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Parabéns Barra do Bugres pelos seus 75 anos!

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Sou filho desta terra, nasci em 31 de março de 1976, em uma propriedade rural, na comunidade Santana D’Oeste, em Barra do Bugres. Sou filho do saudoso produtor rural Aureliano Francisco de Lima, e da professora Marilene Guarnieri de Lima. Muito cedo passei a morar na sede do município onde fui engraxate, vendi picolé, limpei lotes, trabalhei em serraria, fui guarda mirim, servente de pedreiro, trabalhei em mercearia, e hoje empresário. Tenho orgulho de minha trajetória e principalmente da minha cidade.

Podemos, dizer que o Estado de Mato Grosso é a Unidade Federativa de maior importância dentro do complexo de produção de proteínas e fibras, e a Região de Barra do Bugres e as cidades circunvizinhas, juntas, se transformam num pedaço considerável neste contexto. Com muito suor os barra-bugrenses são os responsáveis por isso, independente da atividade que cada um desenvolve.

Barra do Bugres é um lugar de muitas histórias e de homens corajosos. Desde a chegada, em 1878, de Pedro Torquato Leite Rocha, procedente de Cuiabá, acompanhado de seus familiares, passando por Nicolau Gomes da Cruz; Major José Cassiano Correa; Capitão Tiburcio Valeriano de Figueiredo, – que foi um dos Comandantes da Guerra do Paraguai; Manoel de Camois Borges e vários outros até os dias de hoje. Nestas paradas dos encontros das águas dos Rios Paraguai e Bugres, sempre habitou e ainda habitam pessoas fortes, trabalhadoras e de visão de futuro, tanto que desta região sempre se extraiu riquezas que contribuíram e ainda contribuem muito para a sustentação e prosperidade do nosso Estado de Mato Grosso e do Brasil.

Desde o final do século XIX e começo do século XX, com o ciclo da exploração vegetal, com a extração da poaia, da borracha nativa, de madeiras de lei, principalmente o cedro, mas também da extração de diamante e ouro, esta região contribui com a grandeza e a riqueza do nosso estado. Estes ciclos influenciaram na formação populacional do município e da região, por isso a grande diversidade étnica, quilombolas, indígenas, migrantes do sul, sudeste e nordeste do país, além dos mato-grossenses tradicionais que investiram no município e por aqui fincaram raízes. Também se contemplam nessa região muitas outras histórias de bravuras, pois, não podemos esquecer que em 1926, o lugar foi palco de batalhas. Os moradores locais enfrentaram “os revoltosos da Coluna Prestes” que, sob o comando de Siqueira Campos, invadiram a cidade e pelo menos “15 valorosos homens tentando defender a cidade, perderam a vida, bem aqui, às margens do Rio Paraguai com o Rio Bugres”, e apesar da história registrar que a vila foi saqueada e incendiada como uma fênix, a então Vila Barra do Rio Bugres renasceu maior e mais forte.

Barra do Rio Bugres que mais tarde viria a ser Barra do Bugres, com o Decreto n°. 545, se transforma neste importante município, com seu território desmembrado dos municípios de Diamantino, Cáceres e Rosário Oeste; e que mais tarde ainda dá origem a outros novos e importantíssimos municípios de Mato Grosso, que são os casos de Porto Estrela, Nova Olímpia, Denise e Tangará da Serra. Desde o primeiro prefeito, o professor Alfredo José da Silva, passando por todos que o sucederam até o atual, o senhor Raimundo Nonato de Abreu Sobrinho, muitas coisas mudaram, menos a bravura e coragem de seu povo.

Por conta da comemoração de seus 75 anos no dia 19 de abril, nos leva a refletir que o momento é de pensarmos no futuro, e que o nosso município precisa de novos investimentos (público e privado), para gerar emprego e renda para nossa gente. Precisamos de melhorias consideráveis na Saúde, na Educação e na Segurança Pública. Nossa logística também é outra questão que precisa ser levada em consideração, pois o nosso povo trabalha e produz, logo, ter estradas dignas é o mínimo que se exige. Não há milagre, é trabalho e investimentos. E, de trabalho a nossa gente não tem medo, por isso, neste momento que completamos 75 anos, venho aqui parabenizar nossa gente que fez e que faz por esta terra, e assim dizer: que mais que desejar dias melhores, devemos trabalhar com coragem e afinco para isso.

Francisco Guarnieri é empresário em Barra do Bugres/MT.

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Trabalhador rural, o que comemorar?

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Neste 25 de maio o calendário destaca o Dia do Trabalhador Rural. Pessoalmente, não acho que há muito o que comemorar. Só na Grande Cuiabá, que envolve 13 municípios, há cerca de 100 mil jovens vivendo abaixo da linha da pobreza em comunidades rurais. Outras 250 mil pessoas da agricultura familiar vivem apenas com um salário mínimo. Se levarmos em consideração as cerca de 150 mil famílias que vivem da pequena produção em Mato Grosso, o grupo de adolescentes que sonham com uma vida melhor toma proporção bem mais vigorosa. Quando a estatística envolve a mulher, o quadro fica ainda mais dramático. Sabemos que a mulher do campo começa a trabalhar ainda criança e, muitas vezes, assume tarefas que deveriam ser exclusivas dos homens diante das diferenças físicas. Basta imaginarmos que se há 100 mil jovens desiludidos na zona rural, há pelo menos 50 mil mães na mesma situação.

Essa realidade não é novidade para mim. Nasci na roça e trabalhei com a enxada até os 10 anos de idade. Sei o quanto é difícil sobreviver sem apoio financeiro, desamparado tecnicamente e, ainda, sujeito as intempéries da natureza e aos acidentes de trabalho. A cada 52 minutos um trabalhador é vítima de acidente de trabalho em Mato Grosso, segundo o Ministério Público do Trabalho (MPT). São cerca de 73 mil casos estimados desde 2012, com aproximadamente 730 mortes, uma a cada três dias e meio.A agropecuária é o setor produtivo com maior número de registros no estado. Entre 2012 e 2017, foram contabilizados cerca de 18 mil casos, mais da metade deles só nos setores de abate de animais. Outro segmento que também preocupa pelo número de casos é o florestal.

Cabe aqui uma reflexão também sobre a seguridade social, que foi a melhor estratégia para combater a miséria nas áreas rurais desde a Constituinte de 1988. Mesmo parecendo cenário distante para o pessoal do campo, tivemos a aposentadoria, licença médica remunerada por meio do auxílio doença e licença maternidade. Agora, vem a pá de cal jogada pelo presidente da República Jair Bolsonaro com a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 06/2019 que joga milhares de trabalhadores rurais na miséria. Os maiores prejudicados são os agricultores familiares, que nem sempre têm renda para contribuir com o INSS, e por isso estão na categoria de segurados especiais. Uma injustiça, pois a agricultura familiar é a base da economia de 90% dos municípios com até 20 mil habitantes. Além disso, é responsável pela renda de 40% da população economicamente ativa e por mais de 70% das pessoas ocupadas no campo.

Um verdadeiro massacre aos trabalhadores rurais que, por ter baixa renda, cerca de 60% das famílias não terão condições de recolher os R$ 600,00 ao ano e estarão automaticamente excluídas da Previdência. Já em 2020, a trabalhadora rural só poderia se aposentar com 55 anos e seis meses de idade. E em 2029, com os 60 anos, como quer Bolsonaro. Um arrocho que vem matando aos poucos a sociedade e que remontam ao século III na Europa. Foi quando nasceu o regime de servidão feudal, onde o trabalhador rural é o servo do grande proprietário. No século XV essa prática desembarcou no Brasil com os portugueses e, desde então, pouca coisa mudou até os dias atuais. O trabalhador rural continua sendo servo, infelizmente.

É lógico que tivemos conquistas do ponto de vista organizacional e vamos relembrar algumas. Justiça seja feita. A partir do final dos anos 1940 surgiram as Ligas Camponesas, o Movimento dos Agricultores Sem Terra (Master), no Rio Grande do Sul (1960) e o Estatuto do Trabalhador Rural (1963). Com o golpe de 1964, a repressão conjunta de militares e latifundiários se abateu pesadamente sobre o povo da roça. Ciente de que a miséria no campo poderia se tornar um problema político grave, o governo federal esboçou um conjunto de políticas sociais onde constavam o Programa de Distribuição de Terras (Proterra) e o Fundo do Trabalhador Rural (Funrural), nos anos 1970. Mas isso não foi suficiente para mudar o quadro vigente de exploração e miséria.

Nos anos 1980 nasceu o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), mas se perdeu no caminho ao virar braço político da esquerda. Não posso deixar de enaltecer o movimento dos seringueiros da Amazônia, a partir de 1985, que deU exemplos de luta social associada à consciência ambiental, liderado por Chico Mendes. O fato é que, desde o feudalismo, o trabalhador rural continua preso na miséria do campo. Não bastassem o alto índice de informalidade no setor rural, onde de cada 10 empregados 6 estão sem carteira assinada. O homem do campo até ficou livre do açoite da senzala, mas agora está escravo da legislação e da falta de condições para produzir. As leis sanitárias, ambientais e fiscais não ajudam o pequeno produtor. Só apertam o nó da forca.

Por conta disso vou promover Audiência Pública, no dia 10 de junho, às 09h, no Plenário Milton Figueiredo, da Assembleia Legislativa, para debater a Agricultura Familiar na Baixada Cuiabana. A realidade na Grande Cuiabá não é diferente da situação nos demais municípios que praticam agricultura de subsistência e nos polos de pecuária leiteira e de corte. Salvo as regiões de cultivo de soja, milho e algodão em escala, é preciso colocar pingos nos is e reavivar a esperança dos nossos agricultores familiares.

Toninho de Souza é jornalista e deputado estadual pelo PSD-MT

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