Polícia

Advogados são espancados por policiais militares em Cuiabá; OAB exige punição; vídeos

Três advogados foram agredidos na noite desta segunda-feira por policiais militares quando exerciam a profissão. O caso ocorreu no bairro Pedregal, em Cuiabá, e mobilizou a diretoria da Ordem dos Advogados do Brasil seccional Mato Grosso (OAB-MT).

Os advogados agredidos são: Rodrigo Marinho, Márcio Camargo e Ariane Ferreira Martins.

Em relato, o advogado Rodrigo Marinho informou que foi acionado por familiares de um cliente que a Polícia Militar havia o abordado no bairro Pedregal e estalhe lhe agredindo. Ele se deslocou ao endereço da ocorrência e encontrou seu cliente apoiado no muro sendo agredido por uma guarnição.

Marinho contou que se identificou aos policiais, mas foi orientado a “ficar longe”. Em seguida, os militares se dirigiram ao cliente dele. “Parabéns, seu advogado acaba de te prender”.

Na sequência, os policiais se dirigiram ao advogado e ficaram questionando qual era o seu carro. Como ele se recusou a falar, os militares orientaram todos que presenciavam o fato a retirarem seu veículos, pois iria chamar o guincho.

O advogado, então, foi retirar seu carro e os policiais o “fecharam”. Ele, então, solicitou apoio dos advogados Márcio Camargo e Ariane Martins, pois temia por sua segurança.

Quando os advogados chegaram, os policiais pegaram as identidades funcionais de todos e começaram a acusá-los de responderem processos. Eles ainda ameaçavam os profissionais.

Temendo por alguma agressão, o advogado Márcio Camargo começou a filmar a situação. Foi quando passou a ser agredido, algemado e colocado no camburão pelos militares.

Marinho se afastou um pouco e começou a filmar as agressões ao colega e enviar os vídeos para o WhatsApp da esposa. Também pediu que ela acionasse a diretoria da OAB de Mato Grosso.

Os militares perceberam a gravação e foram abordá-lo. Ele contou que também foi agredido e temeu por sua vida quando um dos policiais pegou um spray de pimenta e queria dispará-lo em sua boca.

“Comecei a gritar por socorro. Lembrei do caso da PRF, que mataram uma pessoa no porta-mala de um veículo. Mas consegui fechar a boca”, relatou.

Em seguida, foi colocado em um camburão, onde seguiu sendo agredido. Na sala de registro de ocorrência da Polícia Militar no Cisc Verdão, os advogados voltaram a ser agredidos.

“Um deles, o subtenente Jardel falava que tinha 26 anos de polícia, já tinha prendido até juiz, que dirá um advogado”, citou.

As agressões só cessaram quando a Ordem dos Advogados se fez presente.

Segundo Marinho, o delegado plantonista não lavrou qualquer termo contra os advogados porque o relato no boletim de ocorrência não condizia com as agressões sofridas, nem com os vídeos fornecidos. “Delegado viu o vídeo que era totalmente contra o BO deles, que falava que tinhamos xingado, chamado eles de vagabundo. Delegado ficou naquela de dar voz de prisão, mas não conseguiu identificar todos eles e não lavrou nada contra nenhum advogado”, explicou.

OAB SE MANIFESTA

Acionado para prestar apoio aos colegas de profissão, o advogado Ulisses Rabaneda relatou que ficou comprovado a arbitrariedade na conduta dos policiais militares.

“Conversamos com delegado, mostramos para ele a arbitrariedade da condução pela PM e o delegado já nos afiançou que não vai lavrar nenhum procedimento contra os advogados. O que para nós é muito mimportante, porque fica comprovado que esses advogados não praticaram nenhuma ilicitude”, colocou.

Ele citou ainda que a Ordem vai buscar a punição aos militares envolvidos. “Pegaremos esse procedimento, as imagens que temos e levaremos isso a corregedoria da PM e cobraremos medidas duras, firmes, providências nesse caso”, completou.

Presidente do Tribunal de Defesa das Prerrogativas, André Stumpf também afirmou que a instituição buscará punições aos militares. “A lavratura desse boletim de ocorrência é um absurdo, uma barbaridade tudo aquilo que eles narraram. Vamos acompanhar e vamos representar esses policiais militares, que vão precisar contratar advogados, seja civilmente, criminalmente e administrativamente. Vão saber da importância que o advogado tem”, assinalou.

“Não deixaremos que isso passe em branco. todas as medidas serão adotadas”, finalizou.

Nesta tarde, os advogados agredidos e uma comitiva da OAB vão se reunir com o juiz da Vara Militar, Marcos Faleiros.

A Corregedoria da Polícia Militar ainda não se posicionou sobre o caso.

por Gilson Nasser

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *