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Nossos museus

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Nesse dia 7 de outubro, reabrimos o Museu de História Natural Casa Dom Aquino, o segundo museu reaberto pelo Governo do Estado, este ano. Teremos um espaço reservado para questões indígenas, loja de artesanatos e uma importante reserva técnica, além da exposição permanente. Isso mostra que estamos vivendo um novo momento na gestão de museus e valorização da nossa cultura.

No mês de fevereiro, já havíamos reaberto o Museu de Arte Sacra, também localizado em Cuiabá. O espaço ficou por muito tempo fechado, o que vai de encontro a tudo que defendemos sobre democratização do acesso à cultura.

Em relação à Casa Dom Aquino, o Museu está localizado na Avenida Beira Rio e precisa ser mais conhecido por toda a população, pois tem muita história e é um dos patrimônios culturais de Mato Grosso. Fundado em 1842 pela família Murtinho, foi lá nasceu Joaquim Murtinho e onde morou Dom Aquino Correa. Conta com exposição arqueológica da pré-história, fósseis de animais da nossa região e réplicas de dinossauros.

O Museu de Arte Sacra, localizado ao lado da Igreja Nossa Senhora do Bom Despacho, conta com bens religiosos datados desde a fundação de Cuiabá. E também é um exemplo da política atual da Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer (Secel).

Reabrir museus é uma das prioridades da atual gestão. Não podemos aceitar que espaços culturais como esses permaneçam fechados. Por isso, além de garantir condições de infraestrutura, temos trabalhado também por aumentar a acessibilidade e acervo, além da divulgação desses ambientes.

Os museus têm papel fundamental na preservação da história e cultura dos povos, além de salvaguardar bens materiais seculares. Serve ainda como local de formação educativa através de exposições permanentes que estimulam o debate em diferentes idades e serve, muitas vezes, como contato inicial de crianças e jovens.

Por isso, apoiar a cultura e valorização dos museus é tão importante para uma sociedade que precisa preservar o passado para poder projetar o futuro.

ALLAN KARDEC BENITEZ é deputado estadual licenciado, atual secretário de Cultura, Esporte e Lazer em Mato Grosso, Mestre em Estudo de Cultura Contemporânea e Doutorando pela UFMT.

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Lixo tóxico

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O debate político no Brasil foi bastante contaminado nos últimos tempos, é possível citar um marco temporal, apenas para efeito de análise, e ele começa no ano de 2013 quando o mundo sofria os efeitos da chamada “guerrilha virtual”. Com o uso dos novíssimos “bots” e as redes sociais sem qualquer regulação civilizada, setores empresariais e vendedores de informação começam a agir com novas ferramentas, desestruturando a democracia em todo o planeta. Não demorou e isso chegou ao Brasil, a nossa versão da Primavera Árabe.

Sempre fui contra a utilização de recursos financeiros de empresas para o financiamento de campanhas eleitorais, porque todos nós sabemos que o interesse delas nunca é combina com o desejo da população. O povo quer escola, aposentadoria, liberdade e comida. A empresa quer lucro, simplesmente assim, capitalismo selvagem na essência, e bancou a proliferação de lixo tóxico na política.

O problema é que as empresas conseguem manter-se no comando das coisas, mesmo após tanta mudança legislativa, tais como a Lei da Ficha Limpa e a criação dos mecanismos de financiamento público de campanha eleitoral (Lei nº 13.877, de 2019).

No Brasil nem todo mundo tem acesso à internet, porque o serviço é muito caro e mal prestado. Porém, esquemas como o “Cambrige Analytica” é prova de que os capitalistas seguem no comando. A Cambrige Analytica é uma empresa de mineração de dados, usa programas e robôs para buscarem informações de usuários de redes sociais, o Facebook incluído, investigando o perfil psicológico das pessoas. Assim, no momento em que “dá um like” na foto de um gatinho, ou “curte” uma postagem do aniversário do sobrinho, o internauta cede dezenas ou milhares de informações aos bots. E logo ele começa a receber publicidade “de acordo” com o seu perfil, inclusive propaganda política e ideológica. Tem início uma espécie de hipnose, em que a reação e as decisões da pessoa (em relação a compras, desejos, o voto na eleição) são administradas por um programa de computador que dita o algoritmo.

Para entender “algoritmo” uso um exemplo simples: a pessoa levanta da cama pela manhã, calça o chinelo, vai ao banheiro, escova os dentes e em seguida vai à cozinha beber seu café. Essa repetição de ações é um algoritmo. O problema ocorre quando a ordem das coisas que a gente faz é ditada, via hipnose, por um programa de computador, um bot.

Voltando ao escândalo da empresa Cambrige Analytica; essa gente sofreu investigações do governo do Reino Unido e do Congresso Estados Unidos, quando foi revelado que foi utilizada para fraudar a eleição do presidente Trump e a votação do Brexit (quando os ingleses votaram para sair da União Européia, enfraquecendo o bloco de países). Um dos dirigentes da empresa é Steve Bannon, amigo do peito dos filhos de Jair Bolsonaro, eleito presidente do Brasil, e o “muso inspirador” de muitas campanhas de ódio, discriminação e racismo nas redes sociais.

O documentário Privacidade Hackeada (Netflix, 2019) mostra, com detalhes bastante chocantes, o nível de influência que as técnicas da Cambridge Analytica tiveram em diversas campanhas políticas em todo o mundo. Aí se inclui a Argentina (2015), Trindade e Tobago (2009), Tailândia (1997), Índia (2010), Malásia (2013), Itália (2012), Quênia (2013), Colômbia (2011), Brasil (2018) para citar alguns países. Alguém aí lembra do kitgay e da mamadeira erótica que aterrorizaram os eleitores brasileiros no ano passado?

Outro grande problema relacionado à participação de empresas em financiamento ilegal de campanha eleitoral no Brasil possui relação com institutos e ONGs que financiam “sua própria” bancada. Empresários sustentam “movimentos” como o Renova BR, elegem bancadas multipartidárias, “plantando” políticos em agremiações diversas. Tudo isso é feito nas barbas da Justiça Eleitoral, que a tudo vê e nada fala. Para saber mais é bom pesquisar: Movimento Acredito; Agora!; Renova Brasil; Livres; Ocupa Política; Muitas; Vote Nelas; e a Rede de Ação Política pela Sustentatibilidade. Pode até não ser ilegal, mas são empresas reunidas em grupos de interesses, criando condições para eleição de bancadas que defendem as empresas, e não os trabalhadores.

Na votação da Ação Direta de Constitucionalidade nº 44, uma proposta da Ordem dos Advogados do Brasil, o Supremo Tribunal Federal permitiu, em margem apertada, que regras constitucionais sigam respeitadas, e o ex presidente Lula retomou a defesa de sua liberdade. Sem as amarras da masmorra que alguns atores tóxicos do sistema de justiça impuseram-lhe, criminosamente. É esperado que o debate civilizado volte a ter espaço no Brasil, e que os fraudadores da democracia sejam apenados de acordo com seus atos. É necessário se insurgir contra os ataques à soberania, pelo fim das fraudes em processos judiciais e nas eleições, reforçar as defesas dos direitos civis e das liberdades.

Vilson Pedro Nery, advogado especialista em Direito Público.

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