conecte-se conosco



Artigos

Consolidar avanços: mineração

Publicado

em

O ano de 2020 começa com a perspectiva de consolidação dos avanços e conquistas ocorridas em 2019. Um processo natural. Verdade que muitas das expectativas criadas com o resultado das eleições se perderam em meio aos debates políticos e ideológicos. Ainda assim, foi possível avançar sob o prisma do interesse público. ao interpretar, com maturidade que o momento político exige, as angústias e necessidades do povo brasileiro – retratados a partir da realidade do nosso Estado, com suas dimensões continentais e inúmeras particularidades.

De fato, foi possível celebrar em 2019 muitos avanços. Mesmo o ano começando de forma trágica, com o rompimento da barragem da Vale em Brumadinho, que soterrou centenas de vidas e arrasou o coração do povo brasileiro. Situação que revelou a falta de solidez não apenas das barragens como dos nossos regulamentos.  Arregaçamos as mangas com uma CPI cujos resultados, sinceramente, devem traduzir em mais respeito ao cidadão e ao instituto da vida.

De minha parte, como médico veterinário e membro da Academia Brasileira de Medicina Veterinária, apresentei projeto de lei, que altera a Lei sobre crimes ambientais, e a Política Nacional de Segurança de Barragens (Lei 12.334, de 2010) para estabelecer uma legislação que proteja animais vítimas de desastres ambientais. Como disse na CPI, as perdas humanas nas tragédias da Samarco, em Mariana, em 2015, e da Vale, em Brumadinho, em 2019, torna-se ainda maior quando se pensa também na destruição ao meio ambiente e aos demais seres vivos.

Além de ver aprovada o projeto de lei para firmar no Brasil uma legislação que proteja os animais em situação de desastre, importante se faz estabelecer diretrizes que garantam a segurança das famílias que habitam em regiões de barragens. Que todos possam viver na certeza de que não estão expostos aos riscos desnecessários. Barragens exigem atenção especial porque com vidas não se brincam.

A exploração dos nossos recursos hídricos e minerais precisam ser, acima de tudo, feito de forma responsável. No caso das barragens hidrelétricas, a própria barragem é o maior ativo, enquanto que as barragens de rejeitos minerais, quando se explora o mineral e exaure-se ali aquela riqueza, acabam abandonadas.

Contudo, a construção de uma legislação que garanta segurança das barragens deve, acima de tudo, trazer estímulos às atividades. No caso da mineração,  é fundamental o seu desenvolvimento em Mato Grosso, cujo potencial explorado não chega a 1% da capacidade. Nosso Estado tem alto potencial para a exploração de minério. Nos próximos dois anos, por exemplo, está prevista a implantação, em Aripuanã, a 976 km de Cuiabá, uma mina de exploração de cobre, chumbo e zinco, associados a ouro e prata.

Importante também ressaltar que a mineração é fundamental também para a própria agricultura – carro-chefe da nossa economia, que se utiliza do calcário para fins de produção. Portanto, todos os estímulos são essenciais, desde que traga a marca essencial da garantia de que riqueza, desenvolvimento, geração de emprego, conjugadas com o equilíbrio do nosso ecossistema.

Wellington Fagundes é senador por Mato Grosso e líder do Bloco Parlamentar Vanguarda

Clique para comentar

Deixe um comentário

Please Login to comment
avatar
  Subscribe  
Notify of

Artigos

Música, mobilidade e o assédio no transporte público

Publicado

em

*Por Claudia de Moraes

No ano passado conduzimos um estudo que mostrou a evolução da mobilidade no Brasil através da música. No total, foram analisadas mais de 158 mil letras de músicas, com 361 delas efetivamente retratando mobilidade. Como critério principal, o tema deveria ter um papel importante na composição para que esta fosse selecionada.

Na década de 2010, o assédio no transporte público foi retratado em algumas músicas. Dois exemplos distintos pontuam o teor das canções: enquanto o Obinrin Trio canta em “Elas por elas” que “No busão, na rua, no metrô, na quebrada quero andar sem ouvir cantada, quero parar de ser invisível e fetichizada”, Farufyno mostra em “Um ônibus lotado” a visão de um homem que está paquerando a mulher, quando a vê ser assediada, e dá uma surra no agressor.

Infelizmente, o assédio às mulheres é uma prática bastante antiga. Ainda no Império Romano, o imperador Sila (138-78 a.C.) ordenou intervenção jurídica nos casos em que uma “mulher honrada” fosse ofendida publicamente. Nos últimos anos a discussão ficou mais forte, e diversas campanhas criticando essa prática foram criadas. Como exemplo, o movimento “Vamos juntas?”, idealizado pela jornalista Babi Souza com o objetivo de espalhar a ideia da sororidade (união e aliança entre mulheres, baseada na empatia e companheirismo) para que elas se unissem na rua inibindo, assim, violências como assédio e estupro.

O assunto voltou a estar em evidência nos últimos dias nas redes sociais. A série “Sex Education” retratou uma cena onde a personagem Aimee é vítima de um abuso em um ônibus. Além disso, o Big Brother Brasil 20 trouxe à tona uma estratégia de jogo de alguns homens que visava conquistar mulheres comprometidas para que elas perdessem credibilidade junto ao público. Por fim o novo single do cantor Jerry Smith, “Reladinha”, também foi criticado por muitos especialmente no Twitter, por supostamente conter conotação apelativa e sexual.

Embora a assessoria do artista tenha negado veementemente as suposições das redes sociais, afirmando que a real motivação da canção é reviver a trajetória do artista, que se locomovia diariamente de ônibus, se posicionando contra qualquer tipo de assédio, é importante salientar que as críticas se devem especialmente ao nome da música, associado ao fato de utilizar um ônibus como cenário. Neste caso, o ideal é nunca dar margem a interpretações de associação ao tema, que é muito delicado a todas as mulheres.

Um levantamento do Instituto Locomotiva e Instituto Patrícia Galvão de 2019 constatou que 97% das mulheres já foram assediadas no transporte público. Em 2018, foi sancionada a lei de importunação sexual que tem como objetivo punir o assédio, principalmente no transporte público, agravando a pena e punição para condutas criminosas. É extremamente importante que esse tipo de comportamento seja denunciado, a lei aplicada e que sejam adotadas, em conjunto com a penalização, medidas preventivas e educativas, para que o Brasil não continue sendo recordista em violência contra mulheres.

Claudia de Moraes é CEO da Younder

Continue lendo

Artigos

Polícia

Política MT

Várzea Grande

Cuiabá

Mais Lidas da Semana