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Ataque ao candidato e ataque à democracia

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Rodrigo Augusto Prando

Um episódio há pouco – o esfaqueamento de Jair Bolsonaro – em ato de campanha, é inadmissível. Segundo informações, foram seis pontos para fechar o corte. Felizmente, seu ferimento será curado, mas as cicatrizes na democracia, na sociedade brasileira, permanecerão, por logo tempo, a causar incomodo, vergonha e medo.

É fato que o nível discursivo dos candidatos está num tom acima do aceitável, assaz virulento, de ataques pessoais, de desrespeito aos adversários, enfim, situação que, desde de 2014, tem deixado o país fraturado. Na guerra, há inimigos, que devem ser eliminados; na política, há adversários e, neste caso, há necessidade de convivência, do debate, do convencimento. O respeito deve prevalecer, pois, na democracia, o adversário hoje pode ser o aliado amanhã. Não faz muito, uma caravana de apoio ao ex-presidente Lula foi alvejada por tiros, comprovados, sem apresentação do autor dos disparos, após investigação. À época, fiz considerações repudiando o ataque, como faço agora: não se pode, jamais, em tempo algum, solapar a democracia, o Estado Democrático e de Direito, buscando ferir ou matar políticos, em campanha, ou no exercício do mandato. O ódio não pode prevalecer sobre a razão, sobre o interesse republicano. A vida, a liberdade e nossos bens são garantidos por nossa Constituição. O episódio de hoje apequena, avilta nossa democracia, não por ter sido contra um candidato, Jair Bolsonaro, mas por ter sido o “candidato”, seja qual for, de qual partido for, de qual ideologia for.

O ataque será, por certo, explorado à exaustão, pela campanha de Bolsonaro e pelos adversários. Qual será o impacto em sua intenção de voto ou em sua rejeição só será possível verificar, apenas, em nova rodada de pesquisa eleitoral. O tom da campanha de Bolsonaro é, sem dúvida, assentado em determinada agressividade discursiva. Poucos dias atrás, ele afirmou, em evento, publicamente, que deveriam “metralhar a petralhada”. Tal afirmação, infeliz, deve ser combatida e não há argumento que sirva de explicação: há, por exemplo, quem afirme que “isso foi só uma afirmação retórica, não um desejo de se concretizar um atentado”. Realmente, não creio que passaria pelas intenções do ex-capitão metralhar adversários, mas não foi a primeira vez que afirmações desse teor foram, por ele, proferidas. Os democratas devem, sempre, condenar a violência verbal e, sobretudo, a violência física, em todos os seus graus. Sobra violência e falta debate, faltam ideias, falta respeito e tolerância.

Enquanto escrevo, as informações e notícias, continuam chegando. O ambiente já de temperatura elevada, entrou em ebulição. Todos, indistintamente, saímos perdendo, no campo da política e no da civilidade. Espero que, a partir das notas divulgadas pelos candidatos, pelo Presidente Temer, tenhamos um ponto de inflexão, como elemento para repensarmos nossos caminhos, nossos rumos como nação. Nossa política, sabemos, não é das melhores, nossa representatividade padece de qualidade, mas essa política, a que temos, é melhor que a ausência da política. O fim da política e dos políticos significa a mudança da força do argumento pelo argumento da força.

Rodrigo Augusto Prando é Cientista Político e professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie. É Bacharel e Licenciado em Ciências Sociais, Mestre e Doutor em Sociologia, pela Unesp/FCLAr.

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Não conseguimos respirar

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Os recentes manifestos que aconteceram nos EUA e que se espalharam pelo mundo, por conta das INJUSTIÇAS cometidas por autoridades, veio com uma frase que nos chamou atenção: “NÃO CONSIGO RESPIRAR”. Isso nos remete a real situação dos servidores públicos de Várzea Grande que desde o início da Gestão Lucimar Campos (DEM) – maio de 2015 – vem gritando “NÃO CONSEGUIMOS RESPIRAR”, pois foram e continuam sendo ASFIXIADOS e SUFOCADOS pela prefeita que não trata os servidores com DIGNIDADE e que cometeu e vem cometendo diversos ATAQUES, como o não cumprimento de direitos garantidos em leis, deixando os servidores anos sem a recomposição salarial, 6 anos sem a progressão de carreira, 6 anos sem o pagamento dos retroativos (direitos represados), 6 anos sem o pagamento integral de 1/3 de hora atividades para os docentes, dentre outros direitos, empurrando os trabalhadores para uma situação de sofrimento e penúria.

E agora, em tempos de eleições, o candidato do seu grupo político vem fazendo mil e uma promessas, dizendo que desta vez vai reconhecer e valorizar os servidores, afirmando que vai assumir o compromisso com a categoria. Porém, nem se quer assinou a Carta-Compromisso com os Trabalhadores da Educação. O único dos quatro candidatos a prefeito que não assumiu esse compromisso. Os servidores de VG são inteligentes e não cairão no canto da sereia.

Mais recentemente, Lucimar deu um GOLPE e não pagou a revisão salarial nem aos professores e nem mesmo aos técnicos que estão amargando 4 anos sem o reajuste.

E agora, veio mais uma punhalada nas costas dos servidores. A Prefeita Lucimar (DEM) enviou para a câmara de vereadores um Projeto de Lei que aumenta o desconto da previdência de 11% para 14%.

Os trabalhadores não querem ficar ricos. Não querem nada que não é deles. Só querem o cumprimento das leis. Querem dignidade, ser respeitados, ser valorizados e principalmente, querem comida no prato. E isso não está mais sendo possível de se ter por conta das INJUSTIÇAS praticadas pela gestão Lucimar Campos contra os servidores que estão com salários congelados há mais de 4 anos, com um vencimento líquido abaixo de um salário mínimo.

É lamentável que em pleno século XXI, as injustiças, os maus tratos, o menosprezo, o descumprimento da legislação ainda imperam em VG. A Prefeita Lucimar Campos (DEM) deveria ficar envergonhada em imputar essa condição injusta aos trabalhadores. Já que VG é o segundo maior município de Mato Grosso e o terceiro mais rico do estado em arrecadação, no entanto, paga um dos piores salários para os servidores públicos dentre os municípios considerados mais pobres da baixada cuiabana como Acorizal, Barão, Jangada, Leverger e Poconé.

Todas as vidas importam!!!

Aliás, as reformas de praças públicas, mini estádios, a construção da Orla da Alameda (que estão sendo gastos mais de 17 milhões), são importantes, mas não são mais importantes que as vidas dos trabalhadores que vem sofrendo muito com os GOLPES dessa gestão Campos. Vem sendo castigados e lesados com enormes prejuízos financeiros em torno de R$ 250,00 a R$ 2.500,00 (dois mil e quinhentos reais) por mês, por falta de cumprimento da legislação que a prefeita não respeita, agindo de forma GOLPISTAMALDOSA e OPRESSORA, deixando os trabalhadores asfixiados com dívidas, pois o que recebem em seus vencimentos (abaixo de um salário mínimo) não está sendo suficiente até mesmo de se alimentar do básico.

Lucimar Campos não paga a recomposição salarial por pura MALDADE, não cumpre as leis de propósito, por falta de vontade política, por não respeitar e não gostar de valorizar o servidor, pois, somente nos meses de janeiro à abril de 2020, segundo documento da própria prefeitura, houve uma sobra de quase 7 milhões dos recursos 60% do FUNDEB (recurso exclusivo para pagamento salarial dos profissionais da educação).

Por que a Prefeita Lucimar Campos SUBESTIMA, DESPREZA e expõe duramente os servidores, retendo parcela significativa de seus salários, enquanto reforma quase todas as praças da cidade? Qual é a prioridade da prefeita, da mãe e mulher que governa o município?

O efeito dessa política nefasta de massacredesvalorização, da falta de vontade da prefeita Lucimar para atender as reivindicações dos trabalhadores, está fazendo com que muitos servidores peçam exoneração do cargo e, os que permanecem estão ficando doentes com câncer, depressão, stress e outras doenças. Estão morrendo sem conseguir usufruir dos seus direitos, provocando revoltas, indignação e protestos contra a atual administração.

Que condição é essa de AMARCUIDAR e ACREDITAR da administração Lucimar Campos que só semeou maldades aos servidores? Qual é a razão de tantas INJUSTIÇAS contra os servidores?

“NÃO CONSEGUIMOS RESPIRAR!!!” Estamos asfixiados pela gestão Lucimar Campos!!!

Vidas dos servidores importam!!!

28 de outubro – Dia do Servidor Público – NADA A COMEMORAR!

Por Juscelino Dias de Moura,  presidente do Sintep/VG

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