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Há 107 anos nascia Lamartine Pompeo, um apaixonado por Várzea Grande

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Um várzea-grandense convicto. Dessa forma se define o cidadão Lamartine Pompeo de Campos, nascido em 12 de março de 1912.
Filho de família tradicional da região, seu pai Ciríaco Pompeo Paes de Campos, era neto de Bandeirantes, onde nasceu em Nossa Senhora do Livramento, onde foi intendente. Tinha o apelido de Nhô Ciríaco e era casado com dona Edwirges Correia de Almeida, tendo se transferido para Várzea Grande em 1910. Foi médico prático homeopata, sempre socorrendo o seu semelhante. Não havia médico em Várzea Grande, na época.
Lamartine Pompeo de Campos, após concluir o primário em Várzea Grande, deslocou-se para a capital do Estado, Cuiabá, para dar seqüência aos estudos no Colégio Estadual Liceu Cuiabano. Isso foi em 1927. “Nunca acreditei no estudo, pois tinha certeza de que venceria com minha inteligência”. Em seguida, os pais o mandaram para São Paulo. “Lá estudei no Liceu Sagrado coração de Jesus. Fiz o primeiro ano ginasial”. São Paulo, para o “seo” Lamartine, nem pensar. “Não gostei de São Paulo nem por brincadeira”, dizia em tom jocoso.
Após essa conclusão, decidiu, juntamente com os pais, deslocar-se para o interior paulista, mais propriamente para a cidade de Lorena. “Foi lá, em 1930, que tirei a minha carteira de reservista”. Ao final de 30, com a revolução e o conseqüente fechamento dos estabelecimentos de ensino, “seo” Lamartine retornou para a sua cidade natal: Várzea Grande. Dessa forma, tentou mais dois anos de estudo no Liceu Cuiabano. Tudo em vão. Sua vocação estava na atividade de comerciante.

PRIMEIRO EMPREGO
Sendo assim, deixou os estudos e foi trabalhar. O primeiro emprego, recordava, foi nas Casas Pernambucanas. Em 1933, montou seu primeiro estabelecimento comercial, o Armazém Ipiranga, em Cuiabá. Um comércio de secos e molhados. “Tive apoio do meu irmão mais velho, o Benedito Pompeo de Campos”.
Após certo período, deixou o comércio e foi administrar a Fazenda Bahia dos Pássaros, em 1938. “Permaneci na fazenda até dezembro de 1945”. De lá, guardava boas recordações. “Foi onde aprendi a laçar e pear o gado” lembrava.
Casado com dona Antonia Augusta de Campos, “seo” Lamartine teve quatro filhos: José Pompeo de Campos, Antonio Pompeo de Campos, Nilza Pompeo de Campos e Neuza Pompeo de Campos.
Em 24 de dezembro de 1945, depois de administrar a Fazenda Bahia dos Pássaros, voltou para Várzea Grande. “Vim montar novo comércio e aproveitei para pegar as festas de final de ano, aliás, as melhores que aconteciam na região”, sempre afirmava. Nessa época, a vila ainda era um distrito da capital e “tudo aqui era muito incipiente, inclusive o comércio”.
Apesar da grande dificuldade, principalmente a falta de infraestrutura, “seo” Lamartine afirmava que naquela época tudo era mais fácil. “Não havia inflação, e sim, muita fartura, principalmente na lavoura”.
“Na região da varzearia, era só poesia. Tudo era muito bonito e com a guerra do Paraguai, a exaltação foi maior”. Aquele local era onde se abatia gado, bem como o pernoite dos boiadeiros. “Eu sempre gostei dessa terra. A nossa Várzea Grande é a maior e melhor cidade do Estado de Mato Grosso”, gostava de afirmar seo Lamartine.

O PROGRESSO
O desenvolvimento do município, por outro lado, nunca preocupou o velho e já cansado Lamartine Pompeo. “Muito pelo contrário, é fundamental para as novas gerações que estão surgindo”. Em sua opinião o início do progresso, em Várzea Grande, chegou com administração do senhor Júlio Domingos de Campos, o popular “seo” Fiote. “Tivemos a sorte de contar, sempre, com bons administradores à frente da Prefeitura Municipal”.

FUTEBOL
Para o esporte do município, “seo” Lamartine também teve um papel decisivo. Foi o primeiro tesoureiro do Clube Esportivo Operário. “Sempre torci pelo Operário. Inclusive, quando estava na fazenda, vinha assistir aos jogos após percorrer 30 léguas a cavalo”. Esse trajeto era feito em um dia e meio. Fato que não impedia de ver um clássico do seu time preferido.
A sua paixão pelo esporte sempre foi grande, tanto que o rádio foi seu maior companheiro. Além de Operariano, seo Lamartine gostava de acompanhar jogos de futebol de salão, pela Rádio Cultura. “Jorginho Mussa conhece o meu gosto pelo futebol e não deixa de me mandar uns abraços”.

RECORDAÇÕES DA JUVENTUDE
Dos amigos da juventude, mocidade, seo Lamartine recordava de Miguel Leite da Costa, Napoleão José da Costa, Jorge Mussa, Luiz Ferreiro, Joaquim da Cruz Correia, entre tantos outros.

POLÍTICA
Nunca quis participar efetivamente da política. Não concordava muito com o que os políticos da época faziam. Porém sempre acompanhou o desenrolar dos fatos em favor daqueles que em sua opinião seriam melhores para a cidade.
Lamartine Pompeo de Campos, dizia que assistia alguns comícios, na Cidade Industrial, e que não aprovava como se conduzia a política local. “Eu não gostava das decisões e sempre me mantive afastado”. A única participação na política, como cabo eleitoral, foi durante a candidatura de Plínio Salgado, que disputou a presidência da República, mas que não ganhou. “Recebi uma missão do partido, o PRP (Partido da Representação Popular), do qual era filiado, e mandei a seguinte resposta: As urnas falarão sobre o meu trabalho”. Sem dúvida, em nível de Mato Grosso, Plínio Salgado recebeu um votação expressiva na região de Várzea Grande.

Wilson Pires de Andrade é jornalista em Mato Grosso

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Santa Casa: um problema de todos

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Meu partido é Cuiabá. E por isso, preciso dizer que fui aliado e sou amigo do governador Mauro Mendes – estivemos juntos na luta por uma Cuiabá melhor, militamos no mesmo partido – mas não posso me furtar de falar a verdade e apontar atos de Mendes quando eles prejudicam a nossa população.
Lógico que neste momento, estou falando do lamentável fechamento da Santa Casa de Misericórdia, uma mancha às vésperas dos 300 anos da nossa cidade. Por isso, não posso me calar diante da omissão do governo em atuar para que o hospital volte a funcionar.
Nos seus mais de 200 anos de funcionamento, a Santa Casa nunca escolheu os pacientes que atendeu. Seus médicos, enfermeiros e colaboradores nunca questionaram a origem daqueles que a procuraram, quis saber de suas condições econômicas, ou seja, tratou de forma indistinta cada um que esteve em seus leitos.
E ao contrário do que Mauro Mendes anda afirmando em entrevistas, é sim dever e responsabilidade de todo e qualquer gestor público aumentar e não diminuir a capacidade de atendimento da rede pública de saúde, que vive uma situação bastante delicada em Mato Grosso. Ainda mais quando este gestor é nada mais nada menos do que o governador do Estado. Seria desnecessário dizer, mas diante desta situação, é preciso lembrar que de cada 10 pacientes acolhidos pela Santa Casa, 7 não são de Cuiabá. Isto é, 70% do atendimento ali feito vem de outros municípios de Mato Grosso.
Olhar para todos, senhor governador, é também olhar para cada um. Não se pode tratar a situação da Santa Casa de Misericórdia de Cuiabá como algo corriqueiro, ordinário e politiqueiro. Trata-se de uma das maiores vergonhas da história da nossa cidade, uma instituição do tamanho deste hospital filantrópico, com a trajetória e com uma grande folha de serviços prestados, fechar as portas porque falta sensibilidade dos gestores públicos.
Falta atitude. Falta coragem. Falta responsabilidade. Falta fazer o dever de casa. É preciso descer do pedestal e chegar até quem está clamando por Saúde. É preciso deixar a palhaçada e o veneno de lado e apertar as mãos.
Ao dizer que, enquanto prefeito, não deixou a Santa Casa fechar, o hoje governador Mauro Mendes acaba, que indiretamente, elogiando seu antecessor, Pedro Taques, que mesmo diante de todas as dificuldades, nunca se furtou da responsabilidade de manter uma unidade de saúde, ainda mais do porte deste hospital.
Além disso, este tipo de declaração mostra que se houvesse vontade da parte de Mauro Mendes, a situação de centenas de pacientes que necessitam de atendimento seria bem melhor do que hoje.
Muito provavelmente, o município de Cuiabá conseguiria, sozinho, colocar o pagamento dos salários dos valorosos colaboradores em dia e quitar despesas com diversos prestadores, se o Estado, governado hoje por Mauro Mendes, repassasse os valores devidos à Secretaria Municipal de Saúde (SMS). Sem contar os R$ 86 milhões em emendas pendentes, o governo deve nada mais, nada menos, do que R$ 76 milhões.
É chegado o momento de assumirmos todos a responsabilidade pela nossa Santa Casa, sem cor partidária e nem bravatas. A Câmara de Cuiabá tem feito sua parte e os vereadores trabalham noite e dia em busca de soluções. Estamos desesperados, junto com pacientes  e colaboradores, e na contramão, infelizmente, o governo quer usar a situação para jogo político.
Do mesmo modo, o prefeito também tem tentado viabilizar recursos para a reabertura deste importante hospital. Tenho certeza de que, se o governo estadual quiser, a situação será resolvida rapidamente. A Santa Casa é de todos, cuiabanos e mato-grossenses.
Misael Galvão, presidente da Câmara Municipal de Cuiabá
Fonte: Assessoria

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