, a bela Manuela – bem carimbada por mandatos e eleições fracassadas – etc.

Um povo sem líder forte e que não consegue renovar sua liderança política é fraco e não tem direito de sonhar com desenvolvimento justiça social e melhores dias. Esse amontoado de gente somos nós.

Alguém pode dizer que na disputa que se avizinha há nomes que não carregam a pecha do carreirismo. Essa afirmativa é correta, mas são poucos e, salvo uma ou outra exceção, lançados para serem sufocados por esquemas no transcorrer das campanhas. Se buscarmos na história da Assembleia, veremos que entre os poucos jovens que ali chegaram a maioria carregava na bagagem o DNA político dos pais, e dentre eles pode se citar Janaína Riva, Campos Neto e Emanuel Pinheiro.

Penso que o avanço do Estado mato-grossense não acompanha o ritmo da iniciativa privada, exatamente por conta da não renovação da classe política – e sindical. Não nutro ilusão de que esse cenário mude, pelo menos no curto tempo. No dia a dia das décadas em que Deus me concede sopro de vida na terra, aprendi que não é fácil transformar o mundo, por mais justa que seja a guinada de rumo a que nos propomos. Por isso, vencido, tenho que aceitar o continuísmo.

Se não é possível mudar, pelo menos se deve ser mais seletivo na escolha entre as figurinhas manjadas. Por minha Perradinha de filhos e netos, tentarei encontrar nomes para votar, até que sejamos inundados por uma onda renovadora com a qual sonhamos. Que venha a eleição e que ela seja o começo da transição que nos leve ao amanhã que o hoje tanto nos dificulta conquistar.

 

 

Eduardo Gomes de Andrade é jornalista

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Gonçalo Domingos de Campos e seus segredos

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Mesmo afastado das disputas eleitorais há algum tempo, ele ainda acompanhava o cotidiano da política em Várzea Grande e, dependendo da ocasião, em Mato Grosso. Foi vereador e presidente da Câmara Municipal, quando Napoleão José da Costa era prefeito de Várzea Grande. Por muitos anos, resistiu à tentação de ser candidato à Prefeitura Municipal e, em 1969, lançou a candidatura do seu filho mais velho Ary Leite de Campos, que mais tarde seria presidente do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso. Trata-se do comerciante Gonçalo Domingos de Campos, irmão de Júlio Domingos de Campos – o seo Fiote e tio dos ex-governadores Júlio e Jayme Campos.

Gonçalo Domingos de Campos, nasceu no dia 11 de janeiro de 1917, há 104 anos e foi casado com dona Dirce Leite de Campos. O casal teve oito filhos, quatro homens e quatro mulheres: Ary Leite de Campos, Terezinha Catarina de Campos Monteiro, Gonçalo Domingos de Campos Filho, Atair Leite de Campos, Maria Nazarello de Campos, Antonina Leite de Campos e Marisa Leite de Campos. Deles, o mais velho Ary Leite de Campos decidiu suceder o pai na vida pública.

Sempre foi comerciante, estava no ramo desde os 16 anos de idade. O primeiro empório que teve foi na travessa 24 de maio, vendendo secos e molhados. Depois ampliou a sua empresa e montou uma máquina de beneficiamento de arroz, uma das primeiras da Baixada Cuiabana. “Naquele tempo, tudo era difícil”, observava Gonçalo Domingos, lembrando que havia apenas um ônibus ligando Várzea Grande até Cuiabá.

 

VIDA PÚBLICA

De família tradicional na política mato-grossense, Gonçalo Domingos de Campos sempre acompanhou as disputas eleitorais na Cidade Industrial. Porém, durante toda a sua carreira política ele foi adversário de seu irmão, seo Fiote. Gonçalo pertenceu à UDN e Fiote ao PSD.

Somente em 1969, quando Ary Campos foi lançado candidato a prefeito de Várzea Grande a família Campos se uniu novamente. Ary venceu o candidato da então prefeita Sarita Baracat, Antonino Costa. Em 1972, a família Campos continuou unida e o recém-formado engenheiro agrônomo Júlio José de Campos, sobrinho de Gonçalo e filho de Fiote, se elegeu prefeito de Várzea Grande vencendo o empresário Rubens dos Santos e o jornalista Almerindo Costa (MDB). Ele se orgulhava de ter coordenado todas as campanhas de Ary Leite de Campos, a prefeito de Várzea Grande e três para a Assembleia Legislativa, todas vitoriosas. Em 1982, Ary Leite de Campos foi o deputado estadual mais votado de Mato Grosso, tendo recebido quase vinte mil votos.

 

VELHOS TEMPOS

Ele se considerava um privilegiado por ter acompanhado o processo de desenvolvimento de Várzea Grande, Gonçalo de Campos recordava que no passado os tempos eram bem mais difíceis. Ele lembrava que quando foi vereador na Cidade de Várzea Grande: faltava tudo. Energia elétrica era escassa e beneficiava menos de 20% da população e não existia rede de água tratada. A água era retirada dos tradicionais poços de fundo de quintal, perfurados “no muque”, com ferramentas rudimentares.

Até 1942, para se chegar em Cuiabá, era apenas de balsa. Então foi construída a Ponte Júlio Muller, batizada de “Ponte Velha”, ligando Cuiabá e Várzea Grande. Mesmo assim, o transporte continuou deficiente. Passou de charretes para um ônibus que passava a maior parte do tempo “desconcertado”, aguardando peças de reposição do Rio de Janeiro. O ônibus tinha três horários de partida para Cuiabá: as 7, 11 e 17 horas.

Mas o principal meio de transporte continuou sendo a charrete até o final da década de 60, quando começaram a circular os ônibus convencionais. Primeiro, da empresa Rápido Noroeste, que depois passaria a se chamar Estrela D’Alva.

 

DIVERSÃO

A maior diversão da época eram as corridas de cavalo. No antigo Morro Vermelho, onde mais tarde foi instalada a Grande Veículos e a Trescinco Caminhões, havia uma raia para corridas de cavalos. As arquibancadas de madeira comportavam aproximadamente duas mil pessoas e as apostas eram altas. O comerciante Ulysses Pompeo de Campos, possuía na época os melhores cavalos de Várzea Grande. Com o cavalo “Brinde”, Pompeo de Campos dominou as corridas por quase dez anos na Cidade Industrial. “Quando Brinde” corria era fácil ganhar: em várias ocasiões ganhei dinheiro apostando nesse cavalo”, rememorava Gonçalo Domingos de Campos.

Os desportistas de Várzea Grande se dividiam em dois grupos: os que gostavam de futebol e aqueles que se dedicavam as corridas de cavalos. Os adeptos do futebol, mais tarde, ajudaram Rubens dos Santos a fundar o Operário de Várzea Grande, em 1949. Mas Gonçalo Domingos pertencia ao grupo apaixonados pelas corridas de cavalos.

Descendente de Nossa Senhora do Livramento, Gonçalo de Campos não pensou duas vezes para se casar, em 1940. Desposou dona Dirce Leite de Campos, filha do coronel João Vicente Pedro de Barros, líder que comandou a política por muitos anos em Nossa Senhora do Livramento, nas décadas de 30, 40 e 50.

 

Wilson Pires de Andrade é jornalista em Mato Grosso.

 

 

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