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Benedito Gomes: Primeiro Presidente da Câmara de Várzea Grande

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Empresário bem-sucedido, pai de família exemplar e líder político respeitado por aliados e adversários, seu Benedito Gomes da Silva, foi um homem realizado.
“Graças a Deus, consegui criar os meus filhos e manter a família unida como sempre sonhei”, observava ele. Casou-se aos 23 anos com dona Maria Helena Gomes, seu Benedito possuía duas paixões: a família e o bate-papo com os velhos e novos amigos. Ele lembrava com saudades do tempo em que existiam a sinceridade na política e a fidelidade partidária, especialmente na época em que a União Democrática Nacional (UDN) e o Partido Social Democrático (PSD) bi polarizavam as disputas eleitorais,
Benedito Gomes da Silva nasceu em Várzea Grande, no dia 19 de agosto de 1920. Filho de Manoel Gomes e Ana Lopes Gomes, ele teve 12 irmãos e sempre morou no bairro da Manga, onde reside sua família até hoje. Desde a infância, auxiliava o pai em um pequeno comércio varejista de alimentos e produtos rurais. “Naquele tempo não existia inflação e tudo era barato”, o recordava.
O casal teve seis filhos, três homens e três mulheres: Antônio de Arruda Gomes (Totó), Berenice de Arruda Gomes, Carlos Gomes de Arruda, Douglas Gomes, Eva Gomes e Benedita Maria Gomes. “Nossa família é unida e sabemos dar valor a isso”, observou.
PRIMEIRO PRESIDENTE
Sempre atento aos fatos que aconteciam em Várzea Grande, Mato Grosso e no Brasil, seu Benedito Gomes ingressou na vida pública ainda muito jovem. Na Manga, participava das ações comunitárias dos poucos moradores que existiam no bairro, no início da década de 40. Já em 1945, participou efetivamente de uma eleição como cabo-eleitoral. Trabalhou para o marechal Eurico Gaspar Dutra, que disputou e venceu a presidência da República, e também para o doutor Arnaldo Estevão de Figueiredo, que foi eleito governador de Mato Grosso.
“Todos achavam que o Dutra ia perder, porque era de Mato Grosso: só que ele morou aqui pouco tempo”, lembrava Dito Gomes. A informação de que Dutra havia sido eleito presidente da República chegou a Várzea Grande quase dez dias após a conclusão do escrutínio dos votos. “É que a comunicação era muito difícil; precária mesmo”, justifica.
Quando Várzea Grande conquistou a sua emancipação político-administrativa, em 1949, seu Benedito Gomes atendeu à solicitação dos amigos para que se candidatasse à Câmara dos Vereadores, pela UDN. Ele aceitou o desafio. Foi terceiro vereador mais votado na eleição, conquistando 128 votos. A UDN elegeu quatro vereadores e o PSD apenas um Júlio Domingos de Campos, seu Fiote, porque na primeira legislatura a Câmara de Várzea Grande tinha apenas cinco parlamentares.
Apoiado pelos vereadores da UDN, seu Benedito Gomes foi eleito presidente do Poder Legislativo de Várzea Grande, em 18 de julho de 1949. Foi o primeiro presidente da Câmara Municipal.
PREFEITO POR 8 DIAS
Como maior orgulho da época em que foi presidente da Câmara, seu Benedito Gomes guardava em sua memória o período em que assumiu a Prefeitura de Várzea Grande, por oito dias. Ele recordava que foi uma contingência administrativa, porque o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) decidiu recontar os votos dos candidatos à Prefeitura Municipal.
Na primeira contagem de votos, o então candidatado do PSD, doutor Miguel Leite da Costa, havia recebido 608 sufrágios e proclamado eleito prefeito de Várzea Grande. Já o candidato da UDN, Gonçalo Botelho de Campos, teve 586 votos, porque uma urna do Distrito de Souza Lima havia sido impugnada pelo PSD. Dois meses após a posse de Miguel Leite da Costa, o TRE recontou os votos, validando a seção eleitoral de Souza Lima e Gonçalo Botelho de Campos venceu por uma vantagem de 11 votos. O PSD pediu recontagem e o TRE aceitou: novamente Gonçalo Botelho de Campos venceu por 11 votos.
Na transição de um prefeito para outro, Benedito Gomes governou o Município, porque era o presidente da Câmara. Ele recordava que naquele tempo a rivalidade política entre PSD e UDN era tão acirrada em que o prefeito derrotado Miguel Leite retirou a sede da Prefeitura Municipal e transferiu-a da Avenida Couto Magalhães para os fundos do Embauval, cerca de 200 metros atrás da Praça Aquidaban. “Naquela época, o Embauval era só mato e o prefeito Gonçalo Botelho tomou posse numa casinha que existia no meio do matagal, onde conseguimos instalar a Prefeitura de Várzea Grande”, recordava Dito Gomes.
ÚLTIMO PLEITO
Todavia, a eleição que mais marcou seu Benedito Gomes da Silva foi à disputa pela Prefeitura Municipal, em 1950. O então prefeito Gonçalo Botelho decidiu se candidatar a deputado estadual e deixou a chefia do Poder Executivo de Várzea Grande. Os correligionários da UDN decidiram lançar o seu Benedito como candidato a prefeito; pelo PSD, o candidato foi sei Fiote. “Eu sacrifiquei tudo nessa eleição”, observava ele, lembrando que não recebeu o apoio que esperava do então governador Fernando Corrêa da Costa.
Seu Benedito Gomes lembra que disputou o pleito palmo-a-palmo com Júlio Domingos de Campos. Ambos eram vereadores, mas tinham um eleitorado distinto. Ao final, perdeu a eleição para o seu Fiote por 116 votos de diferença. Seu Benedito Gomes acha que foi derrotado porque não tinha estrutura financeira para percorrer os distritos, onde seu Fiote recebeu as mais expressivas votações. “A gente percorria a casa dos amigos mais próximos a cavalo ou de charrete, mas não tínhamos dinheiro”, argumenta ele. Depois, seu Benedito cumpriu o seu mandato de vereador até 1953 e não se candidatou mais.
RELACIONAMENTO
Em 1952, seu Benedito ainda era vereador, mas assumiu a Exatoria de Várzea Grande, mas continuou acompanhando de perto o cotidiano político. Depois, ainda participou de algumas campanhas como cabo eleitoral. A que ele recordava com maior orgulho foi de 66, quando auxiliou o seu compadre Rachid Saldanha Derzi a conquistar uma cadeira no Senado da República. O s candidatos da região Sul (hoje Mato Grosso do Sul) enfrentavam muita resistência e raramente tinham boa votação na Grande Cuiabá e no norte do Estado.
Mas o trabalho de seu Benedito fez com que Saldanha Derzi fosse o candidato a senador mais votado em Várzea Grande, em 66.
ORIGEM DA MANGA
Benedito Gomes e seu pai Manoel Gomes são fundadores do bairro da Manga, um dos mais tradicionais da Cidade Industrial. Seu Manoel Gomes foi quem se incumbiu de registrar o nome de Manga para o bairro, no final da década de 40.
A origem do nome se deve à existência de um mangueirão para a travessia do gado, que começava na Manga e saía na Chácara do então fazendeiro Fenellon Muller, no atual bairro Ponte Nova. Por ali, o gado atravessava de Várzea Grande para Cuiabá, porque naquela época não existiam balsas e nem pontes. Para facilitar o trabalho dos boiadeiros, foi construído um mangueirão da Manga até a Ponte Nova, já que as famílias Gomes e Muller haviam autorizado a passagem do gado por suas terras.
Por isso, a população várzea-grandense se acostumou a chamar o local da região da Manga e, depois, bairro da Manga.
PRACINHA
Seu Benedito Gomes serviu o Exército Brasileiro em 1941, no 16º Batalhão de Caçadores (BC), hoje 44º Batalhão de Infantaria Motorizada, em Cuiabá. Depois, deu baixa, mas foi avisado de que deveria ficar pronto para retornar ao Exército, porque na Europa a II Guerra Mundial estava a todo vapor.
Em 1944, foi convocado como pracinha do Exército. Como era reservista, o treinamento que recebeu foi mais longo, e a primeira turma de Cuiabá seguiu para o Rio de Janeiro semanas antes. Ficou de prontidão, na Urca. Mas não foi preciso ir para a Europa, porque os Aliados já haviam conseguido vencer os nazistas. “Fiquei no Rio, fui promovido a cabo e depois voltei para Cuiabá, porque cabos estavam sobrando”, concluiu seu Benedito Gomes, bem-humorado.

 

 

Por Wilson Pires

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Novos tempos, novas comemorações e o novo Dia das Mães

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O Dia das Mães certamente ganha outro significado em tempo de pandemia, assim como todo contexto social mundo afora. As comemorações serão atípicas, nada da reunião familiar, do calor humano entre os filhos e mães, pois a priori a saúde pública vem em primeiro lugar.

Os beijos e abraços apertados não poderão ser frequentes e parte dos presentes, pois precisamos ainda cumprir as determinações das instituições para o bem estar social. Muitas mães fazem parte do grupo de risco e a real que precisaremos reinventar formas de estarmos juntos, ainda que separados.

No Reino Unido, por exemplo, houve campanhas para reforçar a necessidade de mães e filhos preservarem o distanciamento social com relação ao Dia das Mães, comemorado em março, principalmente as do grupo de risco. Então a pergunta é: como podemos não deixar essa data passar em branco?

Precisamos nos conscientizar que o isolamento social não é um isolamento emocional e, se tem algo que temos aprendido com essa situação toda do coronavírus é valorizar os laços familiares e emocionais. As opções não são muitas, mesmo com a tecnologia ao nosso favor. Podemos fazer uma videochamada em família, ter um contato visual-virtual, conversar e tentar minimizar esse afastamento com afeto e carinho de uma forma diferente, dado a necessidade momentânea.

Os presentes poderão ser adquiridos, o comércio, em partes está aberto, porém as vendas online (delivery) são a melhor opção, ainda que em tempo. Pesquisas apontam que mais de 60% dos brasileiros comprarão o presente de Dia das Mães por lojas online.

Diante dessa nova realidade, o fato é que precisamos ressignificar a data. Não teremos os shoppings e lojas movimentadas, os restaurantes e demais locais com a aglomeração, nem o tradicional almoço de domingo em família. Nesses novos tempos,   devemos celebrar o amor e a gratidão demonstrando que o Dia das Mães pode, será e é maior que os nossos desejos momentâneos.

Essa nova comemoração nos traz a oportunidade de perceber que a impossibilidade de abraçar, beijar e tocar nos faça enxergar o valor verdadeiro desses gestos. Ao falarmos ao telefone ou nos comunicarmos pela internet, escrever palavras em cartões e nas mensagens, talvez tudo isso não poderá agora dizer mais do que jamais puderam. Talvez, quem sabe, paradoxalmente, nesse Dia das Mãe atípico, passaremos a valorizar mais do que nunca as relações familiares, afetivas e emocional, em seu verdade e real sentido. Feliz Dia das Mães.

 Márcia Pinheiro é atual primeira-dama de Cuiabá, empresária e pós-graduada em Gestão Pública.

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