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Cultura

Conheça Lia Amorelli: o nome por trás do maior carnaval do mundo

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A festa que corre no Rio de Janeiro é, na verdade, um Carnaval de superlativos: Blocos de rua levam milhões de pessoas para a folia,13 escolas de samba desfilam na Sapucaí, e outras dezenas de escolas desfilam na Intendente Magalhães e outras passarelas do samba, numa corrente de milhares de foliões que impõem cor, brilho e ritmo à cidade.

No entanto, os bastidores desta festa grandiosa nem sempre é conhecido do grande público, e nem tampouco divulgado pela grande mídia. Milhões de pessoas envolvem-se direta e indiretamente para que a festa aconteça. Dentre elas, o nome de Lia Amorelli destaca-se, não apenas por seu envolvimento com o carnaval, mas por seu posicionamento: “pra mim o carnaval sempre teve esse aspecto grandioso. É uma festa que gera muitas coisas positivas para a cidade do Rio de Janeiro, assim como para o estado e o país. No entanto, sempre tive uma visão do carnaval como representante da cultura brasileira, e não de forma pejorativa e simplista, reduzindo-o apenas a folia, e a corpos expostos, mulheres seminuas e cerveja. É muito mais do que isso.”

Lia Amorelli tem uma longa história de paixão e envolvimento com o Carnaval carioca, tanto como assessora de escolas de samba, como ritmista e jornalista, responsável por um dos maiores portais da internet referentes ao tema: “minha atuação sempre foi voltada para dar visibilidade aos bastidores do carnaval, ao processo de construção desta festa, e mostrar para as pessoas que a festa tem um outro lado, de geração de empregos, de renda e recursos, que influencia na hotelaria, turismo, comércio e na vida de milhares”. 

Lia tem buscado trazer visibilidade a escolas do Grupo de Acesso, assim como tantas outras que não participam dos desfiles na Marquês de Sapucaí: “muitos param suas vidas pessoais para se dedicar, pra que tudo fique perfeito para o grande dia, e poucos tomam conhecimento de como o carnaval impacta a vida das pessoas, e as dificuldade que as escolas tem de se manterem vivas. Me envolvo com isso, em divulgar os bastidores do carnaval, porque cresci inserida no contexto da Mocidade Independente de Padre Miguel, cresci dentro do samba, vendo muitas coisas e tentando aprender tudo que eu podia. O carnaval faz parte da minha história, de quem eu sou”. 

Apesar de tudo, Lia Amorelli afirma que não vai desistir do carnaval: “Fui uma das pioneiras da cobertura do carnaval da Intendente Magalhães, e trouxe visibilidade às escolas do Grupo de Acesso, e por isso tenho a atenção e carinho das respectivas diretorias. Eu cubro os desfiles da Marques de Sapucaí também, mas não deixo de lado as escolas do grupo de acesso, e as pessoas que constroem o carnaval e fazem dessa festa a maior do mundo. Todos são importantes para o panorama final. Não podemos desistir do carnaval”.

Cultura

Moradoras viram obra de arte em homenagem do Sesc Pantanal aos 240 anos de Poconé

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Os tradicionais quintais de conhecidas moradoras de Poconé, que chegam a receber mil pessoas em dias de festa de santo, são o cenário da homenagem feita pelo polo socioambiental Sesc Pantanal aos 240 anos do município, celebrado nesta quinta-feira (21/01). Dona Sebastiana, Dona Apolonia (in memoriam), Dona Leila, Dona Conlíria e Dona Negrinha viraram arte em espaços escolhidos por elas mesmas em suas casas. O registro artístico e histórico foi feito em grafite pelo artista visual Régis Gomes, que as retratou junto a seus santos de devoção.

 

Algumas das obras estão nos muros das casas e podem ser visitadas por moradores e turistas. Outras, quando o Projeto Quintais, realizado em anos anteriores pelo Sesc Poconé, for retomado. Na casa da Dona Leila, a opção foi por retratar somente os santos a quem ela é devota. Com as casas abertas ao público, os quintais recebem ações culturais em formato de intercâmbios com grupos de cultura popular de todo o país.

 

Berço das tradições poconeanas, os quintais de Poconé são um espaço de sociabilidade e fé, onde o sagrado e o profano se conectam. “É local onde a reza, a música e a dança se reúnem”, comenta a superintendente do Sesc Pantanal, Christiane Caetano.

 

Segundo ela, o melhor presente para uma cidade é a história das suas pessoas. “Poder retratar algumas das pessoas que fazem parte dos 240 anos de Poconé, registrar suas histórias e devoções é uma forma de homenageamos a cidade de forma simbólica, eternizando memórias”, completa.

 

Para a analista de Cultura do Sesc Poconé, Poliana Queiroz, que idealizou a homenagem e acompanhou toda a ação, o quintal é um lugar de vida e alegria para as famílias poconeanas, mas, em 2020, ficou sem receber visitantes, em decorrência da pandemia. Foi então que o Sesc Pantanal decidiu homenagear as pessoas e esses lugares tão acolhedores.

 

“No início, elas ficaram um pouco resistentes, principalmente pelo estigma que a palavra grafite carrega, até o Régis começar a pintá-las. Elas e as famílias assistiram todo o trabalho. Foi um momento de muita emoção acompanhar esse processo. Os quintais são locais de muita energia e essa ação ficará eternamente registrada, não só na parede, mas também na história e na memória de cada uma dessas mulheres, de suas famílias e da cidade”, enfatiza Poliana.

 

Aos 77 anos, dona Conlíria Vilibar da Silva Corrêa, que tem sete filhos, 18 netos e 14 bisnetos conta da alegria de ser uma das homenageadas pelo Sesc Pantanal, especialmente após um ano em que não pode receber pessoas em casa. Ela acompanhou a criação do artista, feita na varanda de casa, junto com a família, e se emocionou.

 

“Fiquei muito triste este ano porque já esperava as noites dos Quintais, que trazem alegria para nós. Por causa da pandemia, teve que parar tudo, ficar dentro de casa, naquela tristeza de não ver ninguém, mas Deus está conosco e logo estaremos de volta. Foi muito emocionante ser escolhida para essa homenagem, pois não esperava. Senti uma grande emoção por acompanhar a pintura e, ao final, todos nós aplaudimos”, lembra.

 

O local escolhido por ela foi a varanda de casa, onde recebe as pessoas, passa o dia todo conversando com os que chegam, entre filhos e netos, e fazendo seu caça-palavra. “Essa é uma lembrança muito boa que o Sesc Pantanal está me dando. Fiquei feliz, feliz demais. Poconé é minha vida, aqui nasci, cresci e vivo até hoje, onde construí minha família e amigos. Todos me conhecem. Nossa cidade é muito hospitaleira e todo mundo que chega não quer mais ir embora. Parabenizo Poconé pelos seus 240 anos de glórias, vitórias e que os anos vindouros sejam de muita luz e bençãos aos governantes e todos que aqui habitam”, ressalta dona Conlíria.

 

A pesquisa nos quintais 

 

A homenagem ao aniversário de Poconé surgiu de numa iniciativa já realizada pelo Sesc Pantanal no município. Foi a partir do projeto Quintais que surgiu o Núcleo de Pesquisa do Sesc Poconé, em 2019, com o objetivo de iniciar o registro dos saberes imateriais existentes na cidade de Poconé, a partir de quatro correntes.

 

São elas: poéticas que visam registrar a história de patrimônios vivos da cidade, práticas de cura que concentra a pesquisa nas práticas de benzeção e cuidado, cantos sagrados que está associado às rezas cantadas, rituais festivo-religiosos e patrimônios arquitetônicos, que será direcionado a memória social em torno das casas antigas e dos museus da cidade.

 

A analista de Cultura do Sesc Poconé conta que a vida no Pantanal ocorre de maneira sazonal, e os moradores da região organizam suas redes de relações de acordo com a cheia e a seca. “Essa temporalidade leva a criação de hábitos, saberes e símbolos que possuem grande densidade epistemológica e sociocultural que há muito tempo tem sido interesse de diversos pesquisadores do Brasil e por que não, do mundo”, conclui Poliana Queiroz.

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