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“Mensagens de um cidadão de bem”

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Está prestes a amanhecer. No silêncio da madrugada, o relógio continua a funcionar lentamente. Perto das 05 horas da manhã, já se pode avistar o nascer do sol, algumas luzes se acendendo e o dia começando a raiar.

No entanto, o que mais nos toca nesse momento, são os sinais e sons emitidos por nossos celulares. São diversas mensagens advindas dos quatro cantos da nossa Cuiabá e até mesmo de todo o mundo.

Por um momento, passara por minha cabeça, serem apenas àquelas repetidas mensagens de “Bom dia”, as quais costumeiramente enchem nossas caixas de mensagem.

Mas, não! Não eram essas mensagens.

São pequenas frases, palavras sinceras, oriundas de pessoas que apenas desejam uma oportunidade de demonstrarem o seu potencial profissional.

Pessoas, com as melhores e mais conceituadas formações acadêmicas e experiências profissionais, mas que, por ora, se sujeitam a tais situações para garantir a sua subsistência, “prostituindo”, de certa forma, a sua própria profissão.

O dia, por fim amanhece. Os carros começam a circular pela cidade. As pessoas passam a se movimentar. O comércio a se erguer e o dia a fluir.

Todavia, algo continua da mesma forma. As mensagens continuam a chegar. Mas, agora, de forma diferente. Ligações também começam a surgir.

São pessoas precisando de algum auxílio. Seja um exame médico para um familiar ou até mesmo uma vaga em uma creche para o seu próprio filho.

Pessoas de bem, mas que precisam se sujeitar, mais uma vez, a tais situações para conseguir o básico para a sua sobrevivência.

Nesse momento, você leitor deve estar se perguntando, o porquê será desse relato, e qual será o intuito desse texto/artigo.

Pois bem, esse artigo evidencia um pouco do cotidiano, daqueles que decidem seguir a vida pública.

Daqueles, que verdadeiramente, deveriam abrir mão de seus objetivos pessoais, e colocar os coletivos, sempre em primeiro lugar.

Já o seu intuito, é externar o mais puro clamor, resultante das vozes das ruas.

Que essas mensagens possam parar de chegar, mas que as soluções possam ser encontradas, sem a necessidade de tamanha humilhação.

Que os nossos próximos legisladores, os quais passarão a tomar decisões em nosso nome, a partir de fevereiro próximo, possam se conscientizar da importância de semear e praticar sempre a “boa política.”

A política do bem. A política que serve as pessoas. A política das oportunidades.

Oportunidades! Sim, é isso, oportunidades!

O que as pessoas precisam são de oportunidades, para que assim possam crescer e vencer em suas vidas.

Oportunidades, para que possam conquistar uma vaga no mercado de trabalho, uma vaga para o seu filho em uma creche, e até mesmo, um exame para o seu familiar em um hospital público de qualidade.

O eleitor, o cidadão de bem, acorda todos os dias, tendo no “político” um líder, um verdadeiro solucionador de conflitos.

Mas, que essa visão não continue sendo apenas uma via de mão única, mas sim de mão dupla, onde o líder possa verdadeiramente auxiliar na solução dos milhares e milhares de problemas, que tanto afligem a nossa gente.

Gabriel Guilherme é Suplente de vereador por Cuiabá e estudante de Direito da Universidade de Cuiabá.

gabrielguilherme560@gmail.com

 

 

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Há 27 anos Mato Grosso perdia o seu “Chacrinha”

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“Alô, alô pessoal, estamos começando o Oito Especial”…
Assim o jornalista Malik Didier abria o seu Programa na TV Brasil Oeste (Canal 8), todos os sábados, às 10 horas. A irreverência era a marca inconfundível de Malik e está gravada para sempre na memória de toda população de Mato Grosso e de outros estados que sintonizavam a TV Brasil Oeste (Rede Bandeirantes, na época), via satélite. “Olha gente, estou aqui para mostrar o que vocês gostariam de ver”…

ACIDENTE
Rodovia Deputado Emanuel Pinheiro (Cuiabá – Chapada dos Guimarães), dia 15 de fevereiro de 1992, domingo, pouco antes das 17 horas. O VW Santana Quantum de Malik Didier, dirigido por sua esposa Elza Alves Pereira, choca-se frontalmente com um Chevrolet C-10, movido a gás, quando saía do Posto Natureza, no quilômetro dez da rodovia Cuiabá – Chapada. Faleceram, na hora, três membros da família Zahafi: Malik Didier Nemer Zahafi, 35 anos; o menino Caie Nemer Zahafi, um ano; e Elza Alves Pereira, 28 anos. Dois Passageiros que estavam no banco traseiro do Santana também se feriram.
A morte súbita de Malik Didier provocou uma grande comoção em Cuiabá e Várzea Grande. Uma legião de amigos, admiradores, autoridades e populares foram ao velório, na Funerária Dom Bosco, dar o último adeus a Malik, que, para muitos, foi um dos principais responsáveis pela completa mudança do telejornalismo mato-grossense.
Cumprindo o seu desejo manifestado meses antes, Malik e família foram enterrados no Cemitério Municipal de Chapada dos Guimarães. Antes, os corpos foram velados por mais de uma hora na Câmara de Vereadores de Chapada. Ele sempre dizia, brincando, que não queria lágrimas em seu enterro e, sim, alegria.
Para quem esteve no velório, foi um pedido difícil de ser atendido. “Malik era um predestinado”, disse o jornalista Pedro Pinto, editor da TV Centro América (Globo), na época.

CARREIRA
Batalhador, Malik começou no jornalismo na TV Centro América (Canal 4), em 1981, onde ficou até 84. Depois trabalhou na TV Brasil Oeste, do segundo semestre de 84 até fins de 86. Então, decidiu montar a sua própria produtora de vídeo. No início, tinha apenas uma Câmara VHS, um videocassete, um microfone e muita disposição para vencer. Três anos depois, em 89, venceu.
Proprietário da MBC Vídeo Produções, consolidou sua empresa como a maior e a melhor do ramo, em pouco tempo. Passou a produzir programas autônomos na TV Brasil Oeste. Além do “Oito Especial”, a MBC passou a produzir o programa Poliesportes, de Macedo Filho, e a co-produzir o jornal “Agora”, dirigido pela jornalista Rosana Vargas. A MBC encampou também algumas campanhas publicitárias. Malik estava radiante.

PESAR GERAL
Todos sentiram e lamentaram a morte prematura de Malik. Desde o início do mês de fevereiro de 92, ele estava preparando o desfile do bloco “Imprensando o Bebum”, que ajudou a fundar com Rosana Vargas e outros jornalistas, em 1987. Havia incumbido o ex-jogador Ernani (Mixto e Operário) de compor o samba enredo do Imprensando. Malik se foi, mas os jornalistas do Imprensando o Bebum, fizeram uma grande mobilização e o bloco desfilou no sábado gordo de Carnaval, no Parque de Exposição de Cuiabá, em sua homenagem. O ideário ficou. “Ele era o máximo”, afirmava Laura Lucena (hoje em Chapada dos Guimarães).
“Ainda não acredito”, disse Rosana Vargas, na noite de segunda-feira, dia 16, no Jornal de Mato Grosso Segunda Edição (TV Brasil Oeste), segurando para que as lágrimas não rolassem pelo seu rosto frente às câmeras. Nesse momento, ser profissional é muito difícil. “Ele não morreu; continua vivo na memória de cada um que o conheceu”, disse o repórter fotográfico Maurício Barbante, do então Jornal O Estado de Mato Grosso.
A melhor definição da época partiu do jornalista José Roberto “Bebeto” Amador, da TV Cidade Verde (SBT), Canal 12: “a televisão de Mato Grosso perdeu o seu Chacrinha”, relatou, numa alusão ao comunicador Abelardo Barbosa.
Com a morte de Malik, o jornalismo de Mato Grosso ficou mais pobre. Perdeu um símbolo.
O jornalista pode ser substituído. O símbolo, jamais.

Wilson Pires é Jornalista em Mato Grosso

 

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