Polícia

Educadora popular sofre transfobia em escola de Mato Grosso

Paulo Ricardo – MT de Fato

A cantora e professora Seven Mônica do projeto “Cultural Conexão das Artes – Pedagogia de Rua”, sofreu transfobia por uma das professoras da Escola Estadual Eucaris Nunes Cunha Morais, fato ocorrido em Poconé (140 km de Cuiabá), enquanto ela estava em trabalho como Oficineira de MC. Além da Seven, outras duas participantes do grupo “Favelativa” que coordenavam as ações dentro da unidade escolar, fizeram o Boletim de Ocorrência contra o crime de preconceito, censura e transfobia (lei nº 7.716/89).

O grupo que foi até Poconé recebeu um convite para realizar atividades culturais com seus alunos, durante quatro dias e dentre as ações seriam abordados temas como o racismo, LBTGQIA+fobia e demais formas de preconceitos existentes na sociedade. O projeto ainda propôs a produção de expressões artísticas, dentre elas uma música feita pelos discentes, que teve como supervisora a Seven.

A vítima sentiu que desde que chegaram na escola já havia algumas pessoas com risadinhas e tentando intimidá-las, e mesmo assim se dispôs a continuar a oficina de MC ao qual lecionava e estava até criando conteúdos artísticos com os alunos.

A confusão começou quando alguns pais dos alunos tentaram boicotar o projeto cultural pedindo para os alunos não participarem, e assim foi disponibilizada outra forma de avaliação que substituísse a participação das oficinas, mas os alunos gostaram tanto das atividades que quiseram continuar tendo aulas com a cantora.

O momento que culminou na transfobia foi quando Seven utilizou o banheiro feminino e foi interpelada por uma das profissionais da escola. O diretor da escola e a professora que convidou o grupo cultural vendo o crime fizeram de tudo para acolher a MC e toda a equipe da Favelativa que estava no local.

Em entrevista exclusiva ao MT de Fato, Seven expôs como se sente após o caso.

“Eu me sinto arrasada! Ainda me sinto com muito medo, da reação das pessoas que ainda são abitoladas, em relação ao que é ter uma mulher trans lecionando em uma escola”, disse a MC.

Em nota oficial a Favelativa se posicionou:

https://www.instagram.com/p/Cj6vsUGsgF7/?igshid=YmMyMTA2M2Y=

https://www.instagram.com/p/Cj6a5Y6JKCz/?igshid=YmMyMTA2M2Y=

Transfobia

Brasil é o líder mundial da transfobia, só no último ano, foram 140 assassinatos de travestis e transexuais mapeados pelo dossiê da Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra), divulgado nesta sexta-feira, 28, véspera do Dia do Orgulho Trans. Mas esse total esbarra em subnotificação dos casos, falta de uma coordenação a nível federal do levantamento e desrespeito à identidade de gênero das vítimas, suscetíveis a sofrerem uma “segunda morte” nos registros de óbito.

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