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Política como missão e vocação

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Servir ao próximo é uma das ações mais nobres desempenhadas pelo ser humano. Mudar para melhor a vida das pessoas e transformar realidades difíceis em esperança de dias melhores, são, indiscutivelmente, recompensas incalculáveis para aqueles que possuem esta vocação e a missão de desempenhar com dignidade e moral o espírito servidor.
A política realizada de forma correta e honrosa tem esse papel. Isto é, no desenho estruturado de organização social, uma das formas de desempenhar este espírito e ajudar a transformar a vida das pessoas menos favorecidas é, sem sombra de dúvida, a atuação política por vocação e cumprindo a missão com ética.
Nasci em um lar cristão e desde muito cedo tenho clara essa percepção. Neste viés, naturalmente, ingressei na vida pública – guiado pelo efetivo exercício do auxílio, da ajuda. Isto está carimbado na minha trajetória, a luta pelo coletivo, desde a década de 1990, quando eu, vendedor ambulante, me vi obrigado a atuar junto ao Poder Público para defender os interesses de um grupo de trabalhadores, pais e mães de família.
A essência da política está no garantir o bem-estar da população em geral , sem priorizar interesses individuais. A política é a arte de bem servir o povo, mas só cumpre esse papel quem possui a vontade de ajudar ao próximo.
Infelizmente, nem todas as pessoas que assumem uma atuação política, possuem como interesse principal o cuidado com o povo e com a Coisa Pública. É por isso que essa semana, ao iniciar os trabalhos da 19ª legislatura da Câmara Municipal de Cuiabá, como presidente da Mesa Diretora, fiz questão de destacar que na minha gestão à frente do parlamento municipal o patrão é o povo.
Longe da demagogia, o slogan faz parte de uma política que pratico: por vocação e missão. E foi agindo assim tenho o cuidado de atuar pela manutenção da família e o zelo pelos lares estruturados. Minha característica principal é a defesa da família. Desde as famílias dos vendedores ambulantes, passando pelas famílias do Doutor Fábio, bairro em que comecei minha militância no movimento comunitário e onde moro até hoje, chegando a todas as famílias que vivem na nossa Cuiabá.
Ao contrário do que se pensa, quem tem o servir como missão não busca na política uma forma de enriquecer. Acreditem, há carreiras mais rentáveis e com menos cobrança do que ser político. São dias intermináveis, reuniões madrugadas dentro, finais de semana recheados de trabalho, momentos em que abrimos mão da convivência com nossas famílias, com nossos amigos, em busca destas conquistas.
Tudo isso pode ser visto no novo slogan, adotado pela 19ª legislatura da Câmara, “Você presente”. Queremos que a população, nossos patrões, participe mais do cotidiano do Legislativo. Somos seus representantes, seus servidores, e estamos prontos para mostrar resultados sempre melhores. De minha parte, faço isso por missão, por vocação. E sinto-me realizado com isso.
Misael Galvão é presidente da Câmara Municipal de Cuiabá

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Há 27 anos Mato Grosso perdia o seu “Chacrinha”

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“Alô, alô pessoal, estamos começando o Oito Especial”…
Assim o jornalista Malik Didier abria o seu Programa na TV Brasil Oeste (Canal 8), todos os sábados, às 10 horas. A irreverência era a marca inconfundível de Malik e está gravada para sempre na memória de toda população de Mato Grosso e de outros estados que sintonizavam a TV Brasil Oeste (Rede Bandeirantes, na época), via satélite. “Olha gente, estou aqui para mostrar o que vocês gostariam de ver”…

ACIDENTE
Rodovia Deputado Emanuel Pinheiro (Cuiabá – Chapada dos Guimarães), dia 15 de fevereiro de 1992, domingo, pouco antes das 17 horas. O VW Santana Quantum de Malik Didier, dirigido por sua esposa Elza Alves Pereira, choca-se frontalmente com um Chevrolet C-10, movido a gás, quando saía do Posto Natureza, no quilômetro dez da rodovia Cuiabá – Chapada. Faleceram, na hora, três membros da família Zahafi: Malik Didier Nemer Zahafi, 35 anos; o menino Caie Nemer Zahafi, um ano; e Elza Alves Pereira, 28 anos. Dois Passageiros que estavam no banco traseiro do Santana também se feriram.
A morte súbita de Malik Didier provocou uma grande comoção em Cuiabá e Várzea Grande. Uma legião de amigos, admiradores, autoridades e populares foram ao velório, na Funerária Dom Bosco, dar o último adeus a Malik, que, para muitos, foi um dos principais responsáveis pela completa mudança do telejornalismo mato-grossense.
Cumprindo o seu desejo manifestado meses antes, Malik e família foram enterrados no Cemitério Municipal de Chapada dos Guimarães. Antes, os corpos foram velados por mais de uma hora na Câmara de Vereadores de Chapada. Ele sempre dizia, brincando, que não queria lágrimas em seu enterro e, sim, alegria.
Para quem esteve no velório, foi um pedido difícil de ser atendido. “Malik era um predestinado”, disse o jornalista Pedro Pinto, editor da TV Centro América (Globo), na época.

CARREIRA
Batalhador, Malik começou no jornalismo na TV Centro América (Canal 4), em 1981, onde ficou até 84. Depois trabalhou na TV Brasil Oeste, do segundo semestre de 84 até fins de 86. Então, decidiu montar a sua própria produtora de vídeo. No início, tinha apenas uma Câmara VHS, um videocassete, um microfone e muita disposição para vencer. Três anos depois, em 89, venceu.
Proprietário da MBC Vídeo Produções, consolidou sua empresa como a maior e a melhor do ramo, em pouco tempo. Passou a produzir programas autônomos na TV Brasil Oeste. Além do “Oito Especial”, a MBC passou a produzir o programa Poliesportes, de Macedo Filho, e a co-produzir o jornal “Agora”, dirigido pela jornalista Rosana Vargas. A MBC encampou também algumas campanhas publicitárias. Malik estava radiante.

PESAR GERAL
Todos sentiram e lamentaram a morte prematura de Malik. Desde o início do mês de fevereiro de 92, ele estava preparando o desfile do bloco “Imprensando o Bebum”, que ajudou a fundar com Rosana Vargas e outros jornalistas, em 1987. Havia incumbido o ex-jogador Ernani (Mixto e Operário) de compor o samba enredo do Imprensando. Malik se foi, mas os jornalistas do Imprensando o Bebum, fizeram uma grande mobilização e o bloco desfilou no sábado gordo de Carnaval, no Parque de Exposição de Cuiabá, em sua homenagem. O ideário ficou. “Ele era o máximo”, afirmava Laura Lucena (hoje em Chapada dos Guimarães).
“Ainda não acredito”, disse Rosana Vargas, na noite de segunda-feira, dia 16, no Jornal de Mato Grosso Segunda Edição (TV Brasil Oeste), segurando para que as lágrimas não rolassem pelo seu rosto frente às câmeras. Nesse momento, ser profissional é muito difícil. “Ele não morreu; continua vivo na memória de cada um que o conheceu”, disse o repórter fotográfico Maurício Barbante, do então Jornal O Estado de Mato Grosso.
A melhor definição da época partiu do jornalista José Roberto “Bebeto” Amador, da TV Cidade Verde (SBT), Canal 12: “a televisão de Mato Grosso perdeu o seu Chacrinha”, relatou, numa alusão ao comunicador Abelardo Barbosa.
Com a morte de Malik, o jornalismo de Mato Grosso ficou mais pobre. Perdeu um símbolo.
O jornalista pode ser substituído. O símbolo, jamais.

Wilson Pires é Jornalista em Mato Grosso

 

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