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Selma,a breve!

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Digo com muita tristeza que o ingresso da ilustre (ainda) Senadora Selma Rosane no intrincado campo da política partidária teve dois efeitos absolutamente danosos e antagônicos: ao mesmo tempo em que a sociedade perdeu uma excelente juíza de direito, que estava próxima de uma promoção ao segundo grau da magistratura, mas não ganhou absolutamente nada com a nova carreira de política. Ela se perdeu por completo em alguma parte do caminho, entre o momento da difícil decisão de abandonar a toga e entrar na arena política, fazendo que com que se tornasse uma pessoa irreconhecível.
É bem recente, porque a campanha e a eleição ocorreram há poucos meses, o discurso por ela proferido contra os sem-terra, o que nos envergonha, porque ela se referia aos moradores da fronteira Brasil-Bolívia. Naquelas terras, desde o Século XV, quando o Papa determinou à Companhia de Jesus e aos padres jesuítas para catequizarem os povos indígenas, sabe-se que os índios Chiquitano (e outras minorias) são perseguidos pelo capitalismo (fazendeiros, traficantes, madeireiros, garimpeiros etc.).
Alguns Chiquitano conseguiram se refugiar nas reduções (igrejas) dos Jesuítas, mas outros são perseguidos até hoje e se transformaram em despossuídos sem-terra. Apanham da polícia, dos traficantes, dos militares do Brasil e da Bolívia, e no ano passado foram discriminados publicamente pela juíza-candidata. Outra infelicidade foi o comentário jocoso contra os servidores públicos, tratados por ela como sendo improdutivos, fato que mereceu repulsa pública, já que citou alguns maus exemplos e os aplicou a todo o conjunto dos servidores públicos, uma injustiça.
A Ação de Investigação Judicial proposta pelo Ministério Público Eleitoral contra a Senadora Selma, eleita pelo Partido Social Liberal (PSL), traz informações de arrepiar o mais comedido dos políticos. É acusada de, no pleno exercício da magistratura, contratar serviços de assessoria com finalidade eleitoral, e que teria recebido financiamento de um parceirão do agronegócio. Creio que as informações sejam de conhecimento de todos, portanto só registro que a investigada é acusada de cometer abuso de poder econômico, um aspecto do famoso Caixa Dois, infração em que são acusados diversos políticos eleitos pelo mesmo partido político, o tal PSL, em Minas, Paraná, São Paulo e Pernambuco.
Algumas práticas de Selma Rosane impressionam porque representam o choque entre o seu discurso público, a sua carreira na magistratura e a prática evidenciada nos autos. Diz-se que a Senadora eleita reuniu-se com o PSL quando ainda com vínculo de magistrada, contratou serviços visando candidatura e gravou conversas com interlocutores sem autorização destes (Kleber Lima).
Já com a ação de cassação em curso no Tribunal Regional Eleitoral, disse que era vítima de extorsão, e se manifestou publicamente contra os condutores do seu processo judicial. Por ela foram apresentados pedidos de suspeição contra seus julgadores, uma prática bastante utilizada por uns maus políticos (e condenada por ela, quando juíza).
O Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso possui um débito com a sociedade mato-grossense, desde o episódio da “ata” que envolveu Pedro Taques e Medeiros nas Eleições de 2010, um caso que demorou uns oito anos para obter a solução definitiva. Por muito tempo o nosso Estado teve o honroso cargo de Senador Provisório, e espera-se que no episódio Selma a justiça seja bem mais célere. Mesmo que obtenha um recurso favorável, que suspensa a cassação do mandato, as dúvidas suscitadas em relação à juíza-política a perseguirão por muito tempo.
Vilson Pedro Nery, advogado militante no Direito Eleitoral

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Parabéns Barra do Bugres pelos seus 75 anos!

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Sou filho desta terra, nasci em 31 de março de 1976, em uma propriedade rural, na comunidade Santana D’Oeste, em Barra do Bugres. Sou filho do saudoso produtor rural Aureliano Francisco de Lima, e da professora Marilene Guarnieri de Lima. Muito cedo passei a morar na sede do município onde fui engraxate, vendi picolé, limpei lotes, trabalhei em serraria, fui guarda mirim, servente de pedreiro, trabalhei em mercearia, e hoje empresário. Tenho orgulho de minha trajetória e principalmente da minha cidade.

Podemos, dizer que o Estado de Mato Grosso é a Unidade Federativa de maior importância dentro do complexo de produção de proteínas e fibras, e a Região de Barra do Bugres e as cidades circunvizinhas, juntas, se transformam num pedaço considerável neste contexto. Com muito suor os barra-bugrenses são os responsáveis por isso, independente da atividade que cada um desenvolve.

Barra do Bugres é um lugar de muitas histórias e de homens corajosos. Desde a chegada, em 1878, de Pedro Torquato Leite Rocha, procedente de Cuiabá, acompanhado de seus familiares, passando por Nicolau Gomes da Cruz; Major José Cassiano Correa; Capitão Tiburcio Valeriano de Figueiredo, – que foi um dos Comandantes da Guerra do Paraguai; Manoel de Camois Borges e vários outros até os dias de hoje. Nestas paradas dos encontros das águas dos Rios Paraguai e Bugres, sempre habitou e ainda habitam pessoas fortes, trabalhadoras e de visão de futuro, tanto que desta região sempre se extraiu riquezas que contribuíram e ainda contribuem muito para a sustentação e prosperidade do nosso Estado de Mato Grosso e do Brasil.

Desde o final do século XIX e começo do século XX, com o ciclo da exploração vegetal, com a extração da poaia, da borracha nativa, de madeiras de lei, principalmente o cedro, mas também da extração de diamante e ouro, esta região contribui com a grandeza e a riqueza do nosso estado. Estes ciclos influenciaram na formação populacional do município e da região, por isso a grande diversidade étnica, quilombolas, indígenas, migrantes do sul, sudeste e nordeste do país, além dos mato-grossenses tradicionais que investiram no município e por aqui fincaram raízes. Também se contemplam nessa região muitas outras histórias de bravuras, pois, não podemos esquecer que em 1926, o lugar foi palco de batalhas. Os moradores locais enfrentaram “os revoltosos da Coluna Prestes” que, sob o comando de Siqueira Campos, invadiram a cidade e pelo menos “15 valorosos homens tentando defender a cidade, perderam a vida, bem aqui, às margens do Rio Paraguai com o Rio Bugres”, e apesar da história registrar que a vila foi saqueada e incendiada como uma fênix, a então Vila Barra do Rio Bugres renasceu maior e mais forte.

Barra do Rio Bugres que mais tarde viria a ser Barra do Bugres, com o Decreto n°. 545, se transforma neste importante município, com seu território desmembrado dos municípios de Diamantino, Cáceres e Rosário Oeste; e que mais tarde ainda dá origem a outros novos e importantíssimos municípios de Mato Grosso, que são os casos de Porto Estrela, Nova Olímpia, Denise e Tangará da Serra. Desde o primeiro prefeito, o professor Alfredo José da Silva, passando por todos que o sucederam até o atual, o senhor Raimundo Nonato de Abreu Sobrinho, muitas coisas mudaram, menos a bravura e coragem de seu povo.

Por conta da comemoração de seus 75 anos no dia 19 de abril, nos leva a refletir que o momento é de pensarmos no futuro, e que o nosso município precisa de novos investimentos (público e privado), para gerar emprego e renda para nossa gente. Precisamos de melhorias consideráveis na Saúde, na Educação e na Segurança Pública. Nossa logística também é outra questão que precisa ser levada em consideração, pois o nosso povo trabalha e produz, logo, ter estradas dignas é o mínimo que se exige. Não há milagre, é trabalho e investimentos. E, de trabalho a nossa gente não tem medo, por isso, neste momento que completamos 75 anos, venho aqui parabenizar nossa gente que fez e que faz por esta terra, e assim dizer: que mais que desejar dias melhores, devemos trabalhar com coragem e afinco para isso.

Francisco Guarnieri é empresário em Barra do Bugres/MT.

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