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Cultura

Vinho de Jabuticaba é fabricado artesanalmente por agricultora familiar

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Quem visita a produtora rural Iracy Serenini Falácio, de 60 anos, se surpreende ao degustar uma bebida artesanal produzida com frutas vindas diretamente do seu quintal. Moradora da comunidade Lar Benvindo, no município de Mirassol D’Oeste (300 km a Oeste de Cuiabá), dona Iracy produz, a cada temporada, mais de 50 litros de vinho de jabuticaba, que se tornou famoso na região. A bebida, produzida na propriedade há mais de quatro anos, não possui nenhuma adição de produtos químicos, e fica pronto para o consumo após 50 dias de preparo.

A produtora também é conhecida na região pela produção de doces em compota, cristalizados e em barra, requeijão e licor. Na propriedade em que mora há um pomar no quintal, com diversas frutas tais como jabuticaba, figo, goiaba, banana, caju, jaca, manga e outras. Ela explica que com a fruta da jabuticaba faz geleia, licor, bolo, suco e vinho. “Quando fizemos aqui em casa pela primeira vez o vinho, os clientes ficaram interessados e gostaram do sabor, desde então, continuamos a produzir, mesmo que em pequena escala”, explica.

Ela recorda que em 2010 recebeu a receita da extensionista da Empresa Mato-grossense de Pesquisa, Assistência e Extensão Rural (Empaer), Maria da Conceição Saminêz Silva, e fabricou o vinho pela primeira vez, com uma produção de 19 litros. Este ano, já produziu mais de 50 litros de vinho e está comercializando na região por R$ 25,00 a garrafa. “Gostaria de aumentar a produção, mas a saúde hoje não ajuda muito. Para produzir vinho é necessário gostar da atividade, ter capricho, dedicação, higiene e paciência,” enfatiza.

A família trabalha na propriedade há 32 anos. O seu marido Luiz Roberto Falacio é o funcionário responsável pela lida com bovinos de corte e serviços gerais, e a filha Rosiely de Fátima Falácio ajuda na produção de doces e vinho. No pomar, as jabuticabas são selecionadas para a produção de vinho, lavadas e depositadas em um tambor de 50 litros, e ficando em infusão por 40 a 50 dias. A produtora explica que é necessário macerar a fruta a cada três dias, mexendo no tambor, além de verificar o grau de fermentação e experimentar o produto.

A extensionista da Empaer, Maria Conceição, destaca que a produtora atende as Boas Práticas de Fabricação (BPF) tanto na produção de doces como de vinho. Conforme Conceição, foram repassadas informações e orientações sobre a manipulação, o preparo e o armazenamento das frutas. Desta forma são obtidos benefícios, entre eles, menor desperdício, produção mais econômica e menor risco para a população consumidora.

Conforme Conceição, a elaboração de vinhos e doces para consumo próprio é uma prática observada com frequência na agricultura familiar. O vinho, mesmo quando produzido em pequena escala, é um dos produtos que podem ser comercializados pelo agricultor, viabilizando economicamente a propriedade e contribuindo para a renda da família.

Receita de vinho

Para a produção do vinho, a extensionista da Empaer sugere uma receita que pode ser feita em casa e destaca os únicos ingredientes: jabuticaba e açúcar. Ela explica que para cada 10 litros de jabuticabas inteiras é necessário usar um quilo de açúcar. A seguir, o modo de preparo: estoure as jabuticabas e coloque-as numa vasilha de plástico, cubra a superfície do suco com açúcar, tampe bem e deixe em descanso de 15 a 30 dias. Após este tempo, coe todo o suco utilizando uma peneira fina.

Segundo Saminez, é importante observar o teor de álcool (natural). Caso esteja baixo, pode ser acrecentado a gosto álcool de cereais à 40 graus. O líquido, no ponto certo, deve ser colocado em garrafas por um período de três meses. Durante este período, sacudir um pouco as garrafas para saída do gás. “Não sendo adotada esta medida, há o perigo de estourar a garrafa ou soltar a rolha, prejudicando a conservação do vinho que deve ter, na medida do possível, o teor alcoólico apenas da fruta”, concluiu.

Cultura

Artistas e produtores analisam mudanças na Lei Rouanet

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Artistas, produtores e representantes de entidades culturais se manifestaram hoje (24) sobre as mudanças promovidas pelo governo federal na Lei Federal de Incentivo à Cultura, antes conhecida como Lei Rouanet. As medidas alteram os limites de projetos financiados, a distribuição geográfica dos recursos e criam exceções para algumas categorias de incentivos. As novas regras estão publicadas no Diário Oficial da União de hoje (24)

As novas regras foram antecipadas pelo presidente Jair Bolsonaro na semana passada e anunciadas pelo ministro da Cidadania, Osmar Terra, ontem (22). O teto dos projetos financiados foi reduzido de R$ 60 milhões para R$ 1 milhão. O máximo que uma empresa pode financiar na modalidade incentivada cai de R$ 60 milhões para R$ 10 milhões. A norma passará a ser chamada pelo seu nome, Lei de Incentivo à Cultura.

As mudanças preveem um foco maior nos estados para além do eixo Rio de Janeiro-São Paulo. Foram introduzidas novas exigências, como a ampliação do percentual de ingressos gratuitos, que deverão ser assegurados entre 20% e 40%. Terão tratamento especial tipos específicos de incentivo, como para projetos envolvendo patrimônio tombado, construções de teatro e cinemas em cidades pequenas e planos anuais de museus e orquestras.

A representante do Brasil no Comitê Internacional de Museus (ICOM – Brasil), Renata Motta, destaca a importância de terem sido excluídos do limite projetos de restauro de patrimônios tombados e planos anuais de museus. Essa exceção pode assegurar a recuperação do Museu Nacional, no Rio de Janeiro, e o Museu do Ipiranga, em São Paulo.

Mas ela pontua que pode haver impactos em exposições montadas fora dos planos anuais dos museus. “Há empresas que atuam há muito tempo e que realizaram mostras muito importantes em espaços como o CCBB [Centro Cultural Banco do Brasil], como a sobre o pintor Paul Klee”, exemplifica Renata Motta.

Descentralização

Em entrevista à Agência Brasil, a professora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) Glaucia Campregher, que atua na área de economia da cultura, destaca que a descentralização é importante e que o foco em outros estados distintos do Rio de Janeiro e de São Paulo é um propósito relevante, assim como a redução dos limites. Mas ela pondera que há ainda muita desinformação sobre a lei, com a ilusão de que o mecanismo funciona com o repasse de dinheiro pelo governo a artistas.

A acadêmica lembra que o incentivo opera de outra forma, com o Executivo habilitando projetos que vão ser financiados ou não pelas empresas, que decidem no fim onde os recursos vão ser alocados. Por isso, as novas regras ainda dependem de como as empresas vão atuar na prática. “Temos que ver como é que vão ser os comitês de avaliação dos projetos, como empresas vão reagir a isso, como é que vai ‘pegar’.”

Empregos

Na opinião da produtora cultural Andreia Alves (responsável por espetáculos de renome como o sobre Elza Soares), as mudanças poderiam ter sido precedidas de um diálogo maior com o setor cultural para avaliar os impactos, que podem comprometer postos de trabalho. Segundo ela, a cadeia produtiva da cultura emprega atualmente cerca de 1 milhão de pessoas no país.

“Acho que faltou uma discussão qualificada antes de tomar essa resolução. Principalmente com relação ao que vai ser afetado com essa redução drástica do teto, de ser R$ 1 milhão por projeto, a gente está falando de redução de empregos drástica de um setor que emprega muito”, sublinha a produtora.

Outros mecanismos

Para o secretário de Cultura do Ceará e presidente do Fórum de Dirigentes Estaduais de Cultura, Fabiano Piúba, a alteração pode dificultar projetos com orçamentos maiores do que R$ 1 milhão. Mas, em sua opinião, a discussão para o problema da centralização geográfica do financiamento da cultura passa também pelo fortalecimento do Fundo Nacional de Cultura (FNC), formado por verbas do Tesouro Nacional e de loterias.

“A gente está num pedaço do debate. A questão substancial da democratização do acesso e da desconcentração de recursos é o fortalecimento do Fundo Nacional de Cultura. É isso que o fórum defende. Este é o instrumento mais adequado para que os recursos possam chegar aos estados e municípios. E faltam recursos para este instrumento”, analisa Piúba.

O diretor da Associação de Produtores de Teatro (APTR), Eduardo Barata, também destaca a importância do fundo. Para ele, o instrumento mais adequado para a política pública de desconcentração do financiamento da cultura seria o FNC.

“O Fundo Nacional de Cultura foi criado para essa função, desconcentrar, apostar na inovação e atender a regiões que não serão contempladas no mecenato”, avalia.

Fonte: Agência Brasil

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