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A reforma administrativa não efetiva

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Os dados do Relatório Resumido da Execução Orçamentária (RREO) do 1º bimestre do exercício de 2019 do estado de Mato Grosso, publicado no site da Secretaria de Estado de Fazenda (SEFAZ), mostra que as receitas correntes arrecadadas somaram R$ 2,52 bilhões. Se adicionarmos o valor das receitas intraorçamentárias, o valor total aumenta para R$ 2,79 bilhões. O mesmo relatório mostra que as despesas correntes empenhadas, que inclui pessoal, somaram R$ 2,13 bilhões. Se adicionarmos as despesas intraorçamentárias, o valor total aumenta para R$ 2,41 bilhões.

Olhando só o 1º bimestre vamos encontrar superávit corrente de R$ 393 milhões ou R$ 377 milhões, com ou sem as receitas e despesas intraorçamentárias, respectivamente. Pelo relatório do 1º bimestre já podemos ver um resultado fiscal positivo de 15,59% de receitas sobre despesas do exercício. Quando comparamos com o resultado do mesmo período de 2018 também já podemos calcular um resultado positivo de aproximadamente R$ 400 milhões, porque no resultado de 2018 foi apontado um déficit de R$ 151,27 milhões.

Quando forem publicados os dados do 2º bimestre de 2019 as receitas correntes do Estado deverão ultrapassar os R$ 5,60 bilhões, sem as receitas intraorçamentárias, contra uma despesa de aproximadamente R$ 4,80 bilhões, sem as despesas intraorçamentárias e incluindo as despesas de pessoal. O resultado do segundo bimestre deverá ser muito melhor que o do 1º bimestre, porque na arrecadação do segundo bimestre já devem entrar as receitas do Fundo Estadual de Transporte e Habitação (FETHAB). O superávit corrente do 1º quadrimestre deverá ultrapassar os R$ 600 milhões.

Os dados da execução do 1º quadrimestre de 2018, publicados no site da SEFAZ, apontam que as receitas arrecadadas nos primeiros quatro meses do ano somavam R$ 4,63 bilhões. No mesmo quadro do RREO as despesas empenhadas até o 2º bimestre somavam R$ 4,78 bilhões. Esse total estava assim distribuído: R$ 3,07 bilhões com despesas de pessoal, R$ 176,75 milhões com dívidas e R$ 1,53 bilhão com outras despesas correntes. Se fizermos os cálculos vamos observar que naquele ano havia um déficit corrente de R$ 151,27 milhões.

Os resultados dos quatro primeiros meses de 2019 deverão apontar um crescimento de receita arrecadada de pelo menos 10%, enquanto o crescimento da despesa não deve aumentar significativamente. Se o Governo não concedeu os RGA’s de 2017 e 2018 para o funcionalismo do Executivo, é obvio que deverá haver superávits crescentes em 2019, à custa unicamente do corte de salários. Com resultado positivo nos meses inicias de 2019, já há margem para o Governo negociar com os servidores que estão sem receber a reposição da inflação desde 2017.

O corte de salário dos servidores que ocorre pela perda inflacionária fere as leis e as Constituições Federal e Estadual, porque a reposição de perdas inflacionárias não pode ser considerada como aumento de salário.  Sem o crescimento da massa de salários dos servidores no Estado, tanto as famílias quanto o comércio empobrecem. As famílias, pela restrição de orçamento que devem fazer. O comércio, pelas perdas nas vendas. Sem renda o servidor não compra e o comerciante não vende ou vende menos. Sem os salários dos servidores, o comércio vai cada vez mais vai afundando no círculo vicioso que empurra a economia para a desaceleração. O Estado poderá entrar num círculo virtuoso melhor no segundo semestre de 2019 se o Governo fizer a reposição das perdas inflacionárias dos servidores do Poder Executivo.

A reposição das perdas inflacionários dos anos 2017 e 2018 restabeleceria o volume de massa salarial da economia do Estado e também a confiança do mercado nos rumos da Gestão Pública. De outra parte, os prejuízos político e moral do Governo poderão ser muito grandes se forem mantidas as condições de perdas exclusivas só para os servidores do Poder Executivo, uma vez que o Estado tem recuperado as condições fiscais para pagamento.

Nilson é economista e Gestor Governamental do estado de Mato Grosso.

Por: Nilson Antônio Batista

 

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Estamos em guerra contra o mesmo inimigo

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Em março deste ano Cuiabá começou uma guerra contra um inimigo invisível: o coronavírus, causador desta doença terrível que é a COVID-19. O que muita gente não sabe, é que a Prefeitura começou a se armar para este combate em janeiro, quando ainda não tínhamos nenhum caso no Brasil. Nossa valorosa equipe técnica da Saúde enxergou que teríamos dias difíceis e começamos a nos organizar em fevereiro, fazendo a aquisição de insumos, EPIs e equipamentos para nossos hospitais. Também montamos um comitê com os mais diversos especialistas, que desde então vêm fazendo estudos e norteando as ações tomadas pela gestão frente à pandemia.

Todos nós da Secretaria Municipal de Saúde, juntamente com o prefeito Emanuel Pinheiro estamos trabalhando muito, até bem tarde, sem direito a sábados, domingos e feriados. Se administrar uma secretaria de saúde já é um desafio imenso, com milhares de problemas, imagine o que é conduzir uma secretaria de saúde durante uma pandemia? É algo inimaginável! Os problemas, que já eram muitos, não param de se multiplicar e é preciso resolver cada um deles para a engrenagem continuar a funcionar.

Neste momento todos nós, sem exceção, temos apenas um inimigo: o coronavírus. As medidas de contenção que tomamos ainda em março foram para diminuir a velocidade de transmissão do vírus para dar tempo de organizarmos nossos hospitais, pois sabíamos que teríamos muitas pessoas doentes. E conseguimos nos organizar.

Mas, como aconteceu no resto do mundo, além da população ficar doente, nossos profissionais de saúde começaram a ficar doentes também. Esse vírus é altamente contagioso, e, mesmo com todo o cuidado, muitos profissionais da saúde adoeceram. Para esses, que estão na linha de frente, cuidando da população, salvando vidas, eu só tenho a agradecer. Vocês são verdadeiros heróis, que honram as profissões que escolheram. É preciso gostar de gente para cuidar de gente, e vocês, médicos, enfermeiros, técnicos e auxiliares de enfermagem, fisioterapeutas, psicólogos, entre vários outros profissionais que atuam na linha de frente merecem o agradecimento e a admiração de toda a população.

Quando eu falo dos profissionais que se acovardaram, em momento algum me refiro a estes que estão lutando para salvar vidas. Também não me refiro aos que estão afastados por serem do grupo de risco, seja por idade ou por comorbidade. Me refiro aos que entraram com pedido de afastamento usando atestados sem terem motivos reais para isso. Tivemos pedidos de afastamento de mais de 1500 profissionais da saúde desde que a pandemia começou e cada pedido destes foi periciado. Muitos destes pedidos foram indeferidos pelo médico que fez a perícia, pois ele constatou que não havia motivos para estes profissionais não trabalharem. São esses profissionais que eu disse que se acovardaram, pois ao invés de se juntarem às equipes que estão combatendo a pandemia, decidiram se esconder atrás de um atestado fajuto.

Peço desculpas aos profissionais da saúde que estão na linha de frente do combate à pandemia e que se sentiram ofendidos pela colocação que eu fiz. Tenham certeza de que a minha fala não foi direcionada a vocês. Como filho de médico que sou, tenho um grande respeito por quem trabalha nesta área, de maneira séria e comprometida.

Neste momento venho a público pedir que todos nós nos unamos para ganharmos essa luta contra o coronavírus. Estamos fazendo todo o possível para continuar salvando vidas. Estamos correndo contra o tempo para abrir mais 40 leitos de UTI na próxima semana, para que mais pacientes tenham chance de sobreviver. Agora não é hora de brigas políticas, de boicotes, de acusações… Agora é hora de união contra este inimigo que já ceifou mais de 60 mil vidas no país e quase 200 só aqui em Cuiabá. Precisamos do apoio da União, do Governo, dos Conselhos de Classe, sindicatos, dos políticos, da imprensa e de toda a população para vencermos este vírus. Nós, gestores e os profissionais da saúde não somos o inimigo! Nós estamos trabalhando arduamente para salvarmos vidas! Precisamos de toda a ajuda possível para ganharmos esta guerra e voltarmos ao normal. E só vamos ganhar se estivermos unidos!

 

Luiz Antonio Pôssas de Carvalho – Secretário Municipal de Saúde

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