Desvio milionário em contratos hospitalares durante a pandemia miram em Gilberto

Nesta quinta-feira (07), o Ministério Público do Estado de Mato Grosso (MPMT) apresentou denúncia contra 22 indivíduos, entre agentes públicos e médicos empresários, acusados de crimes que incluem organização criminosa, peculato e fraude a licitações. As acusações referem-se a contratos públicos de prestação de serviços hospitalares e médicos em hospitais regionais e municipais em Mato Grosso.

A denúncia, decorrente de investigações da Operação Espelho, conduzidas pela Delegacia de Combate à Corrupção (Deccor), destaca que os crimes ocorreram durante a pandemia de Covid-19. Os denunciados são acusados de se aproveitarem da situação de calamidade pública para coordenar um esquema milionário de manipulação nas contratações de serviços médicos e hospitalares entre 2020 e 2021.

O Ministério Público alega que os acusados utilizaram informações privilegiadas e combinaram preços, sem qualquer pesquisa de mercado ou competitividade, resultando em um verdadeiro “jogo de cartas marcadas” para distribuição das contratações com o poder público. A denúncia aponta superfaturamento por inexecução, pagamentos não comprovados de plantões médicos, entre outras irregularidades.

Os médicos e empresários Luiz Gustavo e Osmar Chemi são apontados como líderes da organização criminosa, que atuava por meio das empresas LGI Médicos Ltda, Intensive Care Serviços Médicos e Bone Medicina Especializada Ltda. A estrutura da organização era caracterizada pela divisão de tarefas entre seus integrantes.

O MPMT busca a reparação dos danos causados aos cofres públicos no valor de R$ 57,5 milhões e a declaração da perda dos cargos públicos de três denunciados. As investigações continuam, com sete inquéritos em andamento para revelar novos fatos criminosos relacionados à prestação de serviços médicos e hospitalares em diversos municípios.

O promotor de Justiça Sérgio Silva Costa destaca que o esquema não apenas causou prejuízo ao erário, mas também expôs a risco de vida milhares de usuários do sistema público de saúde durante o período crítico da pandemia. A denúncia aponta ainda a participação ativa de servidores no direcionamento das licitações, comprometendo a transparência e eficiência do processo.

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